terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eu e ela

Ela nasceu em Outubro, e eu era para ter nascido no mesmo dia de Outubro, mas a verdade é que a minha preguiça empurrou-me até Dezembro... O encontro que estava marcado para a maternidade teve que ser adiado. Os conspiradores, pessoas que desde o nosso nascimento nos tentaram dar a conhecer um ao outro, voltaram-se para outra hipótese: puseram-nos a morar na mesma terra. Em Paço de Arcos, e apesar de termos sido conterrâneos por três anos nunca se deu o acaso de nos conhecermos. Os nossos desencontros começavam a irritar os conspiradores que achando que o mal era da terra, deram instruções para que fossemos mudados a fim de promover o tal encontro que lhes escapava. Um qualquer mal-entendido lá na burocracia dos conspiradores veio ditar que eu me mudasse para Benavente e ela para Évora, a empresa dificultava-se e havia mesmo já umas certas dúvidas na mente dos maquinadores da conspiração quanto à certeza de outrora. Não desistindo, e acreditando numa fé superior, os conspiradores recorrem a tudo o que fosse possível para permear o tal encontro! Mas muito mais fariam como veremos de seguida, de resto, para encurtar a distância de Évora a Benavente criaram a Associação Jovem a Jovem com núcleos regionais tanto em Évora como em Benavente e à qual tanto eu como ela, nos associámos, eu em Benavente e ela em Évora. E mesmo assim o encontro não foi certo! Num encontro dos dois núcleos que eu organizei em Benavente e tendo à minha frente uma lista de contactos que incluía o dela, a verdade é que ela não veio! Os conspiradores perderam a paciência, houve uma conversa destas entre Évora e Benavente: »Epá! 'Tou farto disto! Já passaram quinze anos! Eu já não quero saber de mais conspiração nenhuma, ouve lá, nesse tal encontro que o puto 'tá a organizar vai alguma rapariga?!» «Vai sim, vai uma alentejana jogadora da bola...» «Ai é?! Então não é tarde nem é cedo, empurramo-los para cima um do outro a ver o que é que sai dali...» E até saiu qualquer coisa, mas a verdade é que este fruto da ira dos conspiradores estava condenado à partida.
Ainda no Jovem a Jovem, fui fazer uma formação a Reguengos e foi esta a oportunidade de ouro para os conspiradores, que embora à data a tenham deixado arrolar-se por um néscio qualquer, conseguiram fazer com que ela fosse cozinheira durante o regime de internato dessa tal formação! E foi aí que nos conhecemos finalmente!
(Breve nota histórica)
Foi da necessidade de promover o melhor conhecimento um do outro, que em finais dos anos noventa os conspiradores usaram todo o seu conhecimento técnico para desenvolver uma ferramenta que permitisse a comunicação entre pessoas à distância sem custos elevados. Os conspiradores desenvolveram o famosíssimo "msn messenger"! Pois é! Foi por nossa causa que inventaram o messenger!
A nossa aproximação foi tudo aquilo com que os conspiradores haviam sonhado há já quinze anos, mas de facto, o messenger não foi suficiente para manter-nos juntos e o afastamento permitiu de parte a parte que outros se aproximassem. Ainda durante esse período houve acasos misteriosos, como quando mudados para Lisboa, de todas as ruas fomos parar à mesma Rua Barão Sabrosa, e apesar dos acasos, tudo indicava que o papel dos conspiradores tinha sido inglório, mas eis que um esforço maior devolve a singularidade aos dois no espaço de uma semana! Os conspiradores, em geral já incrédulos do casal prostrados a uma canto a pensar onde teriam errado, erguiam agora as sobrancelhas e magicavam mais e melhores maneiras de nos aproximar novamente. Mas tal não aconteceria tão depressa, ou pelo menos assim eu pensava, porque de facto já estava a acontecer! Eu em mim mesmo encerro encantos que só o são perante ela assim como o contrário também acontece! Aqui devo abrir um pequeno parêntesis a que irei chamar "O Caso de Estudo", ora leiam:
Bem, ainda não disse mas sendo ela enfermeira e eu um acidentado nato, a atracção mútua parece inevitável, e eu, em conversas que se desenrolavam, acabava por desvendar sempre mais um episódio clínico que me tivesse acontecido. Resumido numa única conversa seria algo assim:
- Sabes que eu tive um Apgar 5! - digo eu meio orgulhoso!
- 5?! Que cena! Como é que é possível? Por isso é que tu és assim!
