sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Xenofobias e Homossexualidades

Um eminente etólogo dizia que quanto mais seleccionadas forem as raças maior será o número de indivíduos com comportamentos aberrantes.
Agora, a pensar na frase de cima, atentem a este conto de fadas trágico que vos vou contar...
Era uma vez um príncipe que vivia numa região dos alpes, ele era o príncipe herdeiro do nacional-socialismo. Sempre aprumadinho, e extremamente correcto na sua apresentação, metrossuxual, (de reparar que os homens de extrema direita são sempre mais preocupados com a sua imagem) um homem sem surpresas na hierquização dos seus valores: família, a raça, a nação... Muito carismático, graças aos ideais xenófobos, foi ganhando admiradores entre os mais jovens austríacos, que tanto medo têm dos povos que lhes atravessam a fronteira.
Rapidamente o nosso príncipe seria tornado rei, casado e pai de filhos, e estava agora à frente da Aliança para o Futuro da Áustria!
Embora casado, faltava ao nosso líder a sua verdadeira musa, a sua fada, que descobriu quando conheceu um jornalista da área da cosmética. Este jornalista sentiu uma atracção imensa pelo líder neo-nazi, física mesmo. Tornar-se-iam inseparáveis ao ponto do líder, 30 anos mais velho, prometer ao seu secreto amante e confesso braço-direito a liderança da aliança!
Em mais uma noite, que o carismático líder disse à mulher ser de trabalho, seguiu até à porta do seu jovem admirador, e juntos foram para a festa gay onde tantas vezes se divertiam. Lá os ciúmes motivaram uma emocionada discussão que acabaria com mais uns vodkas e a fuga do neo-nazi no seu carro do povo, o phaeton... pelo caminho atravessaria um muro de betão.
O jovem jornalista, agora líder, ficou destroçado, mas ainda aguentou duas semanas antes de confessar aos austríacos que perdera o seu amante, o homem da sua vida... A aliança não podia admitir que o número um e dois do partido fossem amantes e demitiu imediatamente o abalado e recém nomeado líder. Em duas semanas o pobre jovem nazi perdeu o trabalho e a família...
A propósito, o eminente etólogo era austríaco!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sindicalistas

Não gosto de sindicalistas, não vou à bola com eles, não os como nem com molho de tomate, não os posso ver nem pintados de ouro. As reivindicações utópicas, os discursos iguais desde o vinte e cinco de Abril, as formas de discurso e entoações à la PCP, vocábulos como proletariado, patronato, imperialismo, exploração... Não os suporto, são desonestos: exigem ordenados e privilégios(que é diferente de direitos)que são perfeitamente surreais!!! Acho especial piada à FENPROF por considerar que os professores são uma classe profissional particularmente afectada, quem os ouvisse até diria que são perseguidos, num panorama de dificuldades generalizadas para todas as outras classes de trabalhadores...
Correm atrás dos trabalhadores que não pagaram as cotas, "bullyzam" os fura-greves, e, acho eu, rebentam aneurismas se lhes pedirmos para tentarem compreender o lado do patrão... São uma máquina bem oleada, uma indústria de lobbistas (e prometo parar por aqui com os anglicismos) que a troco de uma parte do seu salário pressionará o governo a aumentar-lhe o mesmíssimo salário. Chegam a ser de tal maneira grandes estes sindicatos que às vezes se parecem com aquelas empresas multinacionais contra as quais lutam, gerem orçamentos imensos, empregam centenas de pessoas, dir-se-ia que qualquer dia será preciso sindicatos para aqueles que trabalham nos... sindicatos!

