"You were such a P.Y.T
Catching all the lights
Just easy as A.B.C
That's how we make it right"
Justice
O melhor do mundo são as crianças! Têm aquela capacidade de maravilhar com os seus pequenos progressos o adulto menos impressionável, olhamos para elas quando nascem e vemos criaturas indefesas e fixamos aquela imagem da vulnerabilidade muito para além dos primeiros meses de vida do bebé, e o resultado é que à medida que elas vão crescendo, nós retemos a imagem dos primeiros tempos: chorar, comer e dormir, e ficamos estarrecidos a cada acção nova mostrada pelo bebé! É realmente encantador, e depois fazemos questão de anunciar ao mundo inteiro que «o meu filho já pega no biberão!!!». Eu já estou naquela idade, em que não tendo filhos, começo a ficar rodeado de amigos que os têm! Uns quiseram tê-los, outros não estando a pensar nisso, acolheram bem a ideia de os ter, já dizia o Balhanas «isto é como o totoloto, só sai a quem joga!!», mas dizia eu, vejo-me rodeado de amigos que já os têm e acabo por assistir, e encantar-me eu próprio com o crescimento dos miúdos! E depois, o que é ainda mais giro, é que o filho de um é sempre o mais esperto, o mais activo, o mais malandro, o mais tudo... Começa logo no nascimento, o puto nasce e o pai vem logo babar-se com os amigos mostrar uma foto do telemóvel «Epá, olha pra isto! O meu filho tem uns g'andas tomates!!!», mas depois os miúdos estão sempre a surpreender, e eu acho que para além do facto que disse em cima, que fixamos a imagem da vulnerabilidade, há ainda o facto de independentemente de o miúdo ser realmente um prodígio ou um verdadeiro estúpido, a expectativa é sempre em função do ambiente familiar, e por isso os paizinhos que não se dediquem a estimular o ambiente do bebé ficarão tão surpreendidos quanto aqueles que de tanta estimulação deixariam o mais zeloso pediatra embevecido, porque na realidade os miúdos vão sempre superar a nossa expectativa! A minha querida prima Rita, tinha alguns quatro anos quando o meu tio lhe perguntou «Oh rita andaste a mexer no computador?», sim porque aos quatro anos os putos "mexem" no computador, não o "usam", não é? E a minha querida prima rita respondeu do alto da sua idade menor «Andei! Troquei a password e agora não podes usar!».
Mas há coisas mais mundanas que não nos deixam de surpreender, imaginem uma avó (as avós tem muito jeito para contar as façanhas dos netos, metem-se com uma mão na anca, outra à frente da boca, e segredam para mais cinco velhas, como se as acções dos netos fossem secretas de tão inauditas) a dizer «Olha, eu vinha no metro mais a 'nha neta, entra um senhor negro muito alto e ela pergunta assim, ai como é que ela disse mesmo, ah pois foi! disse assim: (e depois imitam a fonética de uma criança de três anos) oh sinhore, poqué que o sinhore está tão escuio?»
Esta da fonética é que eu nunca entendi, é que eu falo com as crianças de três anos como falo com um catedrático, e convenhamos: não falo à bebé com um catedrático! Os popós, os memés, o tinóni, começo logo a franzir a cara, parecem o manjerico a falar, são miúdos, hão vir a falar como gente ou não? É a dizer «oh tóia sóia, tóia sóia?» que vai viver no nosso mundo? Se ainda fosse no dos Amigos do Gaspar...
Há 16 anos