segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Não te rias , Fidel!

É feio rir da desgraça alheia. Não te rias, Fidel! Aparentemente, o capitalismo falhou, e foi uma falha muito cara! Pelo menos, setecentos mil milhões de dólares, é um sete com onze zeros a seguir!!! Este é o valor que os americanos vão pagar, os europeus não pagarão tanto, mas também vão largar a nota... Vendo bem aquele país que está de facto imune a esta crise é Cuba! O isolamento imposto pelos U.S. of A., acaba por livrar os cubanitos deste crash bolsista...
Nós, temos estado a olhar para o ar, cagados de medo, a ver se não nos cai nenhum morteiro financeiro em cima, e já temos aqui umas crateras ao lado, primeiro da AIG e agora do FORTIS.
Do lado de cá, já se viu com o FORTIS e AIG, fora os outros bancos semi-capitalizados por essa Europa fora, que ainda nada está pacífico... Por outro lado, se os britânicos começavam a odiar o Gordon Brown, nesta fase não podiam ter melhor comandante para esta guerra financeira, senão o homem que "protegeu" e protege ainda o U.K. do euro e que controla de perto a economia britânica já desde o tempo do Tony.
O Chávez e o Fidel riem-se dos capitalistas e comentam: "Que estúpidos! Estes gajos deixam as empresas privadas ter prejuízo, e depois compram-no!!! Nós somos bem mais coerentes: deixamos as empresas privadas instalarem-se cá e depois nacionalizamos o lucro! Na China, é difícil dizer se estamos perante capitalismo ou "socialismo": as empresas que dão lucro são nacionalizadas e as que dão prejuízo são privatizadas. Vende-se o prejuízo e compra-se o lucro!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sei Lá

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
A vida tem sempre razão

Vinicius de Moraes

Há coisas sobre as quais não posso pensar, são superiores a mim. A morte, a sua irreversibilidade e o conceito de Infinito. São os extremos, dum lado a mais elementar certeza dos Homens, que é a morte, o finito, e do outro a eternidade sem começo nem fim.
Cada vez que penso - ok, estou em Lisboa, Portugal na Terra, no Sistema Solar num braço da galáxia Andrómeda chamado Via Láctea, depois há outras galáxias... e a seguir? Nunca mais acaba? E se acaba, qual é o limite? É de uma angústia acutilante, sinto as pernas a fraquejar, o olhar fixo no vazio a tentar conceber o Infinito...
A morte, irreversível, certa, é só uma questão de tempo... Não posso deixar de pensar nela, quando uma mulher morreu atropelada na rua onde passo diariamente, quando fui operado, quando fico doente... Que posso eu dizer? Sou um existencialista, interrogo a minha existência, não a percebo senão como um acontecimento fortuito, sucessões de acontecimentos aleatórios desde o quê, Big Bang?, da origem da vida? até à minha morte. Teve que ocorrer o Big Bang, depois a vida, seres multicelulares, uma tal quantidade de bichos meus percursores a crescer sobreviver e reproduzir-se, evoluir... Visto assim a minha existência é impossível! Bom, virtualmente impossível, dado que se foram necessários triliões, diria mais, infinitos acontecimentos independentes para eu existir, então a probabilidade de apenas um deles não acontecer é certa, portanto, 1! Eu não existo!

Agressividade

Inicio a minha formação em Comportamento Animal, uma cadeira da faculdade. Por enquanto a minha referência maior é Konrad Lorenz, vencedor do prémio Nobel, li os seus livros entre os quais "A Agressão". Fica definido que a agressividade ocorre principalmente a nível intra-específico, lutas por fêmeas, território, hierarquia social... Na predação não há agressividade, os lobos não rosnam às renas, a agressão pressupõe repugnância, indica o espaço vital do organismo, a densidade define-se.
Não resumirei o livro, apenas parto deste parágrafo para ilustrar algo para mim incompreensível durante algum tempo, mas que agora admito ter a solução.
Compreendo a preocupação das pessoas pelos animais, a sua dedicação e capacidade de se mobilizarem perante uma causa comum, as peles, as touradas, as baleias caçadas para fins "científicos", as focas mortas à paulada... Ao mesmo tempo morrem talvez em igual ou superior número Homens à fome, sede, guerras, genocídios...
Vendo as notícias, os amigos dos animais comem e calam as notícias da tragédia humana mas rebentam de fúria para reagir às más novas referentes a animais... Não parece Humano.
Será da agressividade? Entre pares a luta é certa e natural, pela luta por poder ou recursos os Homens matar-se-ão uns aos outros. Mas Homens a maltratar animais, não é natural e por isso mais repugnante para alguns do que imagens de homens mutilados por guerras.

Marujo Português

"Há sempre um Vasco da Gama num marujo português"
Artur Ribeiro

Acordar com o Sol, vestir os calções de banho, ainda húmidos dos banhos do dia anterior, no caminho para a ria fumar o primeiro cigarro do dia, o fumo e a húmidade com cheiro a terra molhada marcam-me memórias infinitas: recordo estes dias a cada inalação destas. Formosa, a ria, espera-me espelhada, sem ponta de brisa. O barco, apoitado no meio da água, aproa a este: a maré desce. Nado até ao barco fora de pé, agarro a alheta, como que convidando, o barco adorna-se para eu subir a bordo. Limpar o convés, ligar os instrumentos, mergulhar o motor, tentar ligá-lo e outra vez... Faltava fechar o ar. Ligo-o, em ponto morto, subo à proa para desatar o lais de guia que nos prende à poita. Marcha avante no primeiro zarpar do dia, sempre, para cumprir a superstição passada por quem me ensinou a velejar.
Zarpamos!
Que indescritível sensação! Quanta vontade de dar novos mundos ao mundo, dobrar cabos, passar ainda além da Taprobana!!! Na verdade apenas atravesso a ria formosa de barco a motor, mas sempre que zarpo, mesmo que seja da Ria Formosa ou do cais de Vila Franca de Xira, sinto ainda e sempre esse arrepio no peito, essa vontade de gritar ao mais ínfimo calhau que me altera o rumo: MANDA A VONTADE QUE ME ATA AO LEME!
Rasgo o mar rumo ao desconhecido, piso a proa de cara ao vento e mão no peito, inspiro a maresia, qualquer passeio é uma travessia!

Porque escrevo?

Por várias vezes sou assaltado por esta questão, devo escrever? Chama-se a isto escrever? Penso no, por uma vez já citado como o maior poeta vivo, Vasco Graça Moura, e reflicto - que literal e insolente ousadia o acto de escrever mediocremente numa página de internet, sinto-me uma rémora que paparica os restos que sobram desse exercício maior que é a escrita de Graça Moura. Não o procuro imitar, não saberia como.
Não depletando o conteúdo, admiro sobretudo o forma de Graça Moura, não será então pela escrita porque escrevo, será pelo que digo?
Relatórios científicos poderão ser excitantes na sua leitura usando apenas linguagem técnica, se aquilo que disserem for aliciante a linguagem pode ser simples. Será a minha mensagem tentadora? Não poderei ser tão hilariante como Markl ou Araújo Pereira, tão faccioso como Nuno Delgado, tão resmungão como Pulido Valente, tão perspicaz como Ferreira Fernandes ou prolífero como Pacheco Pereira...
Certo, não serei nada disto, a minha escrita não encantará o mundo, nem trarei a mensagem nunca lida, mas escrevo para mim como partilha de vidas, acontecimentos, encantamentos e desagrados e principalmente como registo "publicado" daquilo que me acontece. Quem não quiser, não leia.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Lisboa... Viva?

