quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Interregno
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Carlinhos Garrafão
Quando eu era pequeno olhava para o Carlinhos e pensava que tinha sido ele o modelo do Bordalo Pinheiro quando criou o Zé Povinho... O Carlinhos não tinha barba, mas tinha o mesmo ar bonacheirão e olhos ternos e aquela cara enrugada sobre o próprio nariz com um dos olhos mais aberto que outro, andava como quem anda com água pelo peito: com os braços afastados do corpo a bracejar alternadamente e uma perna mais curta que outra que o fazia baloiçar ora para a esquerda ora para a direita. O Carlinhos fazia recados, de resto a profissão mais almejada pelos tontos da terra, não se cansava nunca de pedir "um cigarrinho fachavor". Morreu num contexto algo incerto...
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
A minha prenda de anos!
terça-feira, 11 de novembro de 2008
A minha prenda de anos!
Como sabem, faço mergulho já há algum tempo mas infelizmente ainda não tenho todo o material: faltam-me os indispensáveis reguladores e manómetro... O que é bastante caro, assim, convido-vos a até ao dia dezanove de Dezembro fazerem um donativo para contribuir para este bolo. Em troca comprometo-me a comprar os reguladores, desde que atinja sessenta por cento do valor total, se não atingir pego no dinheiro e vou para o casino esfarrapar o guito até me sair o jackpot! Não a sério, se não atingir o valor esperado, junto o dinheiro e vamos todos beber um copo a um sítio qualquer, mas nada disso interessa porque eu sei que vocês se vão mobilizar e reunir os absurdos trezentos e cinquenta euros para a minha prenda. Escreverei também um post em letras douradas com o nome de todos aqueles que se dignaram a comparticipar! Para que se sintam incentivados a colaborar adianto desde já cinquenta euros à conta. Frequentemente, anunciarei aqui no blogue os valores já atingidos. Agora vamos ao que interessa: para endossar o vosso contributo devem escrever um comentário com o vosso nome (excepto se quiserem manter o anonimato, claro está!) e depois usar os seguintes dados num pagamento de serviços num multibanco:
Entidade Bancária: 20130
Referência Multibanco: 485055776
e o valor à vossa escolha,
Aquele abraço!
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Quantum of Solace
Mas há coisas que nunca mudam: a bomba deste filme é o Aston Martin DBS, mete ainda o novo Ford Ka, e um Ford Edge americano, ambos a hidrogénio, e as Bond Girl's mantêm-se à altura (uma das quais rende-se à mais invulgar frase de engate de sempre no quarto de hotel: "Porque não me ajudas aqui a encontrar o papel de carta"! Já o genérico inicial não foi nada de espectacular, mesmo com o tema de Jack White e Alicia Keys que o acompanha.
Apesar de não ser tão bom como o primeiro, leia-se o vigésimo primeiro, que eu achei ser o melhor de sempre, este filme mantém o rumo do novo Bond, e não deixa de ser mais um James Bond!
terça-feira, 4 de novembro de 2008
PHDA
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
BPN
Freaks flock together
Existem neste nosso mundo vários outros mundos exclusivos dos olhos de apenas alguns, os cirurgiões e pessoal de cirurgia lá conhecerá as entranhas dos corpos humanos, os mecânicos não encontram surpresas num motor, mergulhadores conhecem esse mundo subaquático, e o mundo microscópico é conhecido dos biólogos e outros, tal como o telescópico é dos astrónomos. Assim, se eu quiser partilhar uma descoberta fantástica que acabei de fazer, digamos, no modo de alimentação de um pogonóforo acima dos cinquenta graus centígrados, convém, no mínimo, que o meu interlocutor saiba de que animal eu estou a falar e da sua biologia... Mas nem é preciso tanta especificidade, por exemplo, de cem pessoas escolhidas ao acaso, quantas se entusiasmarão com o comportamento exibido por um caranguejo a comer uma poliqueta?! E numa turma de biologia marinha?!
É por isto que os Freaks flock together, numa multiplicidade de mundos que se apresentam mais ou menos interessantes, juntam-se aqueles que mais amam determinado mundo. Há ainda outro aspecto interessante que é o facto de haver uma gritante e forçada incompreensão por parte de um habitante de um mundo em relação a outro diferente: como quando vemos um bando de gajos vestidos de Darth Vader e Han Solo para ver a emissão contínua de todos os filmes do Star Wars. Pensamos (os que não conhecem este mundo): "Estes gajos são uns otários!" E talvez estejamos cobertos de razão, mas isso não interessa! O que interessa é que estes totós com idade para ter juízo, e mulher, e filhos, e casa própria, andam em bando porque gostam do mesmo mundo! Independentemente desse mundo ser estranho para outros.
O mundo a que eu pertenço é também estranhíssimo, senão vejam: numa aula é apresentado um slide de um choco acabado de ecludir, que objectivamente é uma massa disforme, preta, onde um olho arguto identifica uns tentáculos e dois olhos enormes. A reacção das miúdas da turma é um ooohhhhhhh!!! carinhoso como alguém que admira a ternura de um cachorro, enquanto o cidadão comum teria uma reacção anojentada, talvez um vómito!
Soneto de Amizade
De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Soneto de Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Vinícius de Moraes
E agora que é findo esse amor,
Após as lutas vencidas,
Lambem-se, enfim, as feridas
Enquanto se busca a paz interior.
O que veio depois do torpor
foram umas eufemizações desmedidas,
para atenuar as sensações sentidas,
E trazer, talvez, algum calor.
A seguir aos sonetos de separação e fidelidade,
Queria que ficasse algo mais,
E se te permitires a tal,
E não deixares que as injúrias te sejam fatais
Escreverei este soneto final:
O Soneto de Amizade
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Xenofobias e Homossexualidades
Agora, a pensar na frase de cima, atentem a este conto de fadas trágico que vos vou contar...
Era uma vez um príncipe que vivia numa região dos alpes, ele era o príncipe herdeiro do nacional-socialismo. Sempre aprumadinho, e extremamente correcto na sua apresentação, metrossuxual, (de reparar que os homens de extrema direita são sempre mais preocupados com a sua imagem) um homem sem surpresas na hierquização dos seus valores: família, a raça, a nação... Muito carismático, graças aos ideais xenófobos, foi ganhando admiradores entre os mais jovens austríacos, que tanto medo têm dos povos que lhes atravessam a fronteira.
Rapidamente o nosso príncipe seria tornado rei, casado e pai de filhos, e estava agora à frente da Aliança para o Futuro da Áustria!
Embora casado, faltava ao nosso líder a sua verdadeira musa, a sua fada, que descobriu quando conheceu um jornalista da área da cosmética. Este jornalista sentiu uma atracção imensa pelo líder neo-nazi, física mesmo. Tornar-se-iam inseparáveis ao ponto do líder, 30 anos mais velho, prometer ao seu secreto amante e confesso braço-direito a liderança da aliança!
Em mais uma noite, que o carismático líder disse à mulher ser de trabalho, seguiu até à porta do seu jovem admirador, e juntos foram para a festa gay onde tantas vezes se divertiam. Lá os ciúmes motivaram uma emocionada discussão que acabaria com mais uns vodkas e a fuga do neo-nazi no seu carro do povo, o phaeton... pelo caminho atravessaria um muro de betão.
O jovem jornalista, agora líder, ficou destroçado, mas ainda aguentou duas semanas antes de confessar aos austríacos que perdera o seu amante, o homem da sua vida... A aliança não podia admitir que o número um e dois do partido fossem amantes e demitiu imediatamente o abalado e recém nomeado líder. Em duas semanas o pobre jovem nazi perdeu o trabalho e a família...
A propósito, o eminente etólogo era austríaco!
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Sindicalistas
Correm atrás dos trabalhadores que não pagaram as cotas, "bullyzam" os fura-greves, e, acho eu, rebentam aneurismas se lhes pedirmos para tentarem compreender o lado do patrão... São uma máquina bem oleada, uma indústria de lobbistas (e prometo parar por aqui com os anglicismos) que a troco de uma parte do seu salário pressionará o governo a aumentar-lhe o mesmíssimo salário. Chegam a ser de tal maneira grandes estes sindicatos que às vezes se parecem com aquelas empresas multinacionais contra as quais lutam, gerem orçamentos imensos, empregam centenas de pessoas, dir-se-ia que qualquer dia será preciso sindicatos para aqueles que trabalham nos... sindicatos!
