Já tinha feito referência ao filme AMARCORD, o título junta as palavras Amar e Recordar, fala da infância do realizador na sua terra, que como todas, tem um tontinho que ajuda a narrar a história.
Em benavente não há um tontinho, há vários, e esta descrição dos tontos de benavente, que farei em seguida, poderá ser chamada de benaventice, embora toda a terra tenha o seu tonto, porque estes tontos são específicos desta terra, quais espécies endémicas de uma dada região.
São tantos que os enunciarei à medida que forem surgindo na minha memória. Porventura o mais conhecido, o João Raso, cabelo branco aos caracóis, dentes muito tortos, e uns óculos bastante grossos, a sua tontice resulta de um qualquer atraso. Faz recados, e adora circo, ao ponto de certa vez, enquanto o circo Cardinalli passava por benavente, se ter apresentado como representante da câmara municipal e pediu que o circo ficasse mais uma noite, e o circo ficou!
O Lapin (coelho em francês) desconheço a origem do nome, hoje passeia-se pela avenida de roma, em lisboa, ora em direcção ao Júlio de Matos, ora na direcção contrária. Foi à guerra veio maluco, mandava piropos às mulheres, quando não conseguia jogar-lhes a mão.
O Lacrau, a sua tara era coxear apenas quando atravessava a passadeira...
O Luís Badeu, bisneto do primeiro Badéu tonto, assim ficou quando gaseado com gás mostarda na Primeira Guerra. Andou comigo na escola, para desespero da professora que recorria às cavacas da lenha para tentar impor-se ao Badéu.
A família setenta, primos dos Badéus logo a loucura é semelhante, o setenta mais velho perdeu para uma bomba raposa os três dedos do meio duma mão, ficaria famoso em benavente pela frase - São quatro imperiais e um panaché - enquanto gesticulava um "hang loose".
O Miguelito, foi comando na guerra colonial.
O Branquinho era esquizofrénico, era um intelectual auto-didata, também bebia absinto.
O Tonho-Caco, também é fruto da guerra, com uma grande barba tem um certo aprumo no vestir, usa colete debaixo do casaco, e por vezes lenço ao pescoço, sendo a roupa oferecida, não é de estranhar uns jeans femeninos à boca de sino com umas flores lexiviadas nas pernas! Pede cigarros a todo o mundo que depois guarda na orelha para fumar à noite.
Há muitos mais! Na minha família mais alguns! Mas o texto já vai longo, fica para outro post!
Há 16 anos