Chamo a atenção para o cidadão incauto para o panorama dos transportes públicos em Lisboa. O Lisboa Viva é um cartão rígido com um chip, o qual se pode carregar com passes de trinta dias. Estes passes podem ser do metro, carris, fertagus, transtejo, tst, cp, etc... Os cartões Viva Viagem e 7 Colinas são cartões de papel, igualinhos na sua função, também com chip, com um custo de cinquenta cêntimos, reembolsáveis no prazo de cinco dias, e servem apenas para viagens avulsas. Excepto se for utilizado o serviço "zapping" no qual se carregam estes cartões com dinheiro em vez de viagens e podem ser utilizados simultaneamente no metro e carris descontando o respectivo valor da viagem.
Se tem um cartão Lisboa Viva carregado com um passe, não pode carregar viagens avulsas de nenhum outro transporte.
Se o cartão Lisboa Viva não estiver carregado com nenhum passe, ainda assim não pode ser carregado com viagens avulsas.
Se tem um dos cartões Viva Viagem ou 7 Colinas carregado com uma viagem avulsa de qualquer transporte público não pode carregá-lo com viagens de outro.
Se tem um dos cartões Viva Viagem ou 7 Colinas com o serviço de "zapping" activo terá de comprar outro cartão se quiser viajar noutro transporte.
Se tem um dos cartões acima referidos estime-o muitíssimo bem, por ser de papel estraga-se facilmente e não será reembolsado, quer pelo dinheiro nele gasto quer pelo dinheiro nele inserido.
Se tiver carregado um dos ditos cartões com uma viagem, saiba que validar o cartão no leitor próprio para esse efeito não é suficiente para evitar uma multa: tem que manter consigo o talão que comprova o pagamento da viagem.
Se reclamar no livro de reclamações sobre as inconveniências destes cartões, a Metro de Lisboa responder-lhe-á que os cartões são muito vantajosos.
Confuso?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Vindimando

A minha ausência nos últimos dias deveu-se ao facto de ter estado a vindimar. O que se supunha ser um trabalho de um dia arrastou-se por mais dois, e com reforço de pessoal( eu, os meus dois irmãos, três amigos do meu irmão mais novo, os dois caseiros e ainda os reforços, os quatros contratados), caso contrário teria lá estado mais um dia...
Foi o primeiro ano, e tendo isso em consideração não posso dizer que tenha corrido mal. Estas primeiras vindimas viriam a marcar-me para toda a vida: com a tesoura da poda abri a cabeça do dedo o suficiente para deixar uma valente cicatriz. Foi bastante duro, pegar às sete da manhã com frio, colher os cachos e escolher as uvas, recusar as passas e as podres, percorrer todas as horas de maior calor, excepto a da uma às duas reservada ao almoço, e acabar ao ritmo do sol lá para as sete da tarde. Foram três dias a dormir cinco horas por dia e a trabalhar de sol a sol, pelo meio ainda sobraram picadas de pulgas, um escaldão enorme nos braços e cachaço e algumas ameaças concretizadas das vespas...
Que nem o Alberto Caeiro, tornámos-nos todos em trabalhadores do campo, ignorámos as notícias, não lemos o jornal nem romances, não pegamos nos livros da escola nem nos divertimos nas descontraídas saídas à noite, os nossos prazeres foram comer, dormir, mijar e cagar e por vezes alguma picardia jocosa no decorrer do trabalho... Como é possível ter um vida cheia assim tão simplesmente? O prazer de trabalhar está no trabalho. Se este for bem feito, com brio e aprumo, físico, será tão recompensador e cansativo que nos deitaremos felizes...Porque não temos tempo para pensar. Não precisamos de saber das tragédias do mundo nem dos bens materiais que nos cobiçam, e dizia o poeta: "não sei o que penso/ Nem procuro sabê-lo."
Os caseiros da vinha são um casal de Ucranianos, Slava e Svieta. Vemos o trabalho de maneira diferente, isso é certo, porque é que nos países ex-URSS vão para o trabalho a sorrir e nós, os latinos, vimos a sorrir do trabalho? Há uma teoria da qual partilho, que aponta o dedo à religião e não só. Nós temos uma cultura cristã, na qual o trabalho é um sacrifício, comeremos o pão com o suor do nosso rosto, dizemos: "Porra! Esta semana vou ter que trabalhar setenta horas! Não tenho sorte nenhuma!". Já os Ucranianos têm uma cultura ortodoxa e ainda a herança comunista: o principal é ter trabalho, o que se faz e quanto se ganha é secundário, mas não ter trabalho é uma vergonha perante a sociedade. Para além disso a ditadura comunista exigia rigor, não é permitido falhar, qualquer falha será encarada como uma traição à pátria que espera do operário apenas o melhor de si. Na religião cristã as falhas podem SEMPRE ser redimidas, o arrependimento abrirá sempre as portas do céu.
As conversas da vindima eram poucas... Medíamos a qualidade do nosso trabalho, olhando para os Ucranianos - onde é que eles estão? Ah! Estão ali, então nós estamos a trabalhar bem! - Outro miúdo dizia - Quando for pai, se algum dia um filho meu chumbar, vem trabalhar para as vindimas p'ra ver o que é bom! - Um dos contratados gracejava para a pouco afortunada mulher picada por uma vespa - Mais vale uma mão inchada, que uma enxada na mão!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Monde Diplomatique

Ontem vinha no jornal que na Suíça, por lei, os porcos têm direito a um chuveiro e que os piriquitos e hamsters têm direito a ter companhia da mesma espécie...
Eu acho fofo esta preocupação com os animais de estimação, como é bonito ver que na Suíça os hamsters e piriquitos podem viver sempre acompanhados e os porcos podem livrar-se desse estigma: serem porcos, sujos! Quanto aos hamsters e piriquitos eu acho que aprovaram a lei para que ninguém, ou muito pouca gente, quisesse ter os ditos bichos em casa, porque se um deles morre, lá temos de correr até à loja de animais comprar outro animal para acompanhar o viúvo, e outro a seguir à morte deste, e assim eternamente, sob pena de incorrermos nalguma contra-ordenação e pagarmos uma pesada multa! E nisso os Suíços não perdoam.
Mas dizia eu, na Suíça podemos ser o maior filho da puta à face da terra, falo de nazis, barões da droga, corruptos de toda a espécie, mas ainda assim eles aceitam guardar o nosso dinheiro, sem fazer perguntas...
O mundo pode entrar em guerra, mas para sempre a Suíça manter-se-á neutral...
Todos os cidadãos homens são militares na reserva, mas a única coisa que fazem é a guarda do Papa, e diga-se, com uma farda bonita!
No entanto, é um país inevitável, é como aquele gajo que odiamos da nossa família, o tio afastado, bem sucedido, snob, veste-se mal, é grunho mas trabalha que nem um relógio suíço e como é de família temos de o gramar. Não podemos ficar sem a indústria farmacêutica e biotecnologia, nem engenharia de precisão como a relojoaria, agora digam lá a alguém no parlamento europeu para exigir à Suíça que deixe de acolher dinheiro sujo...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O nome do Furacão

