Há 16 anos
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Interregno
Caros leitores, anónimos e conhecidos, nos próximos dias não deverei publicar muita coisa... Acontece que tive um acidente, e ando de braço ao peito, eu até tenho material mas como tenho de escrever só com uma mão, demoro muito tempo e irrito-me bastante, notem que tive que tomar um xanax para escrever este recado... Assim, anseiem pelas minhas melhoras, e quando tiver as duas mãos livres volto a escrever!
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Carlinhos Garrafão
Não me perdoo por me ter esquecido de incluir no role de tontinhos de Benavente (vide Benaventices III)o Carlinhos Garrafão. O Carlinhos Garrafão morreu sábado passado de modo que tentarei agora fazer o seu obituário. Escusado será explicar o epíteto "Garrafão"...
Quando eu era pequeno olhava para o Carlinhos e pensava que tinha sido ele o modelo do Bordalo Pinheiro quando criou o Zé Povinho... O Carlinhos não tinha barba, mas tinha o mesmo ar bonacheirão e olhos ternos e aquela cara enrugada sobre o próprio nariz com um dos olhos mais aberto que outro, andava como quem anda com água pelo peito: com os braços afastados do corpo a bracejar alternadamente e uma perna mais curta que outra que o fazia baloiçar ora para a esquerda ora para a direita. O Carlinhos fazia recados, de resto a profissão mais almejada pelos tontos da terra, não se cansava nunca de pedir "um cigarrinho fachavor". Morreu num contexto algo incerto...
Quando eu era pequeno olhava para o Carlinhos e pensava que tinha sido ele o modelo do Bordalo Pinheiro quando criou o Zé Povinho... O Carlinhos não tinha barba, mas tinha o mesmo ar bonacheirão e olhos ternos e aquela cara enrugada sobre o próprio nariz com um dos olhos mais aberto que outro, andava como quem anda com água pelo peito: com os braços afastados do corpo a bracejar alternadamente e uma perna mais curta que outra que o fazia baloiçar ora para a esquerda ora para a direita. O Carlinhos fazia recados, de resto a profissão mais almejada pelos tontos da terra, não se cansava nunca de pedir "um cigarrinho fachavor". Morreu num contexto algo incerto...
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
A minha prenda de anos!
Vamos lá pessoal! Num só dia já atingimos quinze por cento do valor total! Não tenham medo, se exceder o valor, envio o excedente para a oxfam! Continuem a enviar!!
terça-feira, 11 de novembro de 2008
A minha prenda de anos!
Meus amigos! Informo-vos que faço anos dia dezanove de Dezembro! Será comemorada a assinalável idade de vinte e quatro anos, e portanto espero que se lembrem de mim!
Como sabem, faço mergulho já há algum tempo mas infelizmente ainda não tenho todo o material: faltam-me os indispensáveis reguladores e manómetro... O que é bastante caro, assim, convido-vos a até ao dia dezanove de Dezembro fazerem um donativo para contribuir para este bolo. Em troca comprometo-me a comprar os reguladores, desde que atinja sessenta por cento do valor total, se não atingir pego no dinheiro e vou para o casino esfarrapar o guito até me sair o jackpot! Não a sério, se não atingir o valor esperado, junto o dinheiro e vamos todos beber um copo a um sítio qualquer, mas nada disso interessa porque eu sei que vocês se vão mobilizar e reunir os absurdos trezentos e cinquenta euros para a minha prenda. Escreverei também um post em letras douradas com o nome de todos aqueles que se dignaram a comparticipar! Para que se sintam incentivados a colaborar adianto desde já cinquenta euros à conta. Frequentemente, anunciarei aqui no blogue os valores já atingidos. Agora vamos ao que interessa: para endossar o vosso contributo devem escrever um comentário com o vosso nome (excepto se quiserem manter o anonimato, claro está!) e depois usar os seguintes dados num pagamento de serviços num multibanco:
Entidade Bancária: 20130
Referência Multibanco: 485055776
e o valor à vossa escolha,
Aquele abraço!
