sexta-feira, 3 de julho de 2009

P.Y.T

"You were such a P.Y.T
Catching all the lights
Just easy as A.B.C
That's how we make it right"

Justice

O melhor do mundo são as crianças! Têm aquela capacidade de maravilhar com os seus pequenos progressos o adulto menos impressionável, olhamos para elas quando nascem e vemos criaturas indefesas e fixamos aquela imagem da vulnerabilidade muito para além dos primeiros meses de vida do bebé, e o resultado é que à medida que elas vão crescendo, nós retemos a imagem dos primeiros tempos: chorar, comer e dormir, e ficamos estarrecidos a cada acção nova mostrada pelo bebé! É realmente encantador, e depois fazemos questão de anunciar ao mundo inteiro que «o meu filho já pega no biberão!!!». Eu já estou naquela idade, em que não tendo filhos, começo a ficar rodeado de amigos que os têm! Uns quiseram tê-los, outros não estando a pensar nisso, acolheram bem a ideia de os ter, já dizia o Balhanas «isto é como o totoloto, só sai a quem joga!!», mas dizia eu, vejo-me rodeado de amigos que já os têm e acabo por assistir, e encantar-me eu próprio com o crescimento dos miúdos! E depois, o que é ainda mais giro, é que o filho de um é sempre o mais esperto, o mais activo, o mais malandro, o mais tudo... Começa logo no nascimento, o puto nasce e o pai vem logo babar-se com os amigos mostrar uma foto do telemóvel «Epá, olha pra isto! O meu filho tem uns g'andas tomates!!!», mas depois os miúdos estão sempre a surpreender, e eu acho que para além do facto que disse em cima, que fixamos a imagem da vulnerabilidade, há ainda o facto de independentemente de o miúdo ser realmente um prodígio ou um verdadeiro estúpido, a expectativa é sempre em função do ambiente familiar, e por isso os paizinhos que não se dediquem a estimular o ambiente do bebé ficarão tão surpreendidos quanto aqueles que de tanta estimulação deixariam o mais zeloso pediatra embevecido, porque na realidade os miúdos vão sempre superar a nossa expectativa! A minha querida prima Rita, tinha alguns quatro anos quando o meu tio lhe perguntou «Oh rita andaste a mexer no computador?», sim porque aos quatro anos os putos "mexem" no computador, não o "usam", não é? E a minha querida prima rita respondeu do alto da sua idade menor «Andei! Troquei a password e agora não podes usar!».
Mas há coisas mais mundanas que não nos deixam de surpreender, imaginem uma avó (as avós tem muito jeito para contar as façanhas dos netos, metem-se com uma mão na anca, outra à frente da boca, e segredam para mais cinco velhas, como se as acções dos netos fossem secretas de tão inauditas) a dizer «Olha, eu vinha no metro mais a 'nha neta, entra um senhor negro muito alto e ela pergunta assim, ai como é que ela disse mesmo, ah pois foi! disse assim: (e depois imitam a fonética de uma criança de três anos) oh sinhore, poqué que o sinhore está tão escuio?»
Esta da fonética é que eu nunca entendi, é que eu falo com as crianças de três anos como falo com um catedrático, e convenhamos: não falo à bebé com um catedrático! Os popós, os memés, o tinóni, começo logo a franzir a cara, parecem o manjerico a falar, são miúdos, hão vir a falar como gente ou não? É a dizer «oh tóia sóia, tóia sóia?» que vai viver no nosso mundo? Se ainda fosse no dos Amigos do Gaspar...