Eram identificados os furacões pelas suas coorndenadas, o que, diga-se de passagem, é tão conveniente como tirar o azimute a uma vaca. Passaram a ter nomes. No ínicio, lá para o século XIX, os nomes eram dados pelo dia do santo em que chegavam, Santa Ana vinte e seis de julho, São Felipe treze de Setembro.
Entretanto, passámos a estudar melhor os fenómenos meteorológicos e percebemos que os furacões eram antes tempestades tropicais e ainda antes apenas depressões tropicais, e passou-se a baptizar as tempestades, que manteriam o nome se chegassem a furacão. Em mil novecentos e cinquenta e três, por regras internacionais, e para descartar uma nomenclatura confusa dos americanos, passou a atribuir-se nomes femininos por ordem alfabética às tempestades que surgissem no atlântico. Durante uns anos valentes a desgraça vinha sempre no feminino, anna carol edna diane. No país onde nasceu o feminismo isto estava condenado a ser alterado, e em setentas o baptismo seria alternadamente com nomes masculinos e femininos. Pouca sorte tiveram as feministas porque nos anos seguintes os furacões mais destrutivos foram os femininos. Quando são particularmente destrutivos, os nomes dos respectivos furacões são banidos, não vá o traumatizado caribense pensar que o mesmo furacão voltou para acabar o que que tinha começado, tenho a certeza de que se os americanos soubessem que se estava a formar uma depressão tropical chamada Katrina, punham-se logo a fazer as malas...
O Gustav já se acabou, a Hanna já vem a caminho, depois é a vez do Ike, que se der tanta porrada aos caribenses como deu à Tina Turner, não se adivinha nada fácil!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Engº Manel Miguel

O Engenheiro Manuel Miguel era meu tio-avô. Chamavamos-lhe tio Miguel, era de Benavente, engenheiro agrónomo tirou o curso no Instituto Superior de Agronomia, no outro dia espreitei o livro da sua tese de fim de curso, umas espessas quinhentas páginas todas batidas à máquina e depois serigrafadas uma a uma com uma moldura em tinta azul, hoje seria inimaginável.
A minha família, à geração dele, tinha algumas terras e outras alugadas onde se dedicavam à agro-pecuária. Com uma boa relação com os empregados e o resto da população de Benavente, foi também graças ao Engº Manel Miguel que o Verão Quente de setenta e cinco passou fresco em Benavente, ao contrário do que aconeceu, por exemplo, com o caso documentado do Duque de Lafões na sua Herdade da Torre Bela.
O meu tio Miguel tinha um hábito tido por muitos de nós, Souza Dias, que era o de lêr o jornal de manhã no café ao pequeno almoço. No café do costume era esperado todos os dias o Sr. Engº, mas não para dar conselhos de agricultura... No café havia um caõzinho, e o meu tio pedia um queque para comer enquanto lia o jornal. Lia uma página, mordiscava o queque e pendurava o braço que o segurava, o cão, já habituado àquela rotina, vinha rastejando e mordiscava também ele o queque, mas só um pedacinho! O meu tio não dava por nada, absorto nas notícias matutinas, lia mais uma página e dava mais uma dentadinha no bolo, e o sacana do cão, esperava que ele pendurasse o braço e novamente fazia o gosto ao dente! Era por isto que o meu tio era esperado no café! Como se divertiam as pessoas por ver o engenheiro partilhar um queque com o cão todos os dias!

Benaventices (III) cont.

No último post dexei de fora, imperdoavelmente, algumas personagens que agora enuncío.
O Lenine, agarrado, já disse uma senhora que seria capaz de o reconhecer, mesmo à distância, pela sua maneira de andar: com o corpo inclinado um pouco para a frente, andar ligeiramente saltitante e os braços balançando paralelamente ora para a esquerda, ora para a direita! É tonto, porque a heroína não faz nada bem, e para acrescentar, como qualquer heroinómano, tem os dentes todos podres.
O Pedreneira, não é propriamente tonto, ele que me perdoe, simplesmente pedala a biciclete com os calcanhares, coisa que nunca vi outra pessoa fazer!
O João Samoca, also known as Barba Azul, arquiinimigo do João Raso, talvez por padecerem do mesmo mal.
O auto-intitulado Presidente do Sindicato dos Bêbedos (até mandou fazer um cartão, que mostra sempre que se apresenta, para atestar o seu cargo), tem a mania de surgir de mansinho por trás das pessoas, beliscar-lhes a perna e emitir um latido.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Benaventices (III)

Já tinha feito referência ao filme AMARCORD, o título junta as palavras Amar e Recordar, fala da infância do realizador na sua terra, que como todas, tem um tontinho que ajuda a narrar a história.
Em benavente não há um tontinho, há vários, e esta descrição dos tontos de benavente, que farei em seguida, poderá ser chamada de benaventice, embora toda a terra tenha o seu tonto, porque estes tontos são específicos desta terra, quais espécies endémicas de uma dada região.
São tantos que os enunciarei à medida que forem surgindo na minha memória. Porventura o mais conhecido, o João Raso, cabelo branco aos caracóis, dentes muito tortos, e uns óculos bastante grossos, a sua tontice resulta de um qualquer atraso. Faz recados, e adora circo, ao ponto de certa vez, enquanto o circo Cardinalli passava por benavente, se ter apresentado como representante da câmara municipal e pediu que o circo ficasse mais uma noite, e o circo ficou!
O Lapin (coelho em francês) desconheço a origem do nome, hoje passeia-se pela avenida de roma, em lisboa, ora em direcção ao Júlio de Matos, ora na direcção contrária. Foi à guerra veio maluco, mandava piropos às mulheres, quando não conseguia jogar-lhes a mão.
O Lacrau, a sua tara era coxear apenas quando atravessava a passadeira...
O Luís Badeu, bisneto do primeiro Badéu tonto, assim ficou quando gaseado com gás mostarda na Primeira Guerra. Andou comigo na escola, para desespero da professora que recorria às cavacas da lenha para tentar impor-se ao Badéu.
A família setenta, primos dos Badéus logo a loucura é semelhante, o setenta mais velho perdeu para uma bomba raposa os três dedos do meio duma mão, ficaria famoso em benavente pela frase - São quatro imperiais e um panaché - enquanto gesticulava um "hang loose".
O Miguelito, foi comando na guerra colonial.
O Branquinho era esquizofrénico, era um intelectual auto-didata, também bebia absinto.
O Tonho-Caco, também é fruto da guerra, com uma grande barba tem um certo aprumo no vestir, usa colete debaixo do casaco, e por vezes lenço ao pescoço, sendo a roupa oferecida, não é de estranhar uns jeans femeninos à boca de sino com umas flores lexiviadas nas pernas! Pede cigarros a todo o mundo que depois guarda na orelha para fumar à noite.
Há muitos mais! Na minha família mais alguns! Mas o texto já vai longo, fica para outro post!

