Lembrei-me disto que aconteceu no outro dia, mais precisamente nos santos populares, treze de junho. Só conto agora porque porque na altura ainda não tinha blog.
Nos santos populares de Lisboa costumo ir fazer o passeio Sapadores até Santa Apolónia, furando pela multidão, bebendo e bailando por esta colina de Lisboa abaixo, tem corrido bem, se tivermos em conta que afinal se trata de uma noite de santos populares, e que acabar a noite na esquadra da polícia ou na esplanada da Graça é igualmente provável!
Este ano convidaram-me para ir para a frequesia da namorada do meu amigo Nuno (nome fictício), Santa Engrácia, e eu fui. Cheguei já um pouco tarde, às duas da manhã, porque fui ver as Marchas Populares à avenida da liberdade, só essa ida merece um post próprio. O sítio, cujo nome agora não me lembro, era um ringue da bola no átrio de uns prédios, entrava-se por uma porta que bem podia ser a duma casa qualquer, não fosse o facto de a seguir a um corredor dar até ao dito ringue. "Vou beber uma mini!" disse ao pessoal e fui até ao balcão, havia bicha, depois de esperar pedi uma cerveja e a mulher diz-me - tem que ir àquela barraquinha trocar o dinheiro por senhas! - serpenteio até a barraca, está lá um velho, já bêbedo, sozinho, a trocar dinheiro para um ringue repleto de gente, tinha fila. Fico na fila, chega a minha vez. Havia senhas, com o aspecto de selos, de cinquenta cêntimos, um e dois euros. A imperial era um euro, portanto comprei um euro de santa engrácia a um euro, sorte a minha que não havia taxa de câmbio. Possuidor de dinheiro dos nativos, voltei para o outro lado para ir buscar a imperial, não sem mais um compasso de espera. Digo - é uma cerveja! - a moça responde - já não há! E também não há de barril! Só temos sangria a copo! - respondo - Pode ser... - ela - É um euro e meio... - Só tenho um euro no vosso dinheiro! Porra#&*@! Fui ao outro bar, outra fila, não há cerveja... Que diabo! Estou farto disto!
Há um café à entrada, ainda tem cerveja!!! Corro até lá, peço a tão desejada mini, apresento a senha, vejo, parece que em câmara lenta, a mini na minha mão a ser elevada, quase que toca os meus lábios, e diz o gajo - a gente aqui só aceita dinheiro... e a mini é noventa cêntimos. NÃO!!! Peço ao gajo para me guardar a mini, volto à barraca do câmbio, adivinhem, tem fila, reavejo o meu euro (é verdade, era o meu único, o multibanco estava limpinho...) e volto para finalmente beber uma puta duma mini. Não há direito, pá! O que mais me chateia é que bem vistas as coisas estes burocratas dos comes e bebes são capazes de mandar-vir com o governo por causa da burocracia, mas eu, para beber uma cerveja nos santos, divirto-me tanto como numa manhã passada, digamos, numa repartição de finanças... A ver se o simplex passa lá em Santa Engrácia, se não, não meto lá os pés!
Há 16 anos
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