Como sabem, faço mergulho já há algum tempo mas infelizmente ainda não tenho todo o material: faltam-me os indispensáveis reguladores e manómetro... O que é bastante caro, assim, convido-vos a até ao dia dezanove de Dezembro fazerem um donativo para contribuir para este bolo. Em troca comprometo-me a comprar os reguladores, desde que atinja sessenta por cento do valor total, se não atingir pego no dinheiro e vou para o casino esfarrapar o guito até me sair o jackpot! Não a sério, se não atingir o valor esperado, junto o dinheiro e vamos todos beber um copo a um sítio qualquer, mas nada disso interessa porque eu sei que vocês se vão mobilizar e reunir os absurdos trezentos e cinquenta euros para a minha prenda. Escreverei também um post em letras douradas com o nome de todos aqueles que se dignaram a comparticipar! Para que se sintam incentivados a colaborar adianto desde já cinquenta euros à conta. Frequentemente, anunciarei aqui no blogue os valores já atingidos. Agora vamos ao que interessa: para endossar o vosso contributo devem escrever um comentário com o vosso nome (excepto se quiserem manter o anonimato, claro está!) e depois usar os seguintes dados num pagamento de serviços num multibanco:
Entidade Bancária: 20130
Referência Multibanco: 485055776
e o valor à vossa escolha,
Aquele abraço!
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Quantum of Solace
Acabei de ver o último Bond! Apesar de não ser tão bom quanto o primeiro dá continuidade à personagem criada por Daniel Craig. Esta personagem torna-se ainda mais sua neste filme, este James Bond já não é o que conhecíamos. Se outros se prezavam por nunca se envolverem emocionalmente, este é o mais emotivo de todos os Bonds! Mas não é lamechas! As emoções são raiva, vingança, os motores necessários para dar movimento às lutas corpo a corpo. Não há espaço para gadjets, aqui há sangue e fatos rasgados, não há assassínios à distância e com veneno mas sim golpes fatais e uma espera fria e paciente pela última hemorragia do inimigo. Com a noiva morta e sede de vingança, este Bond precisa de algo mais forte que um mexido Vodka-Martini: a bebida agora é outra... As apresentações são bastante mais fugazes e parar para dizer Bond, James Bond por certo pareceria ridículo neste filme.
Mas há coisas que nunca mudam: a bomba deste filme é o Aston Martin DBS, mete ainda o novo Ford Ka, e um Ford Edge americano, ambos a hidrogénio, e as Bond Girl's mantêm-se à altura (uma das quais rende-se à mais invulgar frase de engate de sempre no quarto de hotel: "Porque não me ajudas aqui a encontrar o papel de carta"! Já o genérico inicial não foi nada de espectacular, mesmo com o tema de Jack White e Alicia Keys que o acompanha.
Apesar de não ser tão bom como o primeiro, leia-se o vigésimo primeiro, que eu achei ser o melhor de sempre, este filme mantém o rumo do novo Bond, e não deixa de ser mais um James Bond!
Mas há coisas que nunca mudam: a bomba deste filme é o Aston Martin DBS, mete ainda o novo Ford Ka, e um Ford Edge americano, ambos a hidrogénio, e as Bond Girl's mantêm-se à altura (uma das quais rende-se à mais invulgar frase de engate de sempre no quarto de hotel: "Porque não me ajudas aqui a encontrar o papel de carta"! Já o genérico inicial não foi nada de espectacular, mesmo com o tema de Jack White e Alicia Keys que o acompanha.
Apesar de não ser tão bom como o primeiro, leia-se o vigésimo primeiro, que eu achei ser o melhor de sempre, este filme mantém o rumo do novo Bond, e não deixa de ser mais um James Bond!
terça-feira, 4 de novembro de 2008
PHDA
Recentemente descobri, ou melhor, diagnostiquei tardiamente PHDA que significa Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção. Consiste basicamente em perder-me nos sítios mais reconditos do meu cérebro enquanto faço qualquer coisa, é algo muito chato... por exemplo, para verem como isto me afecta reparem que tenho estado a escrever este post sem olhar para o ecran... e a verdade é que não sinto qualquer vontade em olhar para cima... acho que isto acontece por eu me perder facilmente em actividades que não têm o mínimo interesse. mas há muito mais: ao contrário das pessoas normais eu tenho que estudar muito mais porque estudo realmente dez minutos e passo os outros cinquenta de uma hora a olhar para moscas e arrancar-lhes as asas, ou reparo no melro que cantou lá fora ou vou ver se fechei o carro e fico a pensar em coisas tão descabidas como maneiras de não estudar depois de um momento para o outro começo a falar de outra coisa completamente diferente e esqueço-me imediatamente da anterior, por isso é que às vezes digo coisas em voz alta que não fazem sentido para quem me ouve... e depois há outro que também tem piada que é a de ir a um sitio de propósito para fazer qualquer coisa e... e o quê?! porra esqueci-me... como não estou a olhar para o