Tenham medo!

Hoje acordei e fui ver as notícias da manhã na televisão. Dizia o pivot em voz off naqueles segundos de publicidade que antecedem as notícias: "Quatro assaltos esta madrugada em Lisboa". Brilhante! Agora, um cidadão já não sai à rua incauto! A meteorologia já estamos habituados, antes de sair espreitamos o que diz o senhor ou a menina da meteorologia, e, com base na sua aposta, tantas vezes perdida, preparamos a nossa indumentária! Também vemos como está o trânsito, a bolsa, que é impingida a toda a hora mas serve apenas meia dúzia de pessoas, e agora mais recentemente o preço da gasolina... Mas eis que a televisão se reinventa, a partir de agora, numa televisão perto de si, poderá consultar o nível de criminalidade na madrugada que passou, e assim decidir: - Será suficiente levar o colete kevlar? Ou levo também a shot-gun? Não, já sei! Levo o taser, disseram na meteorologia que não ia chover, e tenho andado com uma vontade de disparar aquilo!
Mesmo com este alarme dos media, a polícia tenta sossegar-nos. Faz incursões nos bairros sociais na periferia da capital e para que não restem dúvidas quanto ao seu poder e eficácia, leva consigo os alarmados jornalistas. Estes indagam os populares num directo para a televisão, e comentam as ciganas: - até trouxeram os aviões! - enquanto apontam para o helicóptero.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Votação

Como podem ver, decidi render-me à interactividade, para que vós, meus queridos leitores, possam escolher o vosso post favorito. Escolhi desde já seis hipóteses, podem adicionar outras escolhas!

domingo, 17 de agosto de 2008

Santa Engrácia meet Santa Burocracia

Lembrei-me disto que aconteceu no outro dia, mais precisamente nos santos populares, treze de junho. Só conto agora porque porque na altura ainda não tinha blog.
Nos santos populares de Lisboa costumo ir fazer o passeio Sapadores até Santa Apolónia, furando pela multidão, bebendo e bailando por esta colina de Lisboa abaixo, tem corrido bem, se tivermos em conta que afinal se trata de uma noite de santos populares, e que acabar a noite na esquadra da polícia ou na esplanada da Graça é igualmente provável!
Este ano convidaram-me para ir para a frequesia da namorada do meu amigo Nuno (nome fictício), Santa Engrácia, e eu fui. Cheguei já um pouco tarde, às duas da manhã, porque fui ver as Marchas Populares à avenida da liberdade, só essa ida merece um post próprio. O sítio, cujo nome agora não me lembro, era um ringue da bola no átrio de uns prédios, entrava-se por uma porta que bem podia ser a duma casa qualquer, não fosse o facto de a seguir a um corredor dar até ao dito ringue. "Vou beber uma mini!" disse ao pessoal e fui até ao balcão, havia bicha, depois de esperar pedi uma cerveja e a mulher diz-me - tem que ir àquela barraquinha trocar o dinheiro por senhas! - serpenteio até a barraca, está lá um velho, já bêbedo, sozinho, a trocar dinheiro para um ringue repleto de gente, tinha fila. Fico na fila, chega a minha vez. Havia senhas, com o aspecto de selos, de cinquenta cêntimos, um e dois euros. A imperial era um euro, portanto comprei um euro de santa engrácia a um euro, sorte a minha que não havia taxa de câmbio. Possuidor de dinheiro dos nativos, voltei para o outro lado para ir buscar a imperial, não sem mais um compasso de espera. Digo - é uma cerveja! - a moça responde - já não há! E também não há de barril! Só temos sangria a copo! - respondo - Pode ser... - ela - É um euro e meio... - Só tenho um euro no vosso dinheiro! Porra#&*@! Fui ao outro bar, outra fila, não há cerveja... Que diabo! Estou farto disto!
Há um café à entrada, ainda tem cerveja!!! Corro até lá, peço a tão desejada mini, apresento a senha, vejo, parece que em câmara lenta, a mini na minha mão a ser elevada, quase que toca os meus lábios, e diz o gajo - a gente aqui só aceita dinheiro... e a mini é noventa cêntimos. NÃO!!! Peço ao gajo para me guardar a mini, volto à barraca do câmbio, adivinhem, tem fila, reavejo o meu euro (é verdade, era o meu único, o multibanco estava limpinho...) e volto para finalmente beber uma puta duma mini. Não há direito, pá! O que mais me chateia é que bem vistas as coisas estes burocratas dos comes e bebes são capazes de mandar-vir com o governo por causa da burocracia, mas eu, para beber uma cerveja nos santos, divirto-me tanto como numa manhã passada, digamos, numa repartição de finanças... A ver se o simplex passa lá em Santa Engrácia, se não, não meto lá os pés!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Somos cordeiros

Não passamos de cordeiros, e o lobo é a publicadade! Deve haver regras e ética na publicidade, ou não? Já não bastam os outdoor´s, os postais, posters, flyers, até nos urinóis há um espaço reservado à publicidade... Nos cinemas tudo é rentabilizado, então desde o início da pirataria, vale tudo! Publicidade nas pipocas, na cola, luzes projectadas, antes do filme já sabemos que temos que gramar com mais uns minutos de publicadade...
Lembro-me de alguns anúncios proibidos, um mais antigo, precisamente anunciado nos cinemas, embora não em portugal mas nos Estados Unidos, aumentava-se o ar condicionado e nas imagens iniciais aparentemente inócuas passadas a trinta e dois fotogramas por minuto, eram introduzidos fotogramas com a imagem da Coca-cola. Nós processamos as imagens a cerca de vinte e quatro fotogramas por minuto, por isso, e apesar de não vermos a imagem propriamente dita, ficava a vontade de beber Coca-cola, e, quem havia de dizer, não é que vendiam Cocal-cola à porta do cinema!!!
Hoje fui ao cinema ver o Wall-e, ao entrar na sala senti de imediato um cheiro floral muito intenso, pensei: alguém exagerou no perfume... Fiquei a acabar de ler o jornal enquanto as luzes não se apagavam, até que tal aconteceu. Fechei o jornal e passei os olhos para o ecran receptivo aos já esperados anúncios, e foi aí, estranhamente, que surgiu a explicação para aquele cheiro: A marca Dove borrifou a sala com o aroma da sua nova gama de sabonetes. Que raio! Já não estamos livres em lado algum! Um anúncio na televisão, mudo de canal; na rádio, igual; um outdoor, não ligo; um flyer dado à porta do metro, mando para o lixo; então e um aroma no cinema?! Faço apneia durante todo o filme? Respiro pela boca? Será que perdi o direito de não ver publicidade? Será que alguma vez o tive?