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O Beijo

O beijo é uma coisa muito latina, não é? Eu acho que é, reparem lá: à excepção da bélgica que dão três beijos, e da rússia que dão só um na boca, só os latinos é que se beijam para se cumprimentarem. Os asiáticos têm arritmias só do mero contacto entre mãos, e os árabes então só uma troca de olhares dá logo direito a casamento. Mas nós não, nós beijamos até aquele que acabámos de conhecer! Agora, como é que fazemos quando estamos a lidar com aquele(a)-que-não-beija quando cumprimenta? Eu próprio já me vi metido numa situação destas e digo-vos que é estranho. Quando fui para os Estados Unidos, logo na primeira noite, são-me apresentadas as minhas "irmãs" que me estendem a mão, e eu naquela de tentar ser o mais caloroso possível, (pois porque nós apesar dos beijos indiscriminados, retraímo-nos na hora de beijar alguém num contacto mais formal)portanto eu não queria ser formal, agarro-lhe a mão sim senhor, mas logo a puxo para aviar dois beijos nas bochechas das americanas. Elas entre-olharam-se de sobrolho alçado como quem pensa «este miúdo está-se a esticar, não?!» todas vermelhas, percebi o momento estranho e lá lhes disse que em portugal beijamo-nos a toda à hora... e a partir daí, passaram a palavra às amigas delas, que já vinham de cara estendida para beijar o português, quando passavam lá em casa. O que não deixa de ser chato são aquelas pessoas que beijam por tudo e por nada, vejo-as de manhã: «Ah, dá cá dois beijinhos, nem dizes nada...» que isto é assim, um gajo entra calado mas cumprindo o ritual do beijinho, nem bons-dias precisa de dar, já o contrário não é verdadeiro. Depois, saímos antes do almoço: «Vais-te embora? E nem há dois beijinhos nem nada?!» Ou então também há aquelas situações de beijar uma mesa inteira de gente, pá, não dá mesmo! Eu acho que é por isso que os socialites só dão um beijo, toda a gente sabe que os socialites vão a muitos jantares e recepções, é que uma mesa com vinte pessoas são quarenta beijos, é muito beijo, e depois aquelas fintas que há sempre: eu dou o lado direito, ela dá o lado esquerdo, e depois vice-versa, como aquelas danças nos passeios passo-eu-passas-tu, e às tantas temos que voltar ao início do ritual que já estamos quase a dar um beijo é na boca, e nisto perde-se tempo, claro que se perde tempo, nesses casos é muito mais prático. Devia haver regras, como na náutica, em caso de colisão eu vou para a direita e tu vais para a direita, assim não há aqueles beijos à esquimó no manda a cara para um lado, manda a cara para o outro. Mas apesar de tudo isto eu gosto disto dos beijos, e acho piada identificar o beijo-próprio de cada pessoa, é claro que eu só identifico isto no universo feminino, poucos são os homens que beijo, lá os meus irmãos, o meu pai, algum amigo já com os copos também leva um beijinho, mas de resto é só mulheres. E como estava a dizer, acho mesmo piada ao beijo-próprio de cada uma, há aquelas que fazem aquele huumm ao beijar, é giro pá! revela ali uma certa dedicação, uma vontade em querer que o beijo não passe despercebido. E depois à aquele beijo repenicado, esse já não gosto tanto, fere-me os tímpanos. E por falar em tímpanos, há aqueles beijos dados nas orelhas que é uma coisa bem irritante, pá, tanta bochecha disponível, e vão-me beijar lá prás orelhas?! tenham dó. Eu pessoalmente, não dou propriamente beijos, é mais um encostar de bochecha, isto chega a irritar algumas mulheres, que logo reivindicam o seu direito inalienável de uns lábios encostados à sua bochecha, e eu acedo claro está!
Mas aqueles que mais me intrigam são mesmo os dos socialites, eu um dia destes ainda vou descobrir o porquê daquilo, é do elitismo? é dos tais jantares com muita gente? não sei... Eu fico sempre intrigado, quando me vejo nestes meios dou por mim, qual biólogo, a tentar escrutinar os meandros deste comportamento. A cada pessoa que chega eu fico a ver: dá a face esquerda ou dá a face direita? e quando dá outro beijo a outra pessoa, mantém a mesma face ou já oferece a outra? Depois estas coisas de elitismos dá azo a que as pessoas se previnam: antes de dar a cara avisam logo, até parece que estamos a brincar ao "quantos queres", dizem «dois beijinhos!» ou então «um beijinho!», porque senão é chato, eu pessoa-que-dá-dois-beijos vou pronto para os dar e a pessoa-que-dá-um-beijo deixa-me de cara pendurada...