quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Benaventices (II)

Esta é a história do Coelho e do Pau de Marmeleiro!
Em tempos idos era costume ir à caça, mais do que hoje, hoje somos mais conscientes mais informados e repugna-nos matar bichos que não servem para comer, a nós, a maior parte dos Homens. Quem lêr o "Tintim no Congo" verá que este matou chimpazés e dezenas de gazelas, hoje impensável, moral e eticamente condenável aos olhos de qualquer europeu.
Mas ia dizendo, a caça fazia parte do dia-a-dia da população rural, qualquer homem e algumas mulheres de famílias mais ricas caçavam. Pelo menos iam à caça, trazer para casa peças de caça é outra história, daí que alguns caçadores aldrabem o proveito das suas caçadas! Diz o povo, em cada caçador um mentiroso, e talvez o diga bem!
Avante com a nossa história, ou melhor, adiante, para evitar equívocos, antigamente em tempos que já lá vão, limpavam-se os resíduos de pólvora acumulados nos canos de uma espingarda usando um pauzinho de marmeleiro como escovilhão, assim e com um pouco de óleo se mantinha uma espingarda em boas condições. Certo dia na charneca, em mais uma caçada, conversam dois caçadores. Diz o primeiro que um dia estaria a exercer essa boa prática de bem manter uma espingarda, quando passa um coelho mesmo à sua frente! A excitação foi tal, que o pobre homem chegou a espingarda ao ombro e disparou sem antes sequer ter tirado o pau de marmeleiro do cano, tendo este sido projectado, qual flecha! O coelho apesar de atingido pelo escovilhão de marmeleiro, sobreviveu e fugiu! A resposta do segundo caçador veio em seguida: "Ora porra! Então não é que ainda no outro dia vi passar um coelho com um marmeleiro às costas carregadinho de marmelos!"

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