O beijo é uma coisa muito latina, não é? Eu acho que é, reparem lá: à excepção da bélgica que dão três beijos, e da rússia que dão só um na boca, só os latinos é que se beijam para se cumprimentarem. Os asiáticos têm arritmias só do mero contacto entre mãos, e os árabes então só uma troca de olhares dá logo direito a casamento. Mas nós não, nós beijamos até aquele que acabámos de conhecer! Agora, como é que fazemos quando estamos a lidar com aquele(a)-que-não-beija quando cumprimenta? Eu próprio já me vi metido numa situação destas e digo-vos que é estranho. Quando fui para os Estados Unidos, logo na primeira noite, são-me apresentadas as minhas "irmãs" que me estendem a mão, e eu naquela de tentar ser o mais caloroso possível, (pois porque nós apesar dos beijos indiscriminados, retraímo-nos na hora de beijar alguém num contacto mais formal)portanto eu não queria ser formal, agarro-lhe a mão sim senhor, mas logo a puxo para aviar dois beijos nas bochechas das americanas. Elas entre-olharam-se de sobrolho alçado como quem pensa «este miúdo está-se a esticar, não?!» todas vermelhas, percebi o momento estranho e lá lhes disse que em portugal beijamo-nos a toda à hora... e a partir daí, passaram a palavra às amigas delas, que já vinham de cara estendida para beijar o português, quando passavam lá em casa. O que não deixa de ser chato são aquelas pessoas que beijam por tudo e por nada, vejo-as de manhã: «Ah, dá cá dois beijinhos, nem dizes nada...» que isto é assim, um gajo entra calado mas cumprindo o ritual do beijinho, nem bons-dias precisa de dar, já o contrário não é verdadeiro. Depois, saímos antes do almoço: «Vais-te embora? E nem há dois beijinhos nem nada?!» Ou então também há aquelas situações de beijar uma mesa inteira de gente, pá, não dá mesmo! Eu acho que é por isso que os socialites só dão um beijo, toda a gente sabe que os socialites vão a muitos jantares e recepções, é que uma mesa com vinte pessoas são quarenta beijos, é muito beijo, e depois aquelas fintas que há sempre: eu dou o lado direito, ela dá o lado esquerdo, e depois vice-versa, como aquelas danças nos passeios passo-eu-passas-tu, e às tantas temos que voltar ao início do ritual que já estamos quase a dar um beijo é na boca, e nisto perde-se tempo, claro que se perde tempo, nesses casos é muito mais prático. Devia haver regras, como na náutica, em caso de colisão eu vou para a direita e tu vais para a direita, assim não há aqueles beijos à esquimó no manda a cara para um lado, manda a cara para o outro. Mas apesar de tudo isto eu gosto disto dos beijos, e acho piada identificar o beijo-próprio de cada pessoa, é claro que eu só identifico isto no universo feminino, poucos são os homens que beijo, lá os meus irmãos, o meu pai, algum amigo já com os copos também leva um beijinho, mas de resto é só mulheres. E como estava a dizer, acho mesmo piada ao beijo-próprio de cada uma, há aquelas que fazem aquele huumm ao beijar, é giro pá! revela ali uma certa dedicação, uma vontade em querer que o beijo não passe despercebido. E depois à aquele beijo repenicado, esse já não gosto tanto, fere-me os tímpanos. E por falar em tímpanos, há aqueles beijos dados nas orelhas que é uma coisa bem irritante, pá, tanta bochecha disponível, e vão-me beijar lá prás orelhas?! tenham dó. Eu pessoalmente, não dou propriamente beijos, é mais um encostar de bochecha, isto chega a irritar algumas mulheres, que logo reivindicam o seu direito inalienável de uns lábios encostados à sua bochecha, e eu acedo claro está!
Mas aqueles que mais me intrigam são mesmo os dos socialites, eu um dia destes ainda vou descobrir o porquê daquilo, é do elitismo? é dos tais jantares com muita gente? não sei... Eu fico sempre intrigado, quando me vejo nestes meios dou por mim, qual biólogo, a tentar escrutinar os meandros deste comportamento. A cada pessoa que chega eu fico a ver: dá a face esquerda ou dá a face direita? e quando dá outro beijo a outra pessoa, mantém a mesma face ou já oferece a outra? Depois estas coisas de elitismos dá azo a que as pessoas se previnam: antes de dar a cara avisam logo, até parece que estamos a brincar ao "quantos queres", dizem «dois beijinhos!» ou então «um beijinho!», porque senão é chato, eu pessoa-que-dá-dois-beijos vou pronto para os dar e a pessoa-que-dá-um-beijo deixa-me de cara pendurada...
Há 16 anos
3 comentários:
Realmente o pré-aviso do "um beijinho" é parvo porque nunca se sabe se dizem "beijinho" por ser uma palavra gira de se dizer ou se vão mesmo DAR SÓ UM BEIJINHO.
Além de que parece quando as pessoas dão a tacada no golfe e gritam "BOLA!".
Mas a solução é sempre esta: deixar o amigo ir à frente.
Pessoalmente, a quem conheço, tenho preferência por aplicar uma técnica mista - um dá o beijo, o outro a cara, com alternância de papeis. Assim, cada qual tem direito a dar e receber um beijo digno da designação. Claro está que para com desconhecidos, compreenda-se desconhecidas, se utiliza o beijo-cumprimento padrão - dois "beijinhos".
Não sou também gente de muitos beijos. Torna-se inconveniente, vulgo aborrecido, quando existe uma grande multidão feminina a cumprimentar. A intrepretação sequencial do "para cá, ou para lá", na pressa de despachar a coisa, e acima de tudo a banalização do acto que é suposto ser de união levam-me a vontade.
ja nao me lembro o que escrevi
mas fica aqui o beijo mais longo da historia da musica (e deste nao falas tu.. seu recalcado sentimental!)
http://www.youtube.com/watch?v=eVsQtWhDQx4 (isto nao deixou incorporar o video... blogs da tanga)
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