- Ah foi porque nasci com o cordão umbilical enrolado à volta do pescoço, estava cianótico e tudo!
- Ena pá! - admirou ela perante a minha voz cada vez mais melosa;
- Depois tive rubéola duas vezes!
- Ora! Isso é impossível!
- Mas tive mesmo! Não ganhei imunidade da primeira vez por isso apanhei duas vezes! - e ela cada vez mais encantada!
- Mas há mais! Logo passado uns meses descobriram-me uma cardiopatia congénita!
- Tens um sopro no coração!?
- Tenho, mas é um soprinho muito pequenino, não interessa a ninguém, já a cardiopatia fez o médico chamar todos os internos quando fui fazer a eco! - eu tenho esta capacidade de encantar tudo o que é pessoal médico...
- Depois disso foi mais trauma: parti a cabeça, a mão, fiz uma loxação nas duas rótulas, desloquei a clavícula, parti o nariz, fiz rupturas musculares, entorses, etc... - e à medida que eu ia dizendo isto ela acompanhava com ahh! e ohh! como quem vê um fogo de artifício!
- E essa cicatriz que tens no pescoço?
- Isto era um tumor que estava aqui embrenhado no plexo braquial, mas graças a Deus e ao histopatologista que o analisou veio revelar-se benigno!
Por último foi o dia em que era para ir beber café contigo numa tarde de sábado mas esbarrei contra uma acácia na noite anterior, fiz os golpes no joelho, no queixo, e a amputação do dedo...
E aqui é tudo aconteceu! É que para quem olha para feridas como eu olho para esparguete à carbonara, um politraumatizado é um docinho caído do céu! Entre mudas de pensos e arrancar de pontos os conspiradores que em tempos eram tão poucos, começaram a reunir conjectores mesmo no meio dos nossos amigos... Mas nada existia de facto e quando chegou o Verão (altura do ano aparentemente propícia) e nada aconteceu, os conspiradores reagiram num acto de fúria: "BASTA! Mandem-nos sozinhos para uma ilha!!" E fomos os dois para os Açores! E aí sim!
Parecia ser óbvio já para tantos, que aparentemente nós fomos mesmo os últimos a perceber! A conspiração havia de confirmar-se dez anos após aquele em que a conheci, e volvidos vinte e quatro sobre o início da conspiração, os conspiradores de então, puderam então descansar!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Saudades?!

Não, não morri! Desde o início de Julho (última data de publicação) fiz muita coisa, vejam:
Despachei as cadeiras todas na faculdade, peguei em mim e fui para o faial, passados quatro dias fui para o pico, fiz snorkling, mergulho, vi roazes, cachalotes e golfinhos comuns enquanto nadava, vi peixes-voadores, moreias, meros, vejas, bicudas, Thalassomas e Abudefdufs, peixe-porco, vi também águias, garajaus, cagarras. Vi grutas, algares, caldeiras, cones vulcânicos e lages. Comi queijos do pico, do faial e de são jorge, alcatra no forno, bicuda panada, filetes de peixe-porco pescado e amanhado por mim, lapas, cracas. Bebi gins tónicos na esplanada do Peter's Café Sport a ver o topo do Pico a sobressair nas nuvens, bebi verdelho de São Jorge, vinho morangueiro do Pico. Fui à festa na Madalena, em São Roque e na Horta, vi a rita red shoes, os deolinda, os buraka som sistema e evitei ver o mickael carreira. De volta ao continente passei em casa para apanhar o carro e levei a roupa suja nos açores e fui lavá-la ao algarve, pesquei e apanhei sol e passado uma semana voltei a lisboa. Desafiado por amigos voltei ao sul por mais uns dias desta vez em alvor. Uns dias na costa alentejana deram para uma limpeza subaquática em sines, um mergulho em porto covo e mais umas horas de sol na praia. Voltei ao norte mas não por muito tempo pois viria a passar um fim de semana no alqueva. Ao fim de uns dias em Lx e já com vontade de ir a algum lado, por sms chega o convite para fazer uma campanha de campo em tróia instalado no... troiaresort! Mais um fim de semana grande e andando de carro só parei em sevilha. Inscrevi-me na FCUL, no curso de patrão local e noutro de estatística.
E perguntam vocês, e não houve tempo para escrever nada no blogue?! E a verdade é que houve.. e temas também! Mas talvez não tenha havido paciência, agora que quebrei a inércia com este post que não tem outro propósito senão esse, podem esperar posts com maior regularidade! A reentré chegou!