Pára-choques de titânio
Se para comprar bilhetes, ou usufruir de qualquer serviço, existir uma fila, esperarei pacientemente a minha vez... Se encontrar alguém conhecido à porta dos correios, deslocar-me-ei para não impedir a passagem dos outros... Se for de noite, não ligarei o aspirador... Na estrada, as minhas reacções explosivas não ocorrem por eu ser nervosinho, mas apenas porque sou escrupuloso no respeito pelo próximo e não espero menos, nunca, daquele que comigo interage. Eu não nunca estaciono em segunda fila (e há aqueles que quando me entalam por ter estacionado no espaço devido, aparecem depois de eu me fartar de buzinar e ainda têm a lata de dizer - até parece que você nunca estacionou em segunda fila?!), eu não uso as faixas do BUS, eu alterno a cedência de passagem nos entroncamentos, é tudo uma questão de respeito pelo próximo...
Nas filas que se criam à porta dos serviços, pouca gente ousará passar à frente de alguém, isto porque será fulminado pelo olhar furioso daqueles que esperam há já algum tempo, poderá mesmo ser mandada alguma boca, ou pior, correr tudo a chapada, ou talvez nada disto ocorra porque alguém na fila disse - Desculpe mas esta linha de gente atrás uma da outra chama-se fila e o seu lugar é lá atrás... Mas não se o prepotente javardo seguir na sua viatura, aí sentir-se-á a salvo de olhares cruéis e ameaças verbais (ás vezes...) ou então está-se pura e simplesmente cagando para os outros, e mete-se à frente das filas de trânsito, ou estaciona em segunda fila, mete-se à papo-seco nas rotundas e coisas do género.
Epá porque o que dá mesmo vontade é de instalar um pára-choques de titânio, daqueles tubulares, e ansiar para que um destes caramelos se meta à nossa frente indevidamente, e aí em vez de travar e evitar um acidente do qual o outro seria o culpado, acelerar e partir-lhe o carro todo...
Mas aquele que andar comigo de carro reparará que eu só me enervo com questões que envolvam o respeito mútuo, senão reparem: um gajo conduz a cinquenta à hora numa zona de noventa, eu fico impaciente porque o gajo está a limitar a minha liberdade de me movimentar na estrada, e se um velho se faz a uma passadeira e demora cinco minutos a atravessá-la, eu até espero (e com uma paciência invejável!) que ele chego até ao outro passeio, mas se outro gajo conduz um carro à monocarril, i.e., com o carro em cima da linha que divide duas faixas, eu sou bem capaz de apitar e gritar-lhe - 'tás em boa altura para andar de metro!
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Benaventices (IV)
Joaquim Parracho, tinha um humor inimitável! Não que fizesse por isso mas era uma pessoa que para além dos artigos etnográficos coleccionava também muitas situações caricatas, duas das quais relembro aqui!
Certa vez, a antena um gravou um programa em benavente e quis falar com o Parracho acerca do museu.
Começou a entrevista, feita ao ar livre no jardim dos bombeiros velhos, e o repórter pergunta
- Senhor Parracho, o senhor nasceu em que ano?
e ele respondeu - Nasci em mil novecentos e vinte, ano da famosa aguardente!
- Corta! Oh senhor Joaquim Parracho não pode fazer publicidade! Vamos lá outra vez...
- Senhor Parracho, em que ano nasceu?
- Nasci no ano da aguardente mil novecentos e vinte!
- Corta, senhor Parracho disse outra vez aguardente!
- Sabe, é que eu digo isto há tantos anos!
- Vamos começar outra vez...
- Senhor Joaquim Parracho, em que ano nasceu?
- Nasci em mil novecentos e vinte!- fez uma pausa aproximou-se do repórter e depois disse - Agora não falei da famosa aguardente!
Glossário Comportamental
Levantámo-nos mais cedo nesse dia para aproveitar as horas mais frescas da manhã, íamos montar a cerca eléctrica! Quando chegamos a manada estava espalhada: uns pastavam outros ilustravam esse conhecido padrão fixo de acção que é o de dois cavalos coçarem as costas um do outro mordiscando-se mutuamente, outro ainda, um jovem macho tentava copular com uma égua prenha num aparente comportamento no vazio. Uma égua de três anos viu na já conhecida renault 4l branca o estímulo sinal que a levou a erguer as suas orelhas e a emitir o breve relincho, estes, com certeza, actuaram como um desencadeador social, pois toda a manada reagiu ao relincho e reuniu-se junto ao carro, apenas um poldro correu na direcção oposta o que me pareceu ter sido um comportamento deslocado...
Os cavalos andavam soltos no campo e com a cerca íamos separar o terreno para reservar pastagem... Isto de separar pasto com cerca electrica só dava com os cavalos, as vacas mertelengas até arrastavam arame farpado se o pasto o justificasse! Ou seja, as mertelengas sofreriam uma acumulação de energia específica de acção provocada pela visão de um luxuriante pasto verde por oposição ao terreno “ratado”, passe a expressão, onde se viam confinadas. Este excesso energia, a pulsão, levaria a um comportamento (literalmente!) apetitivo: o rebentar dos arames farpados! A energia seria então dissipada logo após a concretização do acto consumatório, assim que as vacas abocanhassem a erva fresca.
Procurar uma zona húmida, perto da vala serve, para ligar o gerador à terra. Gritava para o meu primo, que tinha montado a fita da cerca – estica mais a fita! – quando ele o fazia eu ligava o gerador e o choque eléctrico que ele apanhava fazia-o dar um salto como um gato que vê um cão ao dobrar uma esquina (também o ouvi praguejar)! Ficou a cerca montada, e ficamos ali mais um pouco, a ver os bichos. Os cavalos, desconfiados, vieram em manada analisar o novo objecto, e um mais afoito na frente da manada veio aproximando-se de nariz esticado e orelhas apontadas para trás até que tocou na cerca! Como estavam todos juntos, apanharam todos um choque, pela lei da somação heterógenea, o conjunto de estímulos de choque, empinanços e relinchos provocou um verdadeiro pânico...
Como ganhar o Prémio Nobel
Para ganhar o prémio Nobel é preciso acima de tudo ter uma saúde de ferro! A academia sueca tarda tanto em entregar os prémios que por vezes decorrem mais de cinquenta anos entre a publicação das descobertas e a atribuição do galardão... Não há cá Nobeis a título póstumo, maneiras que é assim: ou a sua investigação é MUITO boa e o prémio é atribuído brevemente, ou a sua investigação é fracota e será galardoado num ano mais fraco, resta ter a tal saúde para estar vivo quando esse ano chegar...
Deve também imigrar para os Estados Unidos quanto antes! Toda a gente sabe que é nos States é que a coisas se resolvem, em Portugal mal temos dinheiro para comprar fotocópias nas faculdades quanto mais investigar em série...
O objecto do seu estudo deve estar na moda! Desde há alguns anos para cá que a academia passou a usar o seu famosíssimo prémio para de alguma forma chamar a atenção para determinado tema, o microcrédito, o aquecimento global.
domingo, 5 de outubro de 2008
Viva a Républica!
Hoje senti que o Presidente da Républica, que discursava, era também o meu Presidente. Até agora não o tinha sentido, até porque não votei nele, e como já tinha mostado noutro post, nunca tinha gostado dos seus discursos. Mas não hoje, hoje gostei de o ouvir, foi real e pragmático, preocupado mas esperançoso.
Os partidos, invariavelmente, aproveitam qualquer minuto de telejornal para tempo de antena, e o que dizem, perdoem-me o cliché, é sempre o mesmo: que o presidente falou muito bem, mas o governo não tem noção do país em que vive...
O Sócrates esse, que normalmente não me faz assaltar grandes críticas, fez uma coisa imperdoável, ou melhor, o seu acessor de imagem terá permitido que ele a fizesse. No dia da Implantação da Républica, em que trocámos os símbolos monárquicos pelos republicanos, a guarda, o hino, a bandeira, que antes era azul e branca. O Sócrates assistiu ao discurso do presidente e na televisão formava-se um retrato claramente republicano: o presidenta, a varanda, cores vermelhas e verdes. Mas numa espécie de acaso deveras perturbador ou manifesto aviso subliminar, Sócrates decidiu vestir uma camisa branca e gravata azul. Logo hoje...
A Beleza duma CCC
Ah! Quanta beleza encerra uma Central de Ciclo Combinado!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Recrutamento
Acho fofo! Isso é que era bom cá pra Portugal! Todos nós sabemos a dificuldade que é encontrar a pessoa certa para o lugar certo... Assim é bem mais simples! Senão vejamos:
PSP's, podíamos recrutá-los nas salas de chats sobre fardas e cacetetes do mIRC;
GNR's, chatroom da associação nacional de adegas cooperativas,
GOES, Hi5 do Bruno Alves
Médicos, orkut do Dr. Bayard
Taxistas, NASCAR destruction derby forum
Governo, myspace do Michael Page
O que é que acham?
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Run Palin, Run!