ecran já não me lembrto do que disse... mas espera aí, porque é que eu não estou a olhar para o ecran?! vou olhar... (pausa) Ah é verdade, por exemplo no outro dia fui a benavente de propósito para trazer um dossier que precisava e voltei para lisboa sem trazer o dossier... Ou outra vez há uns anos fui a benavente mas os meus pais e irmãos não estavam lá, portanto fui eu que abri a porta dos cães para eles irem à rua, mas depois fui-me embora para lisboa e só me lembrei que os cães estavam na rua quando lá cheguei... tive que voltar! No inicio deste ano fui para a faculdade de carro e depois voltei de autocarro: esqueci-me lá do carro... Apesar de tudo e graças aos telemoveis, mantenho sempre os meus compromissos, quase sempre, as vezes esqueço-me de um jantar que combinei ou uma aula que foi mudada, mas nada de muito grave. Habituei-me também a escrever as coisas porque senão esqueço-me de tudo... bem, esquecer não será bem o termo, porque eu acho que na verdade nunca cheguei a apreender aquilo que acho que esqueci... E depois digo coisas como " tu nunca me disseste isso!" o que enerva um pouco os outros... Nos últimos dois anos tenho aprendido a lidar com esta minha maneira de ser, e a muito custo acho que tenho mudado a minha maneira de lidar com as coisas, com resultados palpáveis, uma das técnicas é simplesmente não parar para pensar, mas sim andar e todos os dias tenho de me impingir isto senão perco-me em possibilidades infinitas e acabo por não fazer nada... É uma coisa também frequente que já não faço tanto é a de começar várias empresas sem concluir nenhuma, por exemplo, começo a aparar as ervas do jardim, mas entretanto reparo na tesoura da poda e como está ferrugenta, largo a roçadora e dedico-me a limpar e olear a tesoura, vou lá dentro a casa buscar o óleo mas reparo que deixei a loiça do almoço por lavar, de modo que acabo por pôr a loiça na máquina e aproveito e vou à sala ver se tem loiça suja, ao pé do sofá onde fui buscar um copo, vejo como está sujo o chão... Vou buscar o aspirador, mas quando vou ligar a ficha já lá está outra: a do computador. De repente lembro-me que ainda não enviei um e-mail que fiquei de mandar e ligo o computador, mas como quando liguei a net reparei que me enviaram muitos mails com cenas engraçadas de ver distraio-me a ficar a vê-las. No fim do dia ainda tenho as ervas para cortar, a tesoura para limpar, a loiça por lavar,o chão por aspirar e o mail por enviar... Esta maradice juntamente com a minha desorganização patológica (literalmente!) faz com que eu seja visto, por mim, como um calão e não um doente mental, porque na verdade a única diferença é que ser calão pode ser inato ou adquirido enquanto que ser PHDA é ser comprovadamente um calão inato!
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
BPN
Este banco foi nacionalizado por nós. Só por si, isto já deixa um gajo mal-disposto, mas depois vou à net ver a página do meu banco e as minhas contas, e penso: Já não basta as minhas acções perderem metade do valor, ainda me vou por a comprar um banco perto da falência... Porra, mas quem é que responde por isto?! Vamos lá ver quem é que está à frente do BPN. É o Miguel Cadilhe. Cadilhe... Cadilhe?! Então mas esse não era o ministro das finanças do Cavaco, e a referência usada sempre pelo PSD para contestar as políticas financeiras do governo??? Espera lá, o Cadilhe é o mais-que-tudo financeiro do PSD e deixa que um banco perca mais de cinquenta por cento do seu capital?! Ao que isto chegou! Mas agora vai ter piada: com que moral é que Cadilhe contestará seja o que for, que credibilidade poderemos atribuir às suas críticas? Eu diria que nenhuma.
Freaks flock together
As pessoas têm a tendência para se juntarem de acordo com os seus interesses. Quando os interesses são medianamente comuns, será mais fácil encontrar soluções para problemas ou preocupações que afectem o mesmo grupo. Não fosse eu estudante de biologia e não encontraria aqui mais uma prova da Evolução, mas adiante...
Existem neste nosso mundo vários outros mundos exclusivos dos olhos de apenas alguns, os cirurgiões e pessoal de cirurgia lá conhecerá as entranhas dos corpos humanos, os mecânicos não encontram surpresas num motor, mergulhadores conhecem esse mundo subaquático, e o mundo microscópico é conhecido dos biólogos e outros, tal como o telescópico é dos astrónomos. Assim, se eu quiser partilhar uma descoberta fantástica que acabei de fazer, digamos, no modo de alimentação de um pogonóforo acima dos cinquenta graus centígrados, convém, no mínimo, que o meu interlocutor saiba de que animal eu estou a falar e da sua biologia... Mas nem é preciso tanta especificidade, por exemplo, de cem pessoas escolhidas ao acaso, quantas se entusiasmarão com o comportamento exibido por um caranguejo a comer uma poliqueta?! E numa turma de biologia marinha?!
