"Há sempre um Vasco da Gama num marujo português"
Artur Ribeiro
Acordar com o Sol, vestir os calções de banho, ainda húmidos dos banhos do dia anterior, no caminho para a ria fumar o primeiro cigarro do dia, o fumo e a húmidade com cheiro a terra molhada marcam-me memórias infinitas: recordo estes dias a cada inalação destas. Formosa, a ria, espera-me espelhada, sem ponta de brisa. O barco, apoitado no meio da água, aproa a este: a maré desce. Nado até ao barco fora de pé, agarro a alheta, como que convidando, o barco adorna-se para eu subir a bordo. Limpar o convés, ligar os instrumentos, mergulhar o motor, tentar ligá-lo e outra vez... Faltava fechar o ar. Ligo-o, em ponto morto, subo à proa para desatar o lais de guia que nos prende à poita. Marcha avante no primeiro zarpar do dia, sempre, para cumprir a superstição passada por quem me ensinou a velejar.
Zarpamos!
Que indescritível sensação! Quanta vontade de dar novos mundos ao mundo, dobrar cabos, passar ainda além da Taprobana!!! Na verdade apenas atravesso a ria formosa de barco a motor, mas sempre que zarpo, mesmo que seja da Ria Formosa ou do cais de Vila Franca de Xira, sinto ainda e sempre esse arrepio no peito, essa vontade de gritar ao mais ínfimo calhau que me altera o rumo: MANDA A VONTADE QUE ME ATA AO LEME!
Rasgo o mar rumo ao desconhecido, piso a proa de cara ao vento e mão no peito, inspiro a maresia, qualquer passeio é uma travessia!
Há 16 anos
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