A ser vice-presidente será tão igual àqueles que nela votarem, os americanos conservadores, e tão diferente daqueles que pasmam quando lêem o seu currículo, os liberais. Aqui não há meias decisões, todas as escolhas são fáceis: tudo pelo extremo! A neta emprenha aos dezassete anos: Casa-se e tem o filho! Ela espera um filho mongolóide... Abortou? A constituição defende o uso e porte de armas: ela é membro do National Rifle Association (N.R.A.), mata ursos no Alaska. O Alaska é importante para a economia dos EUA? Ela defendeu a sua independência! Defende ainda um estado cristão que doutrine o Criacionismo nas escolas, já refutado pelo Vaticano... Para além de tudo isto, tem ainda conseguido recusar (como eu o lamento) os incansáveis pedidos de Hugh Hefner para pousar para a Playboy...
E agora analisem isto: Ela é republicana, defende fervorosamente os valores da família, recentemente alargada pela chegada do filho mongolóide, agora com seis meses... Daqui a dois, está disposta a aceitar o cargo de vice-presidente daquela que eles acreditam ser a maior potência mundial... Agora digam-me, o que é que podem inferir acerca da importância que ela dá aos valores da família e ao cargo de vice-presidente... Como nota de rodapé deixo-vos estas pérolas: Sarah Palin admite entrar em guerra com a Rússia ou o Irão.
Lucy!
Caminho coçando ainda o cu, vou tomar o pequeno alçomo. Enquanto torro uma fatia de pão, ligo a televisão. A torrada salta e cai no chão: não bebi o café e os reflexos estão ainda adormecidos... Volto para a frente da T.V. e vejo um valente conjunto de bagas/pernas... O que é isto?! Esfrego os olhos, enquanto o faço vejo projectada nas minhas pálpebras a imagem da grande Alexandra Lencastre, essa ninfa que inspirou os sonhos dos rapazes que tiveram como referência de infância a grande série: Rua Sésamo! Abro os olhos, e a custo foco uma Luciana Abreu mamalhuda, de calçonitos brancos, mal tapando as bochechas do rabo...
Ora, será este o programa ideal para uma manhã de sábado? Bem sei, que atendendo à tradição das manhãs de sábado da sic, não podíamos esperar nada na onda do softcore, senão lembremo-nos do didactismo das manhãs do A E I O U da Ana Malhoa, semi-nua, tatuada e furada de piercings... (serei demasiado púdico?!) Mas mesmo assim, e apesar de eu achar a contratação da Luciana uma clara melhoria face a qualidade das manhãs de sábado da sic, devo dizer que espero ainda mais. Só não metam um Júlio Isídro no programa infantil a cumprimentar: "Olá Amiguinhos!"
Não te rias , Fidel!
Nós, temos estado a olhar para o ar, cagados de medo, a ver se não nos cai nenhum morteiro financeiro em cima, e já temos aqui umas crateras ao lado, primeiro da AIG e agora do FORTIS.
Do lado de cá, já se viu com o FORTIS e AIG, fora os outros bancos semi-capitalizados por essa Europa fora, que ainda nada está pacífico... Por outro lado, se os britânicos começavam a odiar o Gordon Brown, nesta fase não podiam ter melhor comandante para esta guerra financeira, senão o homem que "protegeu" e protege ainda o U.K. do euro e que controla de perto a economia britânica já desde o tempo do Tony.
O Chávez e o Fidel riem-se dos capitalistas e comentam: "Que estúpidos! Estes gajos deixam as empresas privadas ter prejuízo, e depois compram-no!!! Nós somos bem mais coerentes: deixamos as empresas privadas instalarem-se cá e depois nacionalizamos o lucro! Na China, é difícil dizer se estamos perante capitalismo ou "socialismo": as empresas que dão lucro são nacionalizadas e as que dão prejuízo são privatizadas. Vende-se o prejuízo e compra-se o lucro!
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Sei Lá
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação
Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
A vida tem sempre razão
Vinicius de Moraes
Há coisas sobre as quais não posso pensar, são superiores a mim. A morte, a sua irreversibilidade e o conceito de Infinito. São os extremos, dum lado a mais elementar certeza dos Homens, que é a morte, o finito, e do outro a eternidade sem começo nem fim.
Cada vez que penso - ok, estou em Lisboa, Portugal na Terra, no Sistema Solar num braço da galáxia Andrómeda chamado Via Láctea, depois há outras galáxias... e a seguir? Nunca mais acaba? E se acaba, qual é o limite? É de uma angústia acutilante, sinto as pernas a fraquejar, o olhar fixo no vazio a tentar conceber o Infinito...
A morte, irreversível, certa, é só uma questão de tempo... Não posso deixar de pensar nela, quando uma mulher morreu atropelada na rua onde passo diariamente, quando fui operado, quando fico doente... Que posso eu dizer? Sou um existencialista, interrogo a minha existência, não a percebo senão como um acontecimento fortuito, sucessões de acontecimentos aleatórios desde o quê, Big Bang?, da origem da vida? até à minha morte. Teve que ocorrer o Big Bang, depois a vida, seres multicelulares, uma tal quantidade de bichos meus percursores a crescer sobreviver e reproduzir-se, evoluir... Visto assim a minha existência é impossível! Bom, virtualmente impossível, dado que se foram necessários triliões, diria mais, infinitos acontecimentos independentes para eu existir, então a probabilidade de apenas um deles não acontecer é certa, portanto, 1! Eu não existo!
Agressividade
Não resumirei o livro, apenas parto deste parágrafo para ilustrar algo para mim incompreensível durante algum tempo, mas que agora admito ter a solução.
Compreendo a preocupação das pessoas pelos animais, a sua dedicação e capacidade de se mobilizarem perante uma causa comum, as peles, as touradas, as baleias caçadas para fins "científicos", as focas mortas à paulada... Ao mesmo tempo morrem talvez em igual ou superior número Homens à fome, sede, guerras, genocídios...
Vendo as notícias, os amigos dos animais comem e calam as notícias da tragédia humana mas rebentam de fúria para reagir às más novas referentes a animais... Não parece Humano.
Será da agressividade? Entre pares a luta é certa e natural, pela luta por poder ou recursos os Homens matar-se-ão uns aos outros. Mas Homens a maltratar animais, não é natural e por isso mais repugnante para alguns do que imagens de homens mutilados por guerras.
Marujo Português
Artur Ribeiro
Acordar com o Sol, vestir os calções de banho, ainda húmidos dos banhos do dia anterior, no caminho para a ria fumar o primeiro cigarro do dia, o fumo e a húmidade com cheiro a terra molhada marcam-me memórias infinitas: recordo estes dias a cada inalação destas. Formosa, a ria, espera-me espelhada, sem ponta de brisa. O barco, apoitado no meio da água, aproa a este: a maré desce. Nado até ao barco fora de pé, agarro a alheta, como que convidando, o barco adorna-se para eu subir a bordo. Limpar o convés, ligar os instrumentos, mergulhar o motor, tentar ligá-lo e outra vez... Faltava fechar o ar. Ligo-o, em ponto morto, subo à proa para desatar o lais de guia que nos prende à poita. Marcha avante no primeiro zarpar do dia, sempre, para cumprir a superstição passada por quem me ensinou a velejar.
Zarpamos!
Que indescritível sensação! Quanta vontade de dar novos mundos ao mundo, dobrar cabos, passar ainda além da Taprobana!!! Na verdade apenas atravesso a ria formosa de barco a motor, mas sempre que zarpo, mesmo que seja da Ria Formosa ou do cais de Vila Franca de Xira, sinto ainda e sempre esse arrepio no peito, essa vontade de gritar ao mais ínfimo calhau que me altera o rumo: MANDA A VONTADE QUE ME ATA AO LEME!
Rasgo o mar rumo ao desconhecido, piso a proa de cara ao vento e mão no peito, inspiro a maresia, qualquer passeio é uma travessia!
Porque escrevo?
Não depletando o conteúdo, admiro sobretudo o forma de Graça Moura, não será então pela escrita porque escrevo, será pelo que digo?
Relatórios científicos poderão ser excitantes na sua leitura usando apenas linguagem técnica, se aquilo que disserem for aliciante a linguagem pode ser simples. Será a minha mensagem tentadora? Não poderei ser tão hilariante como Markl ou Araújo Pereira, tão faccioso como Nuno Delgado, tão resmungão como Pulido Valente, tão perspicaz como Ferreira Fernandes ou prolífero como Pacheco Pereira...
Certo, não serei nada disto, a minha escrita não encantará o mundo, nem trarei a mensagem nunca lida, mas escrevo para mim como partilha de vidas, acontecimentos, encantamentos e desagrados e principalmente como registo "publicado" daquilo que me acontece. Quem não quiser, não leia.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Lisboa... Viva?
Se tem um cartão Lisboa Viva carregado com um passe, não pode carregar viagens avulsas de nenhum outro transporte.
Se o cartão Lisboa Viva não estiver carregado com nenhum passe, ainda assim não pode ser carregado com viagens avulsas.