Quando eu era pequenino

Já vos disse noutro post que não tenho feito muito... Tenho-me lembrado das asneiras que fazia com os meus irmãos para passar o tempo, morávamos longe da vila, não tínhamos bairro nem amigos ali ao pé para brincar... Não gostávamos de jogar à bola, éramos porventura mais alternativos. Um dia vi na televisão uns gajos a fazer slide!
"Granda pinta!" - pensei eu! nunca tinha visto aquilo! Era uma loucura! A segunda coisa que pensei foi: "Eu consigo fazer isto!"
Com os meu irmãos fomos tratar de montar um slide, na minha casa antiga havia o tal pombal que falei no outro post e em frente havia um canil com umas seis boxes nas quais havíamos criado vários fox terrier's. Estava escolhido o sítio! Partiríamos do topo do pombal e vínhamos a descer até ao canil, qualquer coisa como sete metros de distância. Faltava o cabo, havia o cabo de âncora do primeiro barquito do meu pai, servia, apesar de ter alguns nós-cegos, isso não me pareceu um problema na altura...
Lá trouxe o cabo, fiz-lhe um laço e tentei, como um cowboy, laçar o pináculo no topo do telhado do pombal, não foi difícil! A seguir, amarrei a outra ponta do cabo ao canil tendo antes feito passar um troço de um cano pelo cabo, o cano serviria para eu me agarrar e deslisar até ao canil! Primeira tentativa: procurei a escada, subi ao pombal, que a meio da altura tinha um rebordo que parecia feito de propósito para eu me apoiar, pedi ao meu irmão do meio para com uma cana fazer subir o cano até lá cima, agarrei-o, e deixei-me ir! Era fantástico, tudo corria bem até que a meio do cabo, o cano ao qual eu me tinha pendurado passando o meu braço por cima, ficou preso num dos nós-cegos mas eu continuei a deslisar até ao canil... Rasguei a T-shirt e esfolei o sovaco, passei o resto da tarde com o braço direito alçado... Mas havia mais pilotos de testes! Depois de, diligenciosamente, ter desatado todos os nós, tirámos o cano (que nos pareceu perigoso) e pusemos a fateixa do barco. Desta vez iria o Zé! Subiu ao pombal, agarrou-se com as mãos e desceu continuamente até ao canil, onde eu e o meu irmão mais novo o esperávamos animados! Só até olharmos melhor para ele e vermos uma das pontas da fateixa espetada no queixo dele!!! Credo! Lá fomos a casa desinfectar a ferida que parecia pior do que realmente era!
Acabaram as tentativas de fazer slide quando a minha mãe chegou a casa, mas essa tarde foi inesquecível!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Benaventices (II)

Esta é a história do Coelho e do Pau de Marmeleiro!
Em tempos idos era costume ir à caça, mais do que hoje, hoje somos mais conscientes mais informados e repugna-nos matar bichos que não servem para comer, a nós, a maior parte dos Homens. Quem lêr o "Tintim no Congo" verá que este matou chimpazés e dezenas de gazelas, hoje impensável, moral e eticamente condenável aos olhos de qualquer europeu.
Mas ia dizendo, a caça fazia parte do dia-a-dia da população rural, qualquer homem e algumas mulheres de famílias mais ricas caçavam. Pelo menos iam à caça, trazer para casa peças de caça é outra história, daí que alguns caçadores aldrabem o proveito das suas caçadas! Diz o povo, em cada caçador um mentiroso, e talvez o diga bem!
Avante com a nossa história, ou melhor, adiante, para evitar equívocos, antigamente em tempos que já lá vão, limpavam-se os resíduos de pólvora acumulados nos canos de uma espingarda usando um pauzinho de marmeleiro como escovilhão, assim e com um pouco de óleo se mantinha uma espingarda em boas condições. Certo dia na charneca, em mais uma caçada, conversam dois caçadores. Diz o primeiro que um dia estaria a exercer essa boa prática de bem manter uma espingarda, quando passa um coelho mesmo à sua frente! A excitação foi tal, que o pobre homem chegou a espingarda ao ombro e disparou sem antes sequer ter tirado o pau de marmeleiro do cano, tendo este sido projectado, qual flecha! O coelho apesar de atingido pelo escovilhão de marmeleiro, sobreviveu e fugiu! A resposta do segundo caçador veio em seguida: "Ora porra! Então não é que ainda no outro dia vi passar um coelho com um marmeleiro às costas carregadinho de marmelos!"

L'amaro fare niente

Não tenho escrito nada... Não tenho nada para contar, que contar? Não tenho feito nada, nada me inspira. Não tenho nada para partilhar...
amaro quer dizer amargo

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Já não sou Bad Ass

Eu lembrou-me da adolescência - como me irrita a dos outros - como uma fase para fazer coisas estúpidas. No meu primeiro contacto com essa grande Associação a que um dia pertenci, o jovem a jovem, era pedido a todos que se apresentassem dizendo o primeiro nome e uma coisa que gostássemos. Chegou a minha vez: "O meu nome é Chico e gosto de me embebedar!", não deixou de ser verdade, ainda hoje gosto, mas era a aquela atitude de teenager cabrãozinho arrogante, eu era um Bad Ass!
Íamos para o Sobre Margem, o e não um bar da terra, o que é que se pedia? Um suminho? um Ginjer Ale? claro que não!!! Começávamos a noite com um T.G.V. (tequilha, gin e vodka) seguiam-se os shots: B-52's, Pastéis de Nata, Moranguitos, Dragon Ball's e acabava-se a noite com um Absinto e às vezes um Hamburger! Eu era um Bad Ass! Fumava como um cavalo, experimentava tudo: fumar antes de me levantar da cama - g'anda broa! Pequeno almoço é para meninos, eu era café e cigarros até à hora de almoço! Eu era um Bad Ass! Sair até de manhã, ir para Lisboa ver concertos e depois ir para o Bairro, voltar no dia a seguir a tempo de ir para as aulas às oito da manhã, avisaria os meus meus à hora de almoço! Eu era um Bad Ass! Outras coisas, de tal modo escabrosas, e passíveis de denunciar crimes públicos, guardarei para mim, mas ainda assim, Eu era um Bad Ass!
Não estou a ficar velho, pelo menos não mais do que na altura, mas acrescem responsabilidades ou talvez as eventuais consequências se tornem mais claras...
Shots não, dá ressacas horríveis... Um maço e meio numa noite é caro e no dia a seguir sinto que preciso de ser entubado... deixei de fumar. Ir para a faculdade às oito, ou é para estudar ou nem vale a pena lá ir...
Já não sou Bad Ass...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Amar para proteger