Pára-choques de titânio

Quem me conhece sabe o quão penoso pode ser andar comigo de carro. Praguejo e resmungo com os demais ocupantes da via, levo a um estado tal de enervação, o meu pendura. Dizem-me que devo ter mais calma e ser menos emocional, mas eu digo-vos que o meu problema é racionalizar demasiado.
Se para comprar bilhetes, ou usufruir de qualquer serviço, existir uma fila, esperarei pacientemente a minha vez... Se encontrar alguém conhecido à porta dos correios, deslocar-me-ei para não impedir a passagem dos outros... Se for de noite, não ligarei o aspirador... Na estrada, as minhas reacções explosivas não ocorrem por eu ser nervosinho, mas apenas porque sou escrupuloso no respeito pelo próximo e não espero menos, nunca, daquele que comigo interage. Eu não nunca estaciono em segunda fila (e há aqueles que quando me entalam por ter estacionado no espaço devido, aparecem depois de eu me fartar de buzinar e ainda têm a lata de dizer - até parece que você nunca estacionou em segunda fila?!), eu não uso as faixas do BUS, eu alterno a cedência de passagem nos entroncamentos, é tudo uma questão de respeito pelo próximo...
Nas filas que se criam à porta dos serviços, pouca gente ousará passar à frente de alguém, isto porque será fulminado pelo olhar furioso daqueles que esperam há já algum tempo, poderá mesmo ser mandada alguma boca, ou pior, correr tudo a chapada, ou talvez nada disto ocorra porque alguém na fila disse - Desculpe mas esta linha de gente atrás uma da outra chama-se fila e o seu lugar é lá atrás... Mas não se o prepotente javardo seguir na sua viatura, aí sentir-se-á a salvo de olhares cruéis e ameaças verbais (ás vezes...) ou então está-se pura e simplesmente cagando para os outros, e mete-se à frente das filas de trânsito, ou estaciona em segunda fila, mete-se à papo-seco nas rotundas e coisas do género.
Epá porque o que dá mesmo vontade é de instalar um pára-choques de titânio, daqueles tubulares, e ansiar para que um destes caramelos se meta à nossa frente indevidamente, e aí em vez de travar e evitar um acidente do qual o outro seria o culpado, acelerar e partir-lhe o carro todo...
Mas aquele que andar comigo de carro reparará que eu só me enervo com questões que envolvam o respeito mútuo, senão reparem: um gajo conduz a cinquenta à hora numa zona de noventa, eu fico impaciente porque o gajo está a limitar a minha liberdade de me movimentar na estrada, e se um velho se faz a uma passadeira e demora cinco minutos a atravessá-la, eu até espero (e com uma paciência invejável!) que ele chego até ao outro passeio, mas se outro gajo conduz um carro à monocarril, i.e., com o carro em cima da linha que divide duas faixas, eu sou bem capaz de apitar e gritar-lhe - 'tás em boa altura para andar de metro!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Benaventices (IV)

Vou falar-vos de um homem de grande referência em Benavente, um homem que durante anos ocupou um lugar cimeiro na Câmara de Benavente: dava corda ao relógio da torre do edifício da câmara. Reuniu ao longo de quarenta anos aquilo que viria a ser o acervo do museu municipal. Alfaias agrícolas, trajes, cerâmica e outras foram coleccionadas pelo homem dos sete ofícios, Joaquim Parracho.
Joaquim Parracho, tinha um humor inimitável! Não que fizesse por isso mas era uma pessoa que para além dos artigos etnográficos coleccionava também muitas situações caricatas, duas das quais relembro aqui!
Certa vez, a antena um gravou um programa em benavente e quis falar com o Parracho acerca do museu.
Começou a entrevista, feita ao ar livre no jardim dos bombeiros velhos, e o repórter pergunta
- Senhor Parracho, o senhor nasceu em que ano?
e ele respondeu - Nasci em mil novecentos e vinte, ano da famosa aguardente!
- Corta! Oh senhor Joaquim Parracho não pode fazer publicidade! Vamos lá outra vez...
- Senhor Parracho, em que ano nasceu?
- Nasci no ano da aguardente mil novecentos e vinte!
- Corta, senhor Parracho disse outra vez aguardente!
- Sabe, é que eu digo isto há tantos anos!
- Vamos começar outra vez...
- Senhor Joaquim Parracho, em que ano nasceu?
- Nasci em mil novecentos e vinte!- fez uma pausa aproximou-se do repórter e depois disse - Agora não falei da famosa aguardente!

Glossário Comportamental

Foi-me pedido na faculdade para escrever dois mil caracteres de texto, espaços incluídos, usando conceitos usados no estudo do comportamento animal, os quais foram enunciados. Abaixo está o que escrevi. Os conceitos não estão assinalados mas ser-vos-á fácil identificá-los.
Levantámo-nos mais cedo nesse dia para aproveitar as horas mais frescas da manhã, íamos montar a cerca eléctrica! Quando chegamos a manada estava espalhada: uns pastavam outros ilustravam esse conhecido padrão fixo de acção que é o de dois cavalos coçarem as costas um do outro mordiscando-se mutuamente, outro ainda, um jovem macho tentava copular com uma égua prenha num aparente comportamento no vazio. Uma égua de três anos viu na já conhecida renault 4l branca o estímulo sinal que a levou a erguer as suas orelhas e a emitir o breve relincho, estes, com certeza, actuaram como um desencadeador social, pois toda a manada reagiu ao relincho e reuniu-se junto ao carro, apenas um poldro correu na direcção oposta o que me pareceu ter sido um comportamento deslocado...
Os cavalos andavam soltos no campo e com a cerca íamos separar o terreno para reservar pastagem... Isto de separar pasto com cerca electrica só dava com os cavalos, as vacas mertelengas até arrastavam arame farpado se o pasto o justificasse! Ou seja, as mertelengas sofreriam uma acumulação de energia específica de acção provocada pela visão de um luxuriante pasto verde por oposição ao terreno “ratado”, passe a expressão, onde se viam confinadas. Este excesso energia, a pulsão, levaria a um comportamento (literalmente!) apetitivo: o rebentar dos arames farpados! A energia seria então dissipada logo após a concretização do acto consumatório, assim que as vacas abocanhassem a erva fresca.
Procurar uma zona húmida, perto da vala serve, para ligar o gerador à terra. Gritava para o meu primo, que tinha montado a fita da cerca – estica mais a fita! – quando ele o fazia eu ligava o gerador e o choque eléctrico que ele apanhava fazia-o dar um salto como um gato que vê um cão ao dobrar uma esquina (também o ouvi praguejar)! Ficou a cerca montada, e ficamos ali mais um pouco, a ver os bichos. Os cavalos, desconfiados, vieram em manada analisar o novo objecto, e um mais afoito na frente da manada veio aproximando-se de nariz esticado e orelhas apontadas para trás até que tocou na cerca! Como estavam todos juntos, apanharam todos um choque, pela lei da somação heterógenea, o conjunto de estímulos de choque, empinanços e relinchos provocou um verdadeiro pânico...