Se tem um dos cartões Viva Viagem ou 7 Colinas carregado com uma viagem avulsa de qualquer transporte público não pode carregá-lo com viagens de outro.
Se tem um dos cartões Viva Viagem ou 7 Colinas com o serviço de "zapping" activo terá de comprar outro cartão se quiser viajar noutro transporte.
Se tem um dos cartões acima referidos estime-o muitíssimo bem, por ser de papel estraga-se facilmente e não será reembolsado, quer pelo dinheiro nele gasto quer pelo dinheiro nele inserido.
Se tiver carregado um dos ditos cartões com uma viagem, saiba que validar o cartão no leitor próprio para esse efeito não é suficiente para evitar uma multa: tem que manter consigo o talão que comprova o pagamento da viagem.
Se reclamar no livro de reclamações sobre as inconveniências destes cartões, a Metro de Lisboa responder-lhe-á que os cartões são muito vantajosos.
Confuso?
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Vindimando
Foi o primeiro ano, e tendo isso em consideração não posso dizer que tenha corrido mal. Estas primeiras vindimas viriam a marcar-me para toda a vida: com a tesoura da poda abri a cabeça do dedo o suficiente para deixar uma valente cicatriz. Foi bastante duro, pegar às sete da manhã com frio, colher os cachos e escolher as uvas, recusar as passas e as podres, percorrer todas as horas de maior calor, excepto a da uma às duas reservada ao almoço, e acabar ao ritmo do sol lá para as sete da tarde. Foram três dias a dormir cinco horas por dia e a trabalhar de sol a sol, pelo meio ainda sobraram picadas de pulgas, um escaldão enorme nos braços e cachaço e algumas ameaças concretizadas das vespas...
Que nem o Alberto Caeiro, tornámos-nos todos em trabalhadores do campo, ignorámos as notícias, não lemos o jornal nem romances, não pegamos nos livros da escola nem nos divertimos nas descontraídas saídas à noite, os nossos prazeres foram comer, dormir, mijar e cagar e por vezes alguma picardia jocosa no decorrer do trabalho... Como é possível ter um vida cheia assim tão simplesmente? O prazer de trabalhar está no trabalho. Se este for bem feito, com brio e aprumo, físico, será tão recompensador e cansativo que nos deitaremos felizes...Porque não temos tempo para pensar. Não precisamos de saber das tragédias do mundo nem dos bens materiais que nos cobiçam, e dizia o poeta: "não sei o que penso/ Nem procuro sabê-lo."
Os caseiros da vinha são um casal de Ucranianos, Slava e Svieta. Vemos o trabalho de maneira diferente, isso é certo, porque é que nos países ex-URSS vão para o trabalho a sorrir e nós, os latinos, vimos a sorrir do trabalho? Há uma teoria da qual partilho, que aponta o dedo à religião e não só. Nós temos uma cultura cristã, na qual o trabalho é um sacrifício, comeremos o pão com o suor do nosso rosto, dizemos: "Porra! Esta semana vou ter que trabalhar setenta horas! Não tenho sorte nenhuma!". Já os Ucranianos têm uma cultura ortodoxa e ainda a herança comunista: o principal é ter trabalho, o que se faz e quanto se ganha é secundário, mas não ter trabalho é uma vergonha perante a sociedade. Para além disso a ditadura comunista exigia rigor, não é permitido falhar, qualquer falha será encarada como uma traição à pátria que espera do operário apenas o melhor de si. Na religião cristã as falhas podem SEMPRE ser redimidas, o arrependimento abrirá sempre as portas do céu.
As conversas da vindima eram poucas... Medíamos a qualidade do nosso trabalho, olhando para os Ucranianos - onde é que eles estão? Ah! Estão ali, então nós estamos a trabalhar bem! - Outro miúdo dizia - Quando for pai, se algum dia um filho meu chumbar, vem trabalhar para as vindimas p'ra ver o que é bom! - Um dos contratados gracejava para a pouco afortunada mulher picada por uma vespa - Mais vale uma mão inchada, que uma enxada na mão!
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Monde Diplomatique
Eu acho fofo esta preocupação com os animais de estimação, como é bonito ver que na Suíça os hamsters e piriquitos podem viver sempre acompanhados e os porcos podem livrar-se desse estigma: serem porcos, sujos! Quanto aos hamsters e piriquitos eu acho que aprovaram a lei para que ninguém, ou muito pouca gente, quisesse ter os ditos bichos em casa, porque se um deles morre, lá temos de correr até à loja de animais comprar outro animal para acompanhar o viúvo, e outro a seguir à morte deste, e assim eternamente, sob pena de incorrermos nalguma contra-ordenação e pagarmos uma pesada multa! E nisso os Suíços não perdoam.
Mas dizia eu, na Suíça podemos ser o maior filho da puta à face da terra, falo de nazis, barões da droga, corruptos de toda a espécie, mas ainda assim eles aceitam guardar o nosso dinheiro, sem fazer perguntas...
O mundo pode entrar em guerra, mas para sempre a Suíça manter-se-á neutral...
Todos os cidadãos homens são militares na reserva, mas a única coisa que fazem é a guarda do Papa, e diga-se, com uma farda bonita!
No entanto, é um país inevitável, é como aquele gajo que odiamos da nossa família, o tio afastado, bem sucedido, snob, veste-se mal, é grunho mas trabalha que nem um relógio suíço e como é de família temos de o gramar. Não podemos ficar sem a indústria farmacêutica e biotecnologia, nem engenharia de precisão como a relojoaria, agora digam lá a alguém no parlamento europeu para exigir à Suíça que deixe de acolher dinheiro sujo...
terça-feira, 2 de setembro de 2008
O nome do Furacão
Entretanto, passámos a estudar melhor os fenómenos meteorológicos e percebemos que os furacões eram antes tempestades tropicais e ainda antes apenas depressões tropicais, e passou-se a baptizar as tempestades, que manteriam o nome se chegassem a furacão. Em mil novecentos e cinquenta e três, por regras internacionais, e para descartar uma nomenclatura confusa dos americanos, passou a atribuir-se nomes femininos por ordem alfabética às tempestades que surgissem no atlântico. Durante uns anos valentes a desgraça vinha sempre no feminino, anna carol edna diane. No país onde nasceu o feminismo isto estava condenado a ser alterado, e em setentas o baptismo seria alternadamente com nomes masculinos e femininos. Pouca sorte tiveram as feministas porque nos anos seguintes os furacões mais destrutivos foram os femininos. Quando são particularmente destrutivos, os nomes dos respectivos furacões são banidos, não vá o traumatizado caribense pensar que o mesmo furacão voltou para acabar o que que tinha começado, tenho a certeza de que se os americanos soubessem que se estava a formar uma depressão tropical chamada Katrina, punham-se logo a fazer as malas...
O Gustav já se acabou, a Hanna já vem a caminho, depois é a vez do Ike, que se der tanta porrada aos caribenses como deu à Tina Turner, não se adivinha nada fácil!
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Engº Manel Miguel
A minha família, à geração dele, tinha algumas terras e outras alugadas onde se dedicavam à agro-pecuária. Com uma boa relação com os empregados e o resto da população de Benavente, foi também graças ao Engº Manel Miguel que o Verão Quente de setenta e cinco passou fresco em Benavente, ao contrário do que aconeceu, por exemplo, com o caso documentado do Duque de Lafões na sua Herdade da Torre Bela.
O meu tio Miguel tinha um hábito tido por muitos de nós, Souza Dias, que era o de lêr o jornal de manhã no café ao pequeno almoço. No café do costume era esperado todos os dias o Sr. Engº, mas não para dar conselhos de agricultura... No café havia um caõzinho, e o meu tio pedia um queque para comer enquanto lia o jornal. Lia uma página, mordiscava o queque e pendurava o braço que o segurava, o cão, já habituado àquela rotina, vinha rastejando e mordiscava também ele o queque, mas só um pedacinho! O meu tio não dava por nada, absorto nas notícias matutinas, lia mais uma página e dava mais uma dentadinha no bolo, e o sacana do cão, esperava que ele pendurasse o braço e novamente fazia o gosto ao dente! Era por isto que o meu tio era esperado no café! Como se divertiam as pessoas por ver o engenheiro partilhar um queque com o cão todos os dias!
Benaventices (III) cont.
O Lenine, agarrado, já disse uma senhora que seria capaz de o reconhecer, mesmo à distância, pela sua maneira de andar: com o corpo inclinado um pouco para a frente, andar ligeiramente saltitante e os braços balançando paralelamente ora para a esquerda, ora para a direita! É tonto, porque a heroína não faz nada bem, e para acrescentar, como qualquer heroinómano, tem os dentes todos podres.
O Pedreneira, não é propriamente tonto, ele que me perdoe, simplesmente pedala a biciclete com os calcanhares, coisa que nunca vi outra pessoa fazer!