Eram cerca de trinta pombos domésticos, de várias cores e variedades, incluindo aqueles de cambalhota que uma vez comprámos na feira de Marinhais. Talvez fossem mais de trinta. Moravam todos no pombal que havia lá em casa, torto como a torre de Pisa, de dois andares e talvez uns quatro metros de altura. No piso de baixo tinha a bomba do furo, e em cima viviam os pombos.
Longuíssimos eram os verões em Benavente, apesar da piscina, o tédio instalava-se rapidamente lá em casa. Mesmo com os meus irmãos, havia a necessidade de matar aquele tédio horrível. Numa tarde, fui na biciclete do meu irmão, uma roda vinte polgadas, à espingardaria Safari do sr. Couto que fica por baixo da casa do meu primo (lá está aquilo de que falava no último post) e comprei uma bela fisga! Aquelas que fazia com borrachas de câmaras de ar e paus de marmeleiro em forma de Y já não me apraziam. Com este novo brinquedo, as tardes quentes de verão ganhavam de repente uma nova frescura: íamos para a entrada de saibro catar as pedras que nos parecessem melhores projécteis e depois dispararíamos sobre os inicialmente ingénuos pombos, que permitiam nos aproximassemos de tal modo que o tiro era sempre certeiro. Mas depressa aprenderiam, pela lei de Pavlov, que miúdos pequenos significava pedrada no bico, de modo que passaram a quedar-se um pouco mais longe e mais e mais. Os pombos, eram, claro está, comidos por nós! A Dalinda, nossa empregada e excelente cozinheira, depenava-os, arranjava-os para depois os comermos grelhados ou estufados com bacon e cravinho. Depressa os pombos se tornariam de tal modo esquivos que ao pousarem a tal distância, nenhuma fisga teria força suficiente para projectar um calhau tão longe. Felizmente para mim e infelizmente para os restantes pombos no verão seguinte viria a comprar uma magnífica pressão-de-ar Gamo, levíssima, no El Corte Inglés de Huelva. Este novo brinquedo brindou-me com uma regular provisão de pombos durante mais algum tempo, quando não andava a caçar pombos matava pardais ou simplesmente disparava sobre alvos de metal ou papel. Mais uma vez Pavlov veio ditar que os pombos fugissem após ouvir o primeiro disparo, ainda que surdo, da pressão-de-ar. Rapidamente encontrei outra solução: uma besta. Sem me aperceber da perigosidade daquela arma, lá fui, de emboscada, caçar pombos nas traseiras lá de casa. Deitado com a besta apoiada no meu cotovelo esquerdo disparei a minha única seta contra o mais gordo dos dois pombos pousados no telhado. Aquele contra o qual disparei levantou vôo, e o outro seguiu-se-lhe. Pensei: a seta foi parar sabe-se lá onde, e o pombo fugiu. Voltei para casa desiludido para encontrar junto à porta de casa o pombo a esbater as asas contra o chão com a seta a trespassar-lhe o tronco!
Não voltei a disparar sobre animais a seguir a ter causado um tal sofrimento a uma osga: Noutra dessas tardes enquanto estava emboscado, vi passar ao longe numa parede caiada uma osga, bicho pelo qual tenho uma grande estima, e disse para mim, sem achar que isso fosse possível - daqui desta distância vou espetar um chumbo na cabeça da osga e vou acertar - e acertei...
Esta história ilustra uma certeza que tenho, as infâncias eventualmente crueis para com os animais, o matar pássaros, pescar, fazer caça submarina, apanhar sapos, rebentar bombinhas nos formigueiros, traduzem-se em adultos com uma preocupação e respeito pelo ambiente mais apurados.

"For in the end, we will conserve only what we love. We will love only what we understand. We will understand only what we are taught."
Baba Dioum

domingo, 3 de agosto de 2008

Benaventices

Este, creio, será um título recorrente no meu blogue. Há coisas que são inequivocamente benaventeiras, e embora eu já seja mais alfacinha que benaventense, há coisas que teimam em não desaparecer: os "inhos", esse maldito sufixo que presiste em metade das palavras que me saiem da boca - "dê-me aí uma imprialzinha com uns tremocinhos". Outras há que não posso precisar se serão benaventeiras ou se simplesmente se perdem no seio da urbanidade: eu posso referir-me a alguém como "o meu conhecido, o Sr. Zé" ou "o Sr. Zé, o ex-namorado da tia da mulher do irmão da mãe do rapaz que faz recados à prima do João" isto acontece nas terras pequenas porque toda a gente se conhece, pior, somos todos primos! Porque ainda há poucos anos dez quilómetros eram uma distância enorme e as terras ficavam isoladas entre si, algo conhecido na biologia como o isolamento reprodutor.
Mas dizia eu, este título será um espaço onde tentarei expor as ternurentas histórias de Benavente e arredores, reais e inventadas como se fosse o meu AMARCORD escrito em blogue.
Nesta primeira edição vou contar-vos a história real do Homem que matou Um Cavalo com um Grito!
No não longínquo século passado, o homem que vendia gelados nas noites quentes de verão era conhecido pela marca dos gelados: "Esquimó Fresquinho". O Esquimó F´esquinho apregoava os gelados mandando um fenomenal berro: Esquimmmmmmmmóóóóóóóóóóóóóó F´esquinho! com uma grande acentuação na mó e um F´esquinho quase mudo. Ora num dia de verão, quente como sempre, nada faria supor que viesse a acontecer algo de extraordinário. Saiu o Esquimó F´esquinho à rua pra vender os gelados e ao dobrar uma esquina manda o seu inconfundível berro. Mas a seguir à esqina dobrada estava um pobre cavalo preso a um poste que se assustou com o berro e pregou um valente cabeçadão no dito poste, tendo caído seco no chão! Assim ficou conhecido o já alcunhado Esquimó F´esquinho, como O Homem que Matou um Cavalo com um Grito.

post scriptum: Outra benaventice, é o facto de as alcunhas serem herdadas de pai para filho, ainda hoje vive a família Esquimó F´esquinho!

sábado, 2 de agosto de 2008

Marineide

Marineide lê-se, obviamente, "márineidje" que quase sempre é abreviado a um singelo Neidje. Era assim chamada a personagem da grande série/peça "Sai de Baixo", a empregada pobre, mal formada e perdida de boa.
A realidade é um pouco diferente, sendo Portugal agora um país de acolhimento já todos contactámos com cidadãos brasileiros e alguns de nós talvez tenhamos a casa limpa ou a roupa passada por estes imigrantes, já que em geral, estes têm empregos que nós não queremos... Na verdade, o meu pai contratou recentemente uma brasileira e adivinhem o nome dela! Não vale a pena porque não conseguem, ela chama-se Giselaine!!! De repente, cada vez que vou a casa dos meus pais parece que entro no palco do "Sai de Baixo" ouço sempre o sotaque carioca "Seu Francisco isso, Seu Francisco aquilo..." até fico à espera que entre em cena o grande Cavalcante na pele de Ribamar Telo.
Ora no outro dia fui à terra e levei o meu cão, o meu Cão de Fila de São Miguel, o Ratzinger, e deixei-o no terraço juntamente com os cães dos meus pais, a Fajã e a Japona. Acontece que a Giselaine, que o meu agressivo Fila desconhece, veio trabalhar ás duas da tarde e encontrou o cão desconhecido que quase a mordeu! Então eu disse-lhe: "Olhe, a Fajã está saída e também o cão não a conhece a si, portanto o melhor é eu levar o cão para a varanda de cima para você poder limpar isto aqui em baixo" e assim evitava o risco do cão montar a cadela, ela perguntou o que era isso de saída e depois de eu lhe "traduzir" ela perguntou: "Oh Seu Francisco, mais o sior não qué cubri a cadela?"
Esta é a mundialmente conhecida frescura dos brasileiros! Ainda nem um mês no emprego e já está a perguntar ao patrão se não quer cubrir a cadela!!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A falta de um acessor

