terça-feira, 23 de setembro de 2008

Porque escrevo?

Por várias vezes sou assaltado por esta questão, devo escrever? Chama-se a isto escrever? Penso no, por uma vez já citado como o maior poeta vivo, Vasco Graça Moura, e reflicto - que literal e insolente ousadia o acto de escrever mediocremente numa página de internet, sinto-me uma rémora que paparica os restos que sobram desse exercício maior que é a escrita de Graça Moura. Não o procuro imitar, não saberia como.
Não depletando o conteúdo, admiro sobretudo o forma de Graça Moura, não será então pela escrita porque escrevo, será pelo que digo?
Relatórios científicos poderão ser excitantes na sua leitura usando apenas linguagem técnica, se aquilo que disserem for aliciante a linguagem pode ser simples. Será a minha mensagem tentadora? Não poderei ser tão hilariante como Markl ou Araújo Pereira, tão faccioso como Nuno Delgado, tão resmungão como Pulido Valente, tão perspicaz como Ferreira Fernandes ou prolífero como Pacheco Pereira...
Certo, não serei nada disto, a minha escrita não encantará o mundo, nem trarei a mensagem nunca lida, mas escrevo para mim como partilha de vidas, acontecimentos, encantamentos e desagrados e principalmente como registo "publicado" daquilo que me acontece. Quem não quiser, não leia.

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