O João Samoca, also known as Barba Azul, arquiinimigo do João Raso, talvez por padecerem do mesmo mal.
O auto-intitulado Presidente do Sindicato dos Bêbedos (até mandou fazer um cartão, que mostra sempre que se apresenta, para atestar o seu cargo), tem a mania de surgir de mansinho por trás das pessoas, beliscar-lhes a perna e emitir um latido.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Benaventices (III)
Em benavente não há um tontinho, há vários, e esta descrição dos tontos de benavente, que farei em seguida, poderá ser chamada de benaventice, embora toda a terra tenha o seu tonto, porque estes tontos são específicos desta terra, quais espécies endémicas de uma dada região.
São tantos que os enunciarei à medida que forem surgindo na minha memória. Porventura o mais conhecido, o João Raso, cabelo branco aos caracóis, dentes muito tortos, e uns óculos bastante grossos, a sua tontice resulta de um qualquer atraso. Faz recados, e adora circo, ao ponto de certa vez, enquanto o circo Cardinalli passava por benavente, se ter apresentado como representante da câmara municipal e pediu que o circo ficasse mais uma noite, e o circo ficou!
O Lapin (coelho em francês) desconheço a origem do nome, hoje passeia-se pela avenida de roma, em lisboa, ora em direcção ao Júlio de Matos, ora na direcção contrária. Foi à guerra veio maluco, mandava piropos às mulheres, quando não conseguia jogar-lhes a mão.
O Lacrau, a sua tara era coxear apenas quando atravessava a passadeira...
O Luís Badeu, bisneto do primeiro Badéu tonto, assim ficou quando gaseado com gás mostarda na Primeira Guerra. Andou comigo na escola, para desespero da professora que recorria às cavacas da lenha para tentar impor-se ao Badéu.
A família setenta, primos dos Badéus logo a loucura é semelhante, o setenta mais velho perdeu para uma bomba raposa os três dedos do meio duma mão, ficaria famoso em benavente pela frase - São quatro imperiais e um panaché - enquanto gesticulava um "hang loose".
O Miguelito, foi comando na guerra colonial.
O Branquinho era esquizofrénico, era um intelectual auto-didata, também bebia absinto.
O Tonho-Caco, também é fruto da guerra, com uma grande barba tem um certo aprumo no vestir, usa colete debaixo do casaco, e por vezes lenço ao pescoço, sendo a roupa oferecida, não é de estranhar uns jeans femeninos à boca de sino com umas flores lexiviadas nas pernas! Pede cigarros a todo o mundo que depois guarda na orelha para fumar à noite.
Há muitos mais! Na minha família mais alguns! Mas o texto já vai longo, fica para outro post!
Tenham medo!
Mesmo com este alarme dos media, a polícia tenta sossegar-nos. Faz incursões nos bairros sociais na periferia da capital e para que não restem dúvidas quanto ao seu poder e eficácia, leva consigo os alarmados jornalistas. Estes indagam os populares num directo para a televisão, e comentam as ciganas: - até trouxeram os aviões! - enquanto apontam para o helicóptero.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Votação
domingo, 17 de agosto de 2008
Santa Engrácia meet Santa Burocracia
Nos santos populares de Lisboa costumo ir fazer o passeio Sapadores até Santa Apolónia, furando pela multidão, bebendo e bailando por esta colina de Lisboa abaixo, tem corrido bem, se tivermos em conta que afinal se trata de uma noite de santos populares, e que acabar a noite na esquadra da polícia ou na esplanada da Graça é igualmente provável!
Este ano convidaram-me para ir para a frequesia da namorada do meu amigo Nuno (nome fictício), Santa Engrácia, e eu fui. Cheguei já um pouco tarde, às duas da manhã, porque fui ver as Marchas Populares à avenida da liberdade, só essa ida merece um post próprio. O sítio, cujo nome agora não me lembro, era um ringue da bola no átrio de uns prédios, entrava-se por uma porta que bem podia ser a duma casa qualquer, não fosse o facto de a seguir a um corredor dar até ao dito ringue. "Vou beber uma mini!" disse ao pessoal e fui até ao balcão, havia bicha, depois de esperar pedi uma cerveja e a mulher diz-me - tem que ir àquela barraquinha trocar o dinheiro por senhas! - serpenteio até a barraca, está lá um velho, já bêbedo, sozinho, a trocar dinheiro para um ringue repleto de gente, tinha fila. Fico na fila, chega a minha vez. Havia senhas, com o aspecto de selos, de cinquenta cêntimos, um e dois euros. A imperial era um euro, portanto comprei um euro de santa engrácia a um euro, sorte a minha que não havia taxa de câmbio. Possuidor de dinheiro dos nativos, voltei para o outro lado para ir buscar a imperial, não sem mais um compasso de espera. Digo - é uma cerveja! - a moça responde - já não há! E também não há de barril! Só temos sangria a copo! - respondo - Pode ser... - ela - É um euro e meio... - Só tenho um euro no vosso dinheiro! Porra#&*@! Fui ao outro bar, outra fila, não há cerveja... Que diabo! Estou farto disto!
Há um café à entrada, ainda tem cerveja!!! Corro até lá, peço a tão desejada mini, apresento a senha, vejo, parece que em câmara lenta, a mini na minha mão a ser elevada, quase que toca os meus lábios, e diz o gajo - a gente aqui só aceita dinheiro... e a mini é noventa cêntimos. NÃO!!! Peço ao gajo para me guardar a mini, volto à barraca do câmbio, adivinhem, tem fila, reavejo o meu euro (é verdade, era o meu único, o multibanco estava limpinho...) e volto para finalmente beber uma puta duma mini. Não há direito, pá! O que mais me chateia é que bem vistas as coisas estes burocratas dos comes e bebes são capazes de mandar-vir com o governo por causa da burocracia, mas eu, para beber uma cerveja nos santos, divirto-me tanto como numa manhã passada, digamos, numa repartição de finanças... A ver se o simplex passa lá em Santa Engrácia, se não, não meto lá os pés!
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Somos cordeiros
Lembro-me de alguns anúncios proibidos, um mais antigo, precisamente anunciado nos cinemas, embora não em portugal mas nos Estados Unidos, aumentava-se o ar condicionado e nas imagens iniciais aparentemente inócuas passadas a trinta e dois fotogramas por minuto, eram introduzidos fotogramas com a imagem da Coca-cola. Nós processamos as imagens a cerca de vinte e quatro fotogramas por minuto, por isso, e apesar de não vermos a imagem propriamente dita, ficava a vontade de beber Coca-cola, e, quem havia de dizer, não é que vendiam Cocal-cola à porta do cinema!!!
Hoje fui ao cinema ver o Wall-e, ao entrar na sala senti de imediato um cheiro floral muito intenso, pensei: alguém exagerou no perfume... Fiquei a acabar de ler o jornal enquanto as luzes não se apagavam, até que tal aconteceu. Fechei o jornal e passei os olhos para o ecran receptivo aos já esperados anúncios, e foi aí, estranhamente, que surgiu a explicação para aquele cheiro: A marca Dove borrifou a sala com o aroma da sua nova gama de sabonetes. Que raio! Já não estamos livres em lado algum! Um anúncio na televisão, mudo de canal; na rádio, igual; um outdoor, não ligo; um flyer dado à porta do metro, mando para o lixo; então e um aroma no cinema?! Faço apneia durante todo o filme? Respiro pela boca? Será que perdi o direito de não ver publicidade? Será que alguma vez o tive?
Quando eu era pequenino
"Granda pinta!" - pensei eu! nunca tinha visto aquilo! Era uma loucura! A segunda coisa que pensei foi: "Eu consigo fazer isto!"
Com os meu irmãos fomos tratar de montar um slide, na minha casa antiga havia o tal pombal que falei no outro post e em frente havia um canil com umas seis boxes nas quais havíamos criado vários fox terrier's. Estava escolhido o sítio! Partiríamos do topo do pombal e vínhamos a descer até ao canil, qualquer coisa como sete metros de distância. Faltava o cabo, havia o cabo de âncora do primeiro barquito do meu pai, servia, apesar de ter alguns nós-cegos, isso não me pareceu um problema na altura...