O nosso Presidente da Républica dirigiu-se ontem ao país numa declaração que eu vinha a aguardar desde do início do dia, não sem um certo nervosismo. A expectativa era elevada, e tinha sido criada alguma neblina à volta deste assunto a qual eu tentei abanicar com as mãos durante o dia de ontem: Seria que o nosso Presidente se iria demititir? Não, ele não criaria tal suspense... "já sei!", pensei eu, a Maria Cavaco está grávida! Mas isso também não.. ela já não vai para nova... o que seria?! Tive que esperar até ás vinte horas e pouco para ele dizer que estava preocupadíssimo com o "Estatuto dos Açores". Com os Açores?! Perdoem-me os Açores, gosto muito de vocês, mas com os Açores?! Não havia mais merda nenhuma que preocupasse o nosso presidente, não, e mais, ele achou este tema da maior importância ao ponto de justificar uma encenação destas. O que é que aconteceu ao telegrama? Não podia ter mandado um telegrama para São Bento? Ou um e-mail? Não, tinha que vir à televisão... Desde que tomou posse, apenas esta alteração ao estatuto dos Açores, que o próprio governo já tinha dito ir alterar, foi alvo de uma abordagem destas, e aqui abre-se um gravíssimo precedente: não faltarão agora os lobbies a exigir que o nosso Presidente se dirija ao país para falar sobre temas que aflijam igualmente os portugueses, digamos, referir que cor prefere no tampo da sanita, ou as ementas nos restaurantes devem passar a vir escritas em papel de vinte e cinco linhas... Assim se vê a falta que faz um acessor, é que é óbvio eles estão todos de férias, mas isso é um erro que eles próprios já devem ter lamentado, logo a seguir à intervenção do Presidente! Caros Acessores, ainda não é tarde, interrompam as vossas férias, antes que o nosso Presidente volte à televisão, se esta merda pega daqui a nada está como o Chávez ou o Fidel com um programa semanal de cinco horas para contar aquilo que o aflige no país. Deixará de haver Tribunal Constitucional: o cavaco vem à telé, lança a acha para a fogueira, o tema discute-se nos media, convida-se o Jorge Miranda e uns comentadores, e decide-se assim na praça pública se a proposta é ou não constitucional!
Enquanto não houve um candidato a primeiro-ministro credível no PSD, as relações PM/PR foram um mar de rosas (literalmente!), mas agora o nosso Presidente quis cortar com o passado e avisou o Sócrates: "A partir de agora, estás por tua conta!"

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Ute Lemper

Demagogia feita à maneira
É como queijo numa ratoeira

Luís Pedro Fonseca


Ute Lemper é uma grande actriz/cantora que deu notoriedade aos temas de Cats, Life is a cabaret, Chicago ou All that Jazz, deu um grande concerto juntamente com a Orquestra do Algarve no último sábado em Tavira oferecido pela Câmara Municipal. Um concerto destes à borla, sentadinho numa cadeira chega e sobra para encher a minha alma e preencher a minha noite, mas o autarca experiente, sabe que o seu munícipe ficará com um sentimento de poucochinho apenas com um concerto de Ute Lemper, e portanto findo o concerto logo se iniciaram as salvas de morteiros, foguetes e bichas-de-rabiar acompanhadas, claro, pelo som da estupenda Orquestra. E se a ovação tinha sido grande quando acabou o concerto, quando acabou o fogo de artifício, aí sim se pode observar o verdadeiro júbilo do povo! É que o Macário Correia sabe bem como isto funciona: "tragam lá a senhora Ute, mas metam um fogosinho no fim para agradar ao povinho!"

Patos

Há um bicho que eu admiro muito, pela sua beleza, propriedades organolépticas e outras, esse bicho é o pato bravo. Em qualquer paúl acócoravamo-nos junto a uma árvore à espera que eles passassem, para então disparar, e, não havendo cães, atascarmo-nos no charco para recolher os bichos... lembro-me duma vez que apenas duas espingardas caçaram mais de cinquenta patos num fim de tarde. Lembrei-me desse magnífico bicho, o pato bravo, porque durante as minhas férias vi bastantes! Mas não eram dulciaquículas, não! Estes, juntavam-se numa enseada perto da barra de Tavira, e ali ficavam: mostravam os seus barcos uns aos outros, comentavam entre si quanto dinheiro lhes tinha custado a carta de marinheiro e dedicavam-se à talvez mais fútil, prepotente e egoísta actividade que é andar de mota de água. O que é aquilo?! Eu tenho-me como alguém que respeita profundamente os outros, portanto andar de mota de água a cinquenta metros da costa a fazer piscinas para trás e para diante a azucrinar a cabeça aos veraneantes é algo para mim impensável, mas não para o pato bravo, ele pensará: "Se eu for andar de mota de água lá para o mar alto quem é que vai ver como é bonita e potente a minha mota, e como é que conseguem ver as palhaçadas que eu faço com ela?" e assim fodem um belo dia de praia. Se algum dos meus leitores souber como propor uma lei a votação na Assembleia da República eu proponho que se aumente o IVA e Imposto de Circulação das motas de água em duzentos por cento.
Mas os patos voltaram a protagonizar a minha semana, não os bravos mas um aparentado ao Duffy Duck, o Batman. Pode parecer confuso mas eu explico, fui ver o "Dark Knight" - fraquinho - e tinha visto o anterior filme, com o mesmo actor, sem som... então não é, que o Batman é belfo! Epá, não havia no mundo, um actor para o papel de super-herói que não parecesse o Duffy Duck a falar?! Como é um Batman belfo é o recordista absoluto em receitas de bilheteira no primeiro fim de semana?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Bichos do mato

Adoro o campo, as árvores, as flores
jarros e perpétuos amores
que fiquem perto da esplanada de um bar
com os pássaros estúpidos a esvoaçar

adoro as pulgas dos cães
todos os bichos do mato
o riso das crianças dos outros
cágados de pernas para o ar

Rui Reininho


Efectivamente vou de férias, por isso este blogue vai ser deixado ao abandono durante dez dias. Agora interrogam-se os meus caríssimos, queridos e fofinhos leitores: mas porque raio é que este otário não leva o portátil, já que ele é isso mesmo, portátil? Quem é que vai animar as minhas tarde se ele não escrever nada? (é verdade! eu animo alguma gente!)
Eu respondo, é que eu vou para o Parque Hotel de Cabanas de Tavira, ênfase dada à palavra "Parque", vou acampar vá... Convenhamos que deixar o portátil no quarto, vulgo tenda, é pouco seguro e este nem sequer é meu, assim, lamento mas não vou escrever nada nestes dias.
Por falar em acampar, é uma coisa que eu adoro, o contacto com a natureza, as formigas, os mosquitos, os colchões insuflaveis que rebentam, o calhau que fica sempre debaixo das minhas costas, (eu ás vezes já nem durmo bem se, quando monto a tenda, salve seja, não encontro lá o calhau, e tenho que por lá um para dormir melhor), os quarenta graus centígrados às seis da manhã dentro da tenda, as merdas todas a colarem-se à pele dum gajo... mas nem tudo é mau, este Verão vou ter direito a um barquito (barquito este que já me deu água pela barba, literalmente! Uma estória para outro post) e vou poder também fazer caça submarina!
Aquele abraço, até daqui a dez dias