É por isto que os Freaks flock together, numa multiplicidade de mundos que se apresentam mais ou menos interessantes, juntam-se aqueles que mais amam determinado mundo. Há ainda outro aspecto interessante que é o facto de haver uma gritante e forçada incompreensão por parte de um habitante de um mundo em relação a outro diferente: como quando vemos um bando de gajos vestidos de Darth Vader e Han Solo para ver a emissão contínua de todos os filmes do Star Wars. Pensamos (os que não conhecem este mundo): "Estes gajos são uns otários!" E talvez estejamos cobertos de razão, mas isso não interessa! O que interessa é que estes totós com idade para ter juízo, e mulher, e filhos, e casa própria, andam em bando porque gostam do mesmo mundo! Independentemente desse mundo ser estranho para outros.
O mundo a que eu pertenço é também estranhíssimo, senão vejam: numa aula é apresentado um slide de um choco acabado de ecludir, que objectivamente é uma massa disforme, preta, onde um olho arguto identifica uns tentáculos e dois olhos enormes. A reacção das miúdas da turma é um ooohhhhhhh!!! carinhoso como alguém que admira a ternura de um cachorro, enquanto o cidadão comum teria uma reacção anojentada, talvez um vómito!
Existem neste nosso mundo vários outros mundos exclusivos dos olhos de apenas alguns, os cirurgiões e pessoal de cirurgia lá conhecerá as entranhas dos corpos humanos, os mecânicos não encontram surpresas num motor, mergulhadores conhecem esse mundo subaquático, e o mundo microscópico é conhecido dos biólogos e outros, tal como o telescópico é dos astrónomos. Assim, se eu quiser partilhar uma descoberta fantástica que acabei de fazer, digamos, no modo de alimentação de um pogonóforo acima dos cinquenta graus centígrados, convém, no mínimo, que o meu interlocutor saiba de que animal eu estou a falar e da sua biologia... Mas nem é preciso tanta especificidade, por exemplo, de cem pessoas escolhidas ao acaso, quantas se entusiasmarão com o comportamento exibido por um caranguejo a comer uma poliqueta?! E numa turma de biologia marinha?!
É por isto que os Freaks flock together, numa multiplicidade de mundos que se apresentam mais ou menos interessantes, juntam-se aqueles que mais amam determinado mundo. Há ainda outro aspecto interessante que é o facto de haver uma gritante e forçada incompreensão por parte de um habitante de um mundo em relação a outro diferente: como quando vemos um bando de gajos vestidos de Darth Vader e Han Solo para ver a emissão contínua de todos os filmes do Star Wars. Pensamos (os que não conhecem este mundo): "Estes gajos são uns otários!" E talvez estejamos cobertos de razão, mas isso não interessa! O que interessa é que estes totós com idade para ter juízo, e mulher, e filhos, e casa própria, andam em bando porque gostam do mesmo mundo! Independentemente desse mundo ser estranho para outros.
O mundo a que eu pertenço é também estranhíssimo, senão vejam: numa aula é apresentado um slide de um choco acabado de ecludir, que objectivamente é uma massa disforme, preta, onde um olho arguto identifica uns tentáculos e dois olhos enormes. A reacção das miúdas da turma é um ooohhhhhhh!!! carinhoso como alguém que admira a ternura de um cachorro, enquanto o cidadão comum teria uma reacção anojentada, talvez um vómito!
Soneto de Amizade
"Soneto de Fidelidade
De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Soneto de Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Vinícius de Moraes
E agora que é findo esse amor,
Após as lutas vencidas,
Lambem-se, enfim, as feridas
Enquanto se busca a paz interior.
O que veio depois do torpor
foram umas eufemizações desmedidas,
para atenuar as sensações sentidas,
E trazer, talvez, algum calor.
A seguir aos sonetos de separação e fidelidade,
Queria que ficasse algo mais,
E se te permitires a tal,
E não deixares que as injúrias te sejam fatais
Escreverei este soneto final:
O Soneto de Amizade
De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Soneto de Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."
Vinícius de Moraes
E agora que é findo esse amor,
Após as lutas vencidas,
Lambem-se, enfim, as feridas
Enquanto se busca a paz interior.
O que veio depois do torpor
foram umas eufemizações desmedidas,
para atenuar as sensações sentidas,
E trazer, talvez, algum calor.
A seguir aos sonetos de separação e fidelidade,
Queria que ficasse algo mais,
E se te permitires a tal,
E não deixares que as injúrias te sejam fatais
Escreverei este soneto final:
O Soneto de Amizade
Subscrever:
Mensagens (Atom)