Lá trouxe o cabo, fiz-lhe um laço e tentei, como um cowboy, laçar o pináculo no topo do telhado do pombal, não foi difícil! A seguir, amarrei a outra ponta do cabo ao canil tendo antes feito passar um troço de um cano pelo cabo, o cano serviria para eu me agarrar e deslisar até ao canil! Primeira tentativa: procurei a escada, subi ao pombal, que a meio da altura tinha um rebordo que parecia feito de propósito para eu me apoiar, pedi ao meu irmão do meio para com uma cana fazer subir o cano até lá cima, agarrei-o, e deixei-me ir! Era fantástico, tudo corria bem até que a meio do cabo, o cano ao qual eu me tinha pendurado passando o meu braço por cima, ficou preso num dos nós-cegos mas eu continuei a deslisar até ao canil... Rasguei a T-shirt e esfolei o sovaco, passei o resto da tarde com o braço direito alçado... Mas havia mais pilotos de testes! Depois de, diligenciosamente, ter desatado todos os nós, tirámos o cano (que nos pareceu perigoso) e pusemos a fateixa do barco. Desta vez iria o Zé! Subiu ao pombal, agarrou-se com as mãos e desceu continuamente até ao canil, onde eu e o meu irmão mais novo o esperávamos animados! Só até olharmos melhor para ele e vermos uma das pontas da fateixa espetada no queixo dele!!! Credo! Lá fomos a casa desinfectar a ferida que parecia pior do que realmente era!
Acabaram as tentativas de fazer slide quando a minha mãe chegou a casa, mas essa tarde foi inesquecível!
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Benaventices (II)
Em tempos idos era costume ir à caça, mais do que hoje, hoje somos mais conscientes mais informados e repugna-nos matar bichos que não servem para comer, a nós, a maior parte dos Homens. Quem lêr o "Tintim no Congo" verá que este matou chimpazés e dezenas de gazelas, hoje impensável, moral e eticamente condenável aos olhos de qualquer europeu.
Mas ia dizendo, a caça fazia parte do dia-a-dia da população rural, qualquer homem e algumas mulheres de famílias mais ricas caçavam. Pelo menos iam à caça, trazer para casa peças de caça é outra história, daí que alguns caçadores aldrabem o proveito das suas caçadas! Diz o povo, em cada caçador um mentiroso, e talvez o diga bem!
Avante com a nossa história, ou melhor, adiante, para evitar equívocos, antigamente em tempos que já lá vão, limpavam-se os resíduos de pólvora acumulados nos canos de uma espingarda usando um pauzinho de marmeleiro como escovilhão, assim e com um pouco de óleo se mantinha uma espingarda em boas condições. Certo dia na charneca, em mais uma caçada, conversam dois caçadores. Diz o primeiro que um dia estaria a exercer essa boa prática de bem manter uma espingarda, quando passa um coelho mesmo à sua frente! A excitação foi tal, que o pobre homem chegou a espingarda ao ombro e disparou sem antes sequer ter tirado o pau de marmeleiro do cano, tendo este sido projectado, qual flecha! O coelho apesar de atingido pelo escovilhão de marmeleiro, sobreviveu e fugiu! A resposta do segundo caçador veio em seguida: "Ora porra! Então não é que ainda no outro dia vi passar um coelho com um marmeleiro às costas carregadinho de marmelos!"
L'amaro fare niente
amaro quer dizer amargo
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Já não sou Bad Ass
Íamos para o Sobre Margem, o e não um bar da terra, o que é que se pedia? Um suminho? um Ginjer Ale? claro que não!!! Começávamos a noite com um T.G.V. (tequilha, gin e vodka) seguiam-se os shots: B-52's, Pastéis de Nata, Moranguitos, Dragon Ball's e acabava-se a noite com um Absinto e às vezes um Hamburger! Eu era um Bad Ass! Fumava como um cavalo, experimentava tudo: fumar antes de me levantar da cama - g'anda broa! Pequeno almoço é para meninos, eu era café e cigarros até à hora de almoço! Eu era um Bad Ass! Sair até de manhã, ir para Lisboa ver concertos e depois ir para o Bairro, voltar no dia a seguir a tempo de ir para as aulas às oito da manhã, avisaria os meus meus à hora de almoço! Eu era um Bad Ass! Outras coisas, de tal modo escabrosas, e passíveis de denunciar crimes públicos, guardarei para mim, mas ainda assim, Eu era um Bad Ass!
Não estou a ficar velho, pelo menos não mais do que na altura, mas acrescem responsabilidades ou talvez as eventuais consequências se tornem mais claras...
Shots não, dá ressacas horríveis... Um maço e meio numa noite é caro e no dia a seguir sinto que preciso de ser entubado... deixei de fumar. Ir para a faculdade às oito, ou é para estudar ou nem vale a pena lá ir...
Já não sou Bad Ass...
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Amar para proteger
Longuíssimos eram os verões em Benavente, apesar da piscina, o tédio instalava-se rapidamente lá em casa. Mesmo com os meus irmãos, havia a necessidade de matar aquele tédio horrível. Numa tarde, fui na biciclete do meu irmão, uma roda vinte polgadas, à espingardaria Safari do sr. Couto que fica por baixo da casa do meu primo (lá está aquilo de que falava no último post) e comprei uma bela fisga! Aquelas que fazia com borrachas de câmaras de ar e paus de marmeleiro em forma de Y já não me apraziam. Com este novo brinquedo, as tardes quentes de verão ganhavam de repente uma nova frescura: íamos para a entrada de saibro catar as pedras que nos parecessem melhores projécteis e depois dispararíamos sobre os inicialmente ingénuos pombos, que permitiam nos aproximassemos de tal modo que o tiro era sempre certeiro. Mas depressa aprenderiam, pela lei de Pavlov, que miúdos pequenos significava pedrada no bico, de modo que passaram a quedar-se um pouco mais longe e mais e mais. Os pombos, eram, claro está, comidos por nós! A Dalinda, nossa empregada e excelente cozinheira, depenava-os, arranjava-os para depois os comermos grelhados ou estufados com bacon e cravinho. Depressa os pombos se tornariam de tal modo esquivos que ao pousarem a tal distância, nenhuma fisga teria força suficiente para projectar um calhau tão longe. Felizmente para mim e infelizmente para os restantes pombos no verão seguinte viria a comprar uma magnífica pressão-de-ar Gamo, levíssima, no El Corte Inglés de Huelva. Este novo brinquedo brindou-me com uma regular provisão de pombos durante mais algum tempo, quando não andava a caçar pombos matava pardais ou simplesmente disparava sobre alvos de metal ou papel. Mais uma vez Pavlov veio ditar que os pombos fugissem após ouvir o primeiro disparo, ainda que surdo, da pressão-de-ar. Rapidamente encontrei outra solução: uma besta. Sem me aperceber da perigosidade daquela arma, lá fui, de emboscada, caçar pombos nas traseiras lá de casa. Deitado com a besta apoiada no meu cotovelo esquerdo disparei a minha única seta contra o mais gordo dos dois pombos pousados no telhado. Aquele contra o qual disparei levantou vôo, e o outro seguiu-se-lhe. Pensei: a seta foi parar sabe-se lá onde, e o pombo fugiu. Voltei para casa desiludido para encontrar junto à porta de casa o pombo a esbater as asas contra o chão com a seta a trespassar-lhe o tronco!
Não voltei a disparar sobre animais a seguir a ter causado um tal sofrimento a uma osga: Noutra dessas tardes enquanto estava emboscado, vi passar ao longe numa parede caiada uma osga, bicho pelo qual tenho uma grande estima, e disse para mim, sem achar que isso fosse possível - daqui desta distância vou espetar um chumbo na cabeça da osga e vou acertar - e acertei...
Esta história ilustra uma certeza que tenho, as infâncias eventualmente crueis para com os animais, o matar pássaros, pescar, fazer caça submarina, apanhar sapos, rebentar bombinhas nos formigueiros, traduzem-se em adultos com uma preocupação e respeito pelo ambiente mais apurados.
"For in the end, we will conserve only what we love. We will love only what we understand. We will understand only what we are taught."
Baba Dioum
domingo, 3 de agosto de 2008
Benaventices
Mas dizia eu, este título será um espaço onde tentarei expor as ternurentas histórias de Benavente e arredores, reais e inventadas como se fosse o meu AMARCORD escrito em blogue.
Nesta primeira edição vou contar-vos a história real do Homem que matou Um Cavalo com um Grito!
No não longínquo século passado, o homem que vendia gelados nas noites quentes de verão era conhecido pela marca dos gelados: "Esquimó Fresquinho". O Esquimó F´esquinho apregoava os gelados mandando um fenomenal berro: Esquimmmmmmmmóóóóóóóóóóóóóó F´esquinho! com uma grande acentuação na mó e um F´esquinho quase mudo. Ora num dia de verão, quente como sempre, nada faria supor que viesse a acontecer algo de extraordinário. Saiu o Esquimó F´esquinho à rua pra vender os gelados e ao dobrar uma esquina manda o seu inconfundível berro. Mas a seguir à esqina dobrada estava um pobre cavalo preso a um poste que se assustou com o berro e pregou um valente cabeçadão no dito poste, tendo caído seco no chão! Assim ficou conhecido o já alcunhado Esquimó F´esquinho, como O Homem que Matou um Cavalo com um Grito.
post scriptum: Outra benaventice, é o facto de as alcunhas serem herdadas de pai para filho, ainda hoje vive a família Esquimó F´esquinho!
sábado, 2 de agosto de 2008
Marineide
A realidade é um pouco diferente, sendo Portugal agora um país de acolhimento já todos contactámos com cidadãos brasileiros e alguns de nós talvez tenhamos a casa limpa ou a roupa passada por estes imigrantes, já que em geral, estes têm empregos que nós não queremos... Na verdade, o meu pai contratou recentemente uma brasileira e adivinhem o nome dela! Não vale a pena porque não conseguem, ela chama-se Giselaine!!! De repente, cada vez que vou a casa dos meus pais parece que entro no palco do "Sai de Baixo" ouço sempre o sotaque carioca "Seu Francisco isso, Seu Francisco aquilo..." até fico à espera que entre em cena o grande Cavalcante na pele de Ribamar Telo.