terça-feira, 15 de julho de 2008

Bentley

Desde miúdo que gosto de cozinhar. Um gosto desenvolvido graças às revistas da Rua Sésamo, essa bela instituição, que tinham sempre uma receita simples que eu executava aos fins de semana com a minha mãe, ela própria uma grande cozinheira.
Há um preceito, um ritual, o afiar as facas e gostar delas, a organização da bancada, cozinhar é sem dúvida a minha cerimónia do chá. Quando há uma tal devoção, e também já um grande orgulho nos pratos, quero uma opinião crítica que, porém, é muito raro receber, infelizmente.
Agora, vou fazer um pedido ao Chef que visite este blogue. Vou explicar:
Um amigo meu, o Daniel (nome fictício), teima em pôr pimenta em tudo o que vem para a mesa antes sequer de provar... Isto irrita-me bastante porque sinto que está a violentar, por assim dizer, um filho meu. A pergunta aos chefes é esta, incomoda-vos que os clientes alterem os vossos pratos pondo pimenta, manteiga, sal... etc. Quanto ao pedir para passar mais um bife, nem vos pergunto nada porque tenho a minha resposta: NÃO!
Pois é, é verdade, tenho orgulho nos meus pratos ao ponto de achar que pôr pimenta num prato meu é como fazer tunning num Bentley, qual é o anormal que vai kitar o Bentley com saiotes, néon, e luzinhas azuis nos mija-mija?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Fugas

No último post falei em pensamento abstracto como uma característica do Homem que o diferencia dos demais bichos, uma capacidade que nos permite percepcionar uma realidade duma, ou melhor, de várias dimensões. Sendo nós um animal emotivo, juntando a habilidade de percepcionar a realidade passamos então a sentir a realidade e a gerir as nossas sensações de acordo com esta.
Poria as minhas mãos no fogo caso não se revelasse verdadeira a relação entre o uso de drogas e a noção da nossa existência. A partir do momento em que o homem se viu preso a uma realidade que já entendia como sua e que à qual não podia fugir corporeamente, passou nesse mesmo instante a procurar fugas a essa mesma realidade. Não podendo indicar uma era, assumo que desde que o Homem é Homem que recorre a fugas à realidade, (sem me considerar um autor) muitos autores actuais e ancestrais referiram a importâmcia de tais fugas para a manutenção da salubridade da mente humana, é que ter a noção da realidade não é de todo saudável. Como nos mostrou Fernando Pessoa através de Alberto Caeiro ou Jorge Palma com "aquele ali vai prós copos / tratar das suas fugas".
E daqui salto para as fugas propriamente ditas, despois de ter estabelecido que estas são condição sine qua non para a saúde mental do Homem, digo-vos sem nenhuma dúvida, que todas as pessoas mentalmente saudáveis recorrem a fugas, fugas estas que podem ser tão saudáveis como dançar, ler, foder, dormir, correr, jogar... etc, ou tão danosas como jogar, beber, snifar, injectar e por aí fora.
Usar as fugas como cartas de "ESTÁ LIVRE DA PRISÃO" da realidade é óptimo e mesmo as danosas usadas esporadicamente, creio serem mais benéficas que maléficas, o problema é que sendo fugas à realidade, são-no porque remetem-nos para uma realidade ficcional muito prazeirosa e que nos é díficil abandonar e portanto podem levar-nos a uma perigosa obsessão.
Quanto a mim, a minha droga é o alcool. Nada, para mim cumpre melhor a sua função de abstracção da realidade do que o alcool, e se gosto do alcool pela fuga à realidade durante a intoxicação, gosto talvez ainda mais da ressaca que se me apresenta como uma percepção real mas mais cristalina da realidade, (dores de barriga e de cabeça não são raras).
João Magueijo, físico, confessou ter formulado a sua teoria contrária à da relatividade de Einstein numa tarde de ressaca. Sem me querer comparar com o mundialmente conhecido e respeitado físico, posso revelar-vos uma questão que há tanto me incomodava literalmente iluminada num dia de ressaca: quando olham para o céu de óculos escuros encontrarão dois pontos de reflexo, esses, são o reflexo do sol nos vossos olhos projectado nas lentes!

Um modo de amar a dois

"Basta um sorriso, um simples olhar
Um modo de amar a dois!"

Não é a paixão que alimenta relações duradouras, a paixão apenas dá o combustível para manter a relação enquanto os dois se conhecem e toleram carinhosamente atitudes que repugnam. Quando a paixão acaba, ou acaba a relação ou se começa a trabalhar para a consolidação, sim porque manter uma relação/ralação dá trabalho!!
Bom, depois deste parágrafo, que mais parece ter sido inspirado nas crónicas da Júlia Pinheiro, passo então ao que queria realmente falar: o quotidiano de um casal...
Há coisas (pausa para respirar fundo) que são universais: aprender a baixar o tampo da sanita, fechar a cortina do duche para não ganhar bolor, por o roupa suja no cesto, tirar os restos de comida da loiça antes de a pôr na máquina, e talvez a mais importante e também mais difícil para o homem heterossexual cumprir: planear a sua vida a curto/médio prazo, incluindo a mulher nesse plano. Todas estas coisas se aprendem por tentativa e erro, qual murganho de laboratório, mas ainda assim, e isto sim é terrivelmente díficil de compreender para as mulheres, é que uma vez aprendido, este conhecimento pode ao fim de pouco tempo perder-se... Isto, exige o esforço horrível e fundamentado para a mulher que pede incessantemente ao companheiro para fechar a cortina do duche quando acaba de tomar banho, de ter que voltar a ensinar esta boa práctica que pensava já adquirida pelo cônjuge.
Quanto a herculiana tarefa de planear os dias a vir, tenho a seguinte consideração a fazer: diz-se da inteligência dos animais, incluindo o bicho-homem, que este último se distingue dos restantes, entre outras coisas, pela sua capacidade de pensamento abstrato, no qual se inclui o planeamento de dias vindouros, pois então tenho apenas a dizer em minha defesa, sendo homem, que nas mulheres esta capacidade concerteza que estará mais desenvolvida que no homem, que apesar de ser considerado inteligente não pode nesta matéria ser colocado ao nível da clareza de calendário da mulher.
Esta última frase leva-me a procurar uma base biológica para estas dificuldades na vida a dois, e encontro estudos que afirmam que as mulheres tem uma grande competência no multitasking ao passo que o homem tem uma grande capacidade de se concentrar numa só tarefa, e isto é especialmente irritante para as mulheres que tentam dialogar com o parceiro enquanto este vê a bola ou joga playstation e que à pergunta "Comemos o bacalhau de ontem ou mandamos vir uma pizza?" respondem "Sim."
Destas e de outras questões trata a vida do casal que todos os dias luta pela manutenção da sua vida conjunta e muito mais haverá a dizer, mas talvez noutro post porque já são quase três da tarde e ainda não almocei!

post scriptum: estive estes dias sem escrever nada porque o meu computador avariou irremediavelmente, e isso deu-me um período de nojo, agora cumprido!