Como ganhar o Prémio Nobel

Antes de mais vou só dar a conhecer, para quem desconhece, o homem por trás do prémio. Alfred Nobel, sueco, veio a inventar uma forma de manejar nitroglicerina, um explosivo extremamente instável, de um modo seguro. Adicionando-lhe pólvora criaria uma pasta que poria num cartucho de cartão, inventou a dinamite. Tornar-se-ia um dos homens mais ricos do seu tempo e por vontade expressa em testamento, esse dinheiro seria usado para criar a Fundação com o seu nome.
Para ganhar o prémio Nobel é preciso acima de tudo ter uma saúde de ferro! A academia sueca tarda tanto em entregar os prémios que por vezes decorrem mais de cinquenta anos entre a publicação das descobertas e a atribuição do galardão... Não há cá Nobeis a título póstumo, maneiras que é assim: ou a sua investigação é MUITO boa e o prémio é atribuído brevemente, ou a sua investigação é fracota e será galardoado num ano mais fraco, resta ter a tal saúde para estar vivo quando esse ano chegar...
Deve também imigrar para os Estados Unidos quanto antes! Toda a gente sabe que é nos States é que a coisas se resolvem, em Portugal mal temos dinheiro para comprar fotocópias nas faculdades quanto mais investigar em série...
O objecto do seu estudo deve estar na moda! Desde há alguns anos para cá que a academia passou a usar o seu famosíssimo prémio para de alguma forma chamar a atenção para determinado tema, o microcrédito, o aquecimento global.

domingo, 5 de outubro de 2008

Viva a Républica!

Sou Republicano, repudio um sistema que designa uma pessoa governante com base no seu sangue, é primitivo.
Hoje senti que o Presidente da Républica, que discursava, era também o meu Presidente. Até agora não o tinha sentido, até porque não votei nele, e como já tinha mostado noutro post, nunca tinha gostado dos seus discursos. Mas não hoje, hoje gostei de o ouvir, foi real e pragmático, preocupado mas esperançoso.
Os partidos, invariavelmente, aproveitam qualquer minuto de telejornal para tempo de antena, e o que dizem, perdoem-me o cliché, é sempre o mesmo: que o presidente falou muito bem, mas o governo não tem noção do país em que vive...
O Sócrates esse, que normalmente não me faz assaltar grandes críticas, fez uma coisa imperdoável, ou melhor, o seu acessor de imagem terá permitido que ele a fizesse. No dia da Implantação da Républica, em que trocámos os símbolos monárquicos pelos republicanos, a guarda, o hino, a bandeira, que antes era azul e branca. O Sócrates assistiu ao discurso do presidente e na televisão formava-se um retrato claramente republicano: o presidenta, a varanda, cores vermelhas e verdes. Mas numa espécie de acaso deveras perturbador ou manifesto aviso subliminar, Sócrates decidiu vestir uma camisa branca e gravata azul. Logo hoje...

A Beleza duma CCC

Um fumo branco esfumando-se no céu azul, ele é livre, vivo! Nos dias sem vento, e tão frequentemente de madrugada, ele ergue-se num só sentido ascendente fazendo-se parecer um arranha-céus. Quando o ar se sente mais seco, ele desaparece à boca das chaminés, ondulando com o vento, é uma chama de neblina branca. Com ele posso contar: lá estará sempre a todas as horas, em casa, olharei para a luz e lembrar-me-ei do fumo que sai da chaminé, como ele é belo. Essa passagem tão fugaz não me deixa apreciar-te, oh fumo, podia olhar-te a perderes-te no céu infinitamente. Ao fundo, a paisagem é ilustrada pelo Tejo, tão cantado, e a lezíria, aberta e verdejante e amarela cheia de milhos e melões e tomates, cortada ao meio por uma auto-estrada que me leva a ti...
Ah! Quanta beleza encerra uma Central de Ciclo Combinado!