O Engenheiro Manuel Miguel era meu tio-avô. Chamavamos-lhe tio Miguel, era de Benavente, engenheiro agrónomo tirou o curso no Instituto Superior de Agronomia, no outro dia espreitei o livro da sua tese de fim de curso, umas espessas quinhentas páginas todas batidas à máquina e depois serigrafadas uma a uma com uma moldura em tinta azul, hoje seria inimaginável.
A minha família, à geração dele, tinha algumas terras e outras alugadas onde se dedicavam à agro-pecuária. Com uma boa relação com os empregados e o resto da população de Benavente, foi também graças ao Engº Manel Miguel que o Verão Quente de setenta e cinco passou fresco em Benavente, ao contrário do que aconeceu, por exemplo, com o caso documentado do Duque de Lafões na sua Herdade da Torre Bela.
O meu tio Miguel tinha um hábito tido por muitos de nós, Souza Dias, que era o de lêr o jornal de manhã no café ao pequeno almoço. No café do costume era esperado todos os dias o Sr. Engº, mas não para dar conselhos de agricultura... No café havia um caõzinho, e o meu tio pedia um queque para comer enquanto lia o jornal. Lia uma página, mordiscava o queque e pendurava o braço que o segurava, o cão, já habituado àquela rotina, vinha rastejando e mordiscava também ele o queque, mas só um pedacinho! O meu tio não dava por nada, absorto nas notícias matutinas, lia mais uma página e dava mais uma dentadinha no bolo, e o sacana do cão, esperava que ele pendurasse o braço e novamente fazia o gosto ao dente! Era por isto que o meu tio era esperado no café! Como se divertiam as pessoas por ver o engenheiro partilhar um queque com o cão todos os dias!
Há 16 anos
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