quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Wine Spectator meet Alfredo of Rome

First of all, I must explain why this article is being published in english when the rest of the blog is in portuguese. It so happens that I went to New York last christmas and while admiring the squared city streets and trying to absorb the spirit of the Big Apple, despite the so very painful cold for us: southern europeans, I tried to avoid the extreme temperatures by entering in a restaurant for lunch near the Rockafeller center, experience of witch I would like to tell you. Also, I am writing in english and publishing in my blog because I want the most people to read this sort of review that I tried to send to the worldwide famous wine magazine, the Wine Spectator, but in order to do so I would have to buy a year subscription just to send them an e-mail... And based on the content of that e-mail, I shore wouldn't like to buy the magazine, much less for a year!
As I said before, I went to New York last christmas, and the extreme could pushed me towards the closest restaurant: Alfredo of Rome. I saw the Wine Spectator award in the hall and I remember thinking: This should be interesting... Unfortunately, as I crossed the hall, all the enthusiasm started to fade away when the waiter chose us a table in the restaurants's lobby as opposed to the main room... I suppose it was because of my ski-like jacket, even though the main room was almost empty.
For starters came pureed olives to go with the disappointing bread: the olives were too acidic and far worst than the ones I buy already packed here in portugal. I asked for Pappardelle Alla Aragosta, the noddles were nice, the sauce was o.k. and the lobster was over-cooked witch left some tasteless rubber-like slices of the referred crustacean. I was hoping to find some comfort in the wine! It was asked for one merlot and one pino grigio, both americans (since i was in america I might as well try their wine!). I liked the Pino Grigio better, the oak was very deep in the Merlot and I prefer wines not so rounded, still, this are californian wines, and they're much softer than the ones I prefer with a lot more body and acidity. The temperatures were higher than expected and the prices were exaggerated. Now what surprised me the most was the terrible service, specially concerning the wines, like I said the temperatures were wrong (and since I wasn't worthy of the main room I wouldn't dare to ask the waiter to cool down the wine!) and when I was ready to pour the wine I notice that the glass had water left from the washing machine... I called the waiter for replacing the glass, and he said, while dripping the water to the floor, "Don't worry this is just water from the washing machine" and gave me back the same glass still wet(!). This is not the service I expect from a restaurant awarded by the Wine Spectator: the total lack of regard for the almost sacred ritual of enjoying a wine: since the right (clean and dry) glass, temperatures, bottle instead of a jar, even the wine menu was very poor in information... If you value eating and drinking well you won't choose this restaurant, and, as I have, you will start to question the meaning of the Wine Spectator Award of Excellence.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Crise? Qual Crise?

Desde de que voto, ou melhor, desde que me conheço que Portugal está em crise. Na altura do Cavaco, com a primeiríssima maioria absoluta, estávamos em crise: o homem no seu sentido mais social resolve aumentar as portagens da ponte e carregar contra os manifestantes com a polícia de choque. Quando ele chegou estávamos em crise e mesmo connosco deixando-o trabalhar ele saiu ao fim de oito anos e continuávamos em crise. A seguir veio o Guterres, deu ao povo pão, mas esqueceu-se do igualmente essencial dinheiro para o vinho e os jogos. O estado era realmente simpático para com o cidadão empobrecido, foi criado o rendimento mínimo garantido que rebentou com a nossa, já muito macerada por outras vias, segurança social (é por estas e por outras que eu vou ter de fazer um PPR privado), os parasitas multiplicaram-se, preenchiam os impressos mais depressa que as técnicas da segurança social e se alguma ousasse questionar as razões que levariam tal parasita a ter aquele subsídio levava logo troco: "Se eu não recebo o rendimento mínimo ainda vou ter de que ir trabalhar! Por amor de Deus!!!" como se não bastasse, o nosso estado acumulava dívidas e o défice(que nessa altura não passava de um vocábulo raramente proferido na altura de fazer balancetes)continuava a aumentar.
Chegam as autárquicas, o PS leva uma coça, perde as câmaras de Lisboa e do Porto e o Guterres demite-se antes de acabar o mandato...
Vem o Durão, anuncia-nos o valor do défice, diz-nos que o país está de tanga e aumenta os impostos. Claro está, que ainda não é desta que vamos sair da crise. As reformas não convencem: O Bagão foi avô há pouco tempo decide baixar o IVA de vinte e um para cinco por cento nas fraldas, mas uma qualquer ordem processual não é cumprida e Bruxelas impede-o de concretizar a medida... Também Durão e Ferreira Leite querem por força baixar o défice, mas depois deixam-nos entregues ao Santana Lopes, provavelmente o pior primeiro-ministro que alguma vez conheci... E a crise continuou... Mas afinal o que