quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Quando eu era pequenino

Já vos disse noutro post que não tenho feito muito... Tenho-me lembrado das asneiras que fazia com os meus irmãos para passar o tempo, morávamos longe da vila, não tínhamos bairro nem amigos ali ao pé para brincar... Não gostávamos de jogar à bola, éramos porventura mais alternativos. Um dia vi na televisão uns gajos a fazer slide!
"Granda pinta!" - pensei eu! nunca tinha visto aquilo! Era uma loucura! A segunda coisa que pensei foi: "Eu consigo fazer isto!"
Com os meu irmãos fomos tratar de montar um slide, na minha casa antiga havia o tal pombal que falei no outro post e em frente havia um canil com umas seis boxes nas quais havíamos criado vários fox terrier's. Estava escolhido o sítio! Partiríamos do topo do pombal e vínhamos a descer até ao canil, qualquer coisa como sete metros de distância. Faltava o cabo, havia o cabo de âncora do primeiro barquito do meu pai, servia, apesar de ter alguns nós-cegos, isso não me pareceu um problema na altura...
Lá trouxe o cabo, fiz-lhe um laço e tentei, como um cowboy, laçar o pináculo no topo do telhado do pombal, não foi difícil! A seguir, amarrei a outra ponta do cabo ao canil tendo antes feito passar um troço de um cano pelo cabo, o cano serviria para eu me agarrar e deslisar até ao canil! Primeira tentativa: procurei a escada, subi ao pombal, que a meio da altura tinha um rebordo que parecia feito de propósito para eu me apoiar, pedi ao meu irmão do meio para com uma cana fazer subir o cano até lá cima, agarrei-o, e deixei-me ir! Era fantástico, tudo corria bem até que a meio do cabo, o cano ao qual eu me tinha pendurado passando o meu braço por cima, ficou preso num dos nós-cegos mas eu continuei a deslisar até ao canil... Rasguei a T-shirt e esfolei o sovaco, passei o resto da tarde com o braço direito alçado... Mas havia mais pilotos de testes! Depois de, diligenciosamente, ter desatado todos os nós, tirámos o cano (que nos pareceu perigoso) e pusemos a fateixa do barco. Desta vez iria o Zé! Subiu ao pombal, agarrou-se com as mãos e desceu continuamente até ao canil, onde eu e o meu irmão mais novo o esperávamos animados! Só até olharmos melhor para ele e vermos uma das pontas da fateixa espetada no queixo dele!!! Credo! Lá fomos a casa desinfectar a ferida que parecia pior do que realmente era!
Acabaram as tentativas de fazer slide quando a minha mãe chegou a casa, mas essa tarde foi inesquecível!

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