Ora no outro dia fui à terra e levei o meu cão, o meu Cão de Fila de São Miguel, o Ratzinger, e deixei-o no terraço juntamente com os cães dos meus pais, a Fajã e a Japona. Acontece que a Giselaine, que o meu agressivo Fila desconhece, veio trabalhar ás duas da tarde e encontrou o cão desconhecido que quase a mordeu! Então eu disse-lhe: "Olhe, a Fajã está saída e também o cão não a conhece a si, portanto o melhor é eu levar o cão para a varanda de cima para você poder limpar isto aqui em baixo" e assim evitava o risco do cão montar a cadela, ela perguntou o que era isso de saída e depois de eu lhe "traduzir" ela perguntou: "Oh Seu Francisco, mais o sior não qué cubri a cadela?"
Esta é a mundialmente conhecida frescura dos brasileiros! Ainda nem um mês no emprego e já está a perguntar ao patrão se não quer cubrir a cadela!!
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
A falta de um acessor
Enquanto não houve um candidato a primeiro-ministro credível no PSD, as relações PM/PR foram um mar de rosas (literalmente!), mas agora o nosso Presidente quis cortar com o passado e avisou o Sócrates: "A partir de agora, estás por tua conta!"
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Ute Lemper
É como queijo numa ratoeira
Luís Pedro Fonseca
Ute Lemper é uma grande actriz/cantora que deu notoriedade aos temas de Cats, Life is a cabaret, Chicago ou All that Jazz, deu um grande concerto juntamente com a Orquestra do Algarve no último sábado em Tavira oferecido pela Câmara Municipal. Um concerto destes à borla, sentadinho numa cadeira chega e sobra para encher a minha alma e preencher a minha noite, mas o autarca experiente, sabe que o seu munícipe ficará com um sentimento de poucochinho apenas com um concerto de Ute Lemper, e portanto findo o concerto logo se iniciaram as salvas de morteiros, foguetes e bichas-de-rabiar acompanhadas, claro, pelo som da estupenda Orquestra. E se a ovação tinha sido grande quando acabou o concerto, quando acabou o fogo de artifício, aí sim se pode observar o verdadeiro júbilo do povo! É que o Macário Correia sabe bem como isto funciona: "tragam lá a senhora Ute, mas metam um fogosinho no fim para agradar ao povinho!"
Patos
Mas os patos voltaram a protagonizar a minha semana, não os bravos mas um aparentado ao Duffy Duck, o Batman. Pode parecer confuso mas eu explico, fui ver o "Dark Knight" - fraquinho - e tinha visto o anterior filme, com o mesmo actor, sem som... então não é, que o Batman é belfo! Epá, não havia no mundo, um actor para o papel de super-herói que não parecesse o Duffy Duck a falar?! Como é um Batman belfo é o recordista absoluto em receitas de bilheteira no primeiro fim de semana?
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Bichos do mato
jarros e perpétuos amores
que fiquem perto da esplanada de um bar
com os pássaros estúpidos a esvoaçar
adoro as pulgas dos cães
todos os bichos do mato
o riso das crianças dos outros
cágados de pernas para o ar
Rui Reininho
Efectivamente vou de férias, por isso este blogue vai ser deixado ao abandono durante dez dias. Agora interrogam-se os meus caríssimos, queridos e fofinhos leitores: mas porque raio é que este otário não leva o portátil, já que ele é isso mesmo, portátil? Quem é que vai animar as minhas tarde se ele não escrever nada? (é verdade! eu animo alguma gente!)
Eu respondo, é que eu vou para o Parque Hotel de Cabanas de Tavira, ênfase dada à palavra "Parque", vou acampar vá... Convenhamos que deixar o portátil no quarto, vulgo tenda, é pouco seguro e este nem sequer é meu, assim, lamento mas não vou escrever nada nestes dias.
Por falar em acampar, é uma coisa que eu adoro, o contacto com a natureza, as formigas, os mosquitos, os colchões insuflaveis que rebentam, o calhau que fica sempre debaixo das minhas costas, (eu ás vezes já nem durmo bem se, quando monto a tenda, salve seja, não encontro lá o calhau, e tenho que por lá um para dormir melhor), os quarenta graus centígrados às seis da manhã dentro da tenda, as merdas todas a colarem-se à pele dum gajo... mas nem tudo é mau, este Verão vou ter direito a um barquito (barquito este que já me deu água pela barba, literalmente! Uma estória para outro post) e vou poder também fazer caça submarina!
Aquele abraço, até daqui a dez dias
terça-feira, 15 de julho de 2008
Bentley
Há um preceito, um ritual, o afiar as facas e gostar delas, a organização da bancada, cozinhar é sem dúvida a minha cerimónia do chá. Quando há uma tal devoção, e também já um grande orgulho nos pratos, quero uma opinião crítica que, porém, é muito raro receber, infelizmente.
Agora, vou fazer um pedido ao Chef que visite este blogue. Vou explicar:
Um amigo meu, o Daniel (nome fictício), teima em pôr pimenta em tudo o que vem para a mesa antes sequer de provar... Isto irrita-me bastante porque sinto que está a violentar, por assim dizer, um filho meu. A pergunta aos chefes é esta, incomoda-vos que os clientes alterem os vossos pratos pondo pimenta, manteiga, sal... etc. Quanto ao pedir para passar mais um bife, nem vos pergunto nada porque tenho a minha resposta: NÃO!
Pois é, é verdade, tenho orgulho nos meus pratos ao ponto de achar que pôr pimenta num prato meu é como fazer tunning num Bentley, qual é o anormal que vai kitar o Bentley com saiotes, néon, e luzinhas azuis nos mija-mija?
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Fugas
Poria as minhas mãos no fogo caso não se revelasse verdadeira a relação entre o uso de drogas e a noção da nossa existência. A partir do momento em que o homem se viu preso a uma realidade que já entendia como sua e que à qual não podia fugir corporeamente, passou nesse mesmo instante a procurar fugas a essa mesma realidade. Não podendo indicar uma era, assumo que desde que o Homem é Homem que recorre a fugas à realidade, (sem me considerar um autor) muitos autores actuais e ancestrais referiram a importâmcia de tais fugas para a manutenção da salubridade da mente humana, é que ter a noção da realidade não é de todo saudável. Como nos mostrou Fernando Pessoa através de Alberto Caeiro ou Jorge Palma com "aquele ali vai prós copos / tratar das suas fugas".
E daqui salto para as fugas propriamente ditas, despois de ter estabelecido que estas são condição sine qua non para a saúde mental do Homem, digo-vos sem nenhuma dúvida, que todas as pessoas mentalmente saudáveis recorrem a fugas, fugas estas que podem ser tão saudáveis como dançar, ler, foder, dormir, correr, jogar... etc, ou tão danosas como jogar, beber, snifar, injectar e por aí fora.
Usar as fugas como cartas de "ESTÁ LIVRE DA PRISÃO" da realidade é óptimo e mesmo as danosas usadas esporadicamente, creio serem mais benéficas que maléficas, o problema é que sendo fugas à realidade, são-no porque remetem-nos para uma realidade ficcional muito prazeirosa e que nos é díficil abandonar e portanto podem levar-nos a uma perigosa obsessão.
Quanto a mim, a minha droga é o alcool. Nada, para mim cumpre melhor a sua função de abstracção da realidade do que o alcool, e se gosto do alcool pela fuga à realidade durante a intoxicação, gosto talvez ainda mais da ressaca que se me apresenta como uma percepção real mas mais cristalina da realidade, (dores de barriga e de cabeça não são raras).
João Magueijo, físico, confessou ter formulado a sua teoria contrária à da relatividade de Einstein numa tarde de ressaca. Sem me querer comparar com o mundialmente conhecido e respeitado físico, posso revelar-vos uma questão que há tanto me incomodava literalmente iluminada num dia de ressaca: quando olham para o céu de óculos escuros encontrarão dois pontos de reflexo, esses, são o reflexo do sol nos vossos olhos projectado nas lentes!
Um modo de amar a dois
Um modo de amar a dois!"
Não é a paixão que alimenta relações duradouras, a paixão apenas dá o combustível para manter a relação enquanto os dois se conhecem e toleram carinhosamente atitudes que repugnam. Quando a paixão acaba, ou acaba a relação ou se começa a trabalhar para a consolidação, sim porque manter uma relação/ralação dá trabalho!!
Bom, depois deste parágrafo, que mais parece ter sido inspirado nas crónicas da Júlia Pinheiro, passo então ao que queria realmente falar: o quotidiano de um casal...
Há coisas (pausa para respirar fundo) que são universais: aprender a baixar o tampo da sanita, fechar a cortina do duche para não ganhar bolor, por o roupa suja no cesto, tirar os restos de comida da loiça antes de a pôr na máquina, e talvez a mais importante e também mais difícil para o homem heterossexual cumprir: planear a sua vida a curto/médio prazo, incluindo a mulher nesse plano. Todas estas coisas se aprendem por tentativa e erro, qual murganho de laboratório, mas ainda assim, e isto sim é terrivelmente díficil de compreender para as mulheres, é que uma vez aprendido, este conhecimento pode ao fim de pouco tempo perder-se... Isto, exige o esforço horrível e fundamentado para a mulher que pede incessantemente ao companheiro para fechar a cortina do duche quando acaba de tomar banho, de ter que voltar a ensinar esta boa práctica que pensava já adquirida pelo cônjuge.
Quanto a herculiana tarefa de planear os dias a vir, tenho a seguinte consideração a fazer: diz-se da inteligência dos animais, incluindo o bicho-homem, que este último se distingue dos restantes, entre outras coisas, pela sua capacidade de pensamento abstrato, no qual se inclui o planeamento de dias vindouros, pois então tenho apenas a dizer em minha defesa, sendo homem, que nas mulheres esta capacidade concerteza que estará mais desenvolvida que no homem, que apesar de ser considerado inteligente não pode nesta matéria ser colocado ao nível da clareza de calendário da mulher.
Esta última frase leva-me a procurar uma base biológica para estas dificuldades na vida a dois, e encontro estudos que afirmam que as mulheres tem uma grande competência no multitasking ao passo que o homem tem uma grande capacidade de se concentrar numa só tarefa, e isto é especialmente irritante para as mulheres que tentam dialogar com o parceiro enquanto este vê a bola ou joga playstation e que à pergunta "Comemos o bacalhau de ontem ou mandamos vir uma pizza?" respondem "Sim."
Destas e de outras questões trata a vida do casal que todos os dias luta pela manutenção da sua vida conjunta e muito mais haverá a dizer, mas talvez noutro post porque já são quase três da tarde e ainda não almocei!
post scriptum: estive estes dias sem escrever nada porque o meu computador avariou irremediavelmente, e isso deu-me um período de nojo, agora cumprido!
quinta-feira, 26 de junho de 2008
sábado, 21 de junho de 2008
É o Robin, nós chamamos-lhe assim!
Falando doutras coisas: parece que o Robin sempre vem cá a Portugal espetar setas no rabo das petrolíferas, eu acho porreiro, só me dá um pouco de asco terem sido os comunas a propor isto. Pois é, não era este Robin que roubava aos ricos para dar aos pobres?! Então podia ir lá acima ao Porto roubar o Cristián e dá-lo ao Benfiquinha!
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Início
1º- Este blogue não é novo, na verdade já existe desde o início de 2007, mas quando o criei estava apenas a pensar no trocadilho ouzadias com o meu próprio nome (Souza Dias), não sei se repararam...
A ideia seria lançar no mundo da blogosfera a minha astuta visão sobre os factos da actualidade nacional e mundial, mas o tempo foi passando e o primeiro post tardou em ser publicado...
2º- Resolvi começar a publicar estas breves mensagens (já vou em 2!), mas não prometo nada quanto à regularidade de publicação das mesmas. Na verdade não sei bem "porque motivo" comecei (a expressão entraspada tem uma estória associada que um dia contarei), mas já que deixei de fumar, deixei de consumir gasolina (através do meu carro, claro), passei a praticar Iôga, e até vou às aulas teóricas... pensei: eu já não me conheço de qualquer maneira, já agora começo também a escrever, ou melhor rasurar!
3º- Sobre o conteúdo. Sobre o conteúdo, falarei de tudo aquilo que me chatear, aborrecer, fascinar ou apaixonar... bom, tratarei este blogue como se fosse um gajo (muito infortunado) a quem eu contasse coisas; eu ainda tentei falar com amigos ou com a minha namorada, mas ela não teve a já por mim moída paciência necessária para me dar atenção nestas matérias; de modo que neste blogue será possível "ouvir-me" com uma grande vantagem que é a de poder desligar o computador assim que acabe de ler a primeira linha.
4º- Um pedido que vos deixo, é que abandonem aquela regra de etiqueta que nos manda abster-nos de corrigir gramatical e ortograficamente o nosso interlocutor, e que me digam qualquer coisa.
5º- Para terminar, e até porque escrevi isto duma assentada enquanto estava a cagar (é verdade foi mesmo de uma assentada!), e também porque agora vou ter de lavar o rabo com água e sabonete em vez do habitual papel higiénico (isto secou, é que eu dactilografo como um agente da P.J., i.e., com dois indicadores) espero acabar todo as as minhas publicações com uma mensagem moralista introduzida no texto de forma subtil ou mesmo subliminar!
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Os Inconformados Mal-formados
Mandaram-me este mail, ao qual respondo abaixo:
GASÓLEO A 0,80€ PARA OS IATES
O Governo democrático e maioritário do PS tem por hábito quando é confrontado com realidades, apontar os canhões para o PSD, seu parceiro do «Bloco Central de Interesses».
Mas agora, todos ficam a saber : os que têm iates e embarcações de recreio que através do Artº 29 do Cap. II da Portaria 117-A de 8 de Fevereiro de 2008, beneficiam de gasóleo ao preço do que pagam os armadores e os pescadores.
Assim todos os portugueses são iguais perante a Lei, desde que tenham iates…
É da mais elementar justiça que os trabalhadores e as empresas que tenham carro a gasóleo o paguem a 1,42€, e os banqueiros e empresários do 'Compromisso Portugal' o paguem a 0,80€, e é justo, porque estes não têm culpa que os trabalhadores não comprem iates!!!
Eu não acredito num país de merda que isenta iates de luxo do ISP (Imposto Sobre produtos Petrolíferos). Portanto quando me mandam um e-mail, que a avaliar por uma breve pesquisa no Google, já anda a ser reencaminhado há algum tempo, (principalmente por sites de gajos ditos inconformados), eu procuro informar-me. Se a internet pode ser, e é mesmo, um veiculo de muita merda, também é verdade que através dela temos acesso a sites credíveis, como é o caso do site do ministério das finanças ou do diário da república. Então imagino eu: Ora um destes gajos inconformados com o "estado das coisas" neste País terá tido acesso ao artigo 29 do Cap. II da Portaria 117-A, que passo a mostrar: Isenção do ISP para utilização na navegação comercial
29.º Enquadram -se na disposição prevista no número anterior as embarcações efectivamente utilizadas nas seguintes actividades:
a) Navegação marítima costeira;
b) Navegação interior;
c) Pesca;
d) Navegação marítimo -turística;
e) Operações de dragagem em portos e vias navegáveis,
com excepção dos equipamentos utilizados na
extracção de areias para fins comerciais.
Bom, o que terá acontecido, e continuo a imaginar, é que o anormal que lançou este mail não viu o artigo de cima o então não ligou, mas eu mostro também:
28.º As isenções do ISP previstas nas alíneas c) e h) do n.º 1 do artigo 71.º do CIEC abrangem as utilizações em embarcações que, para efeitos da presente portaria, se designam por navegação comercial
NAVEGAÇÃO COMERCIAL É DIFERENTE DE NAVEGAÇÃO DE RECREIO
ah pá! que chatice, e logo agora que eu ia comprar um barquito pra ir prá outra margem...Quer isto dizer que os donos dos iates vão continuar a pagar gasóleo a preço normal, e só estão isentos do ISP se desenvolverem algum tipo de actividade comercial estipulada no artigo. Pronto, as "coisas" vão realmente mal, mas também não é preciso entrar numa onda de injustiça generalizada.
Eu, pelo menos, não entro!
terça-feira, 17 de junho de 2008
Perspectiva
Voltando agora ao "o que se faz lá fora é que é bom", na Suíça, e em apenas dois dias, substituíram o relvado do estádio de Basileia. Que espectáculo! Isto é que é um país como deve de ser! Mas se o portugalinho tivesse o azar de isto lhe acontecer no Euro2004, era ver o povo de mão na cabeça e a gritar aqui d'el Rei qu'este país é uma desgraça e lá seriam pronunciados os só neste país, mas como aconteceu na Suíça, é mais uma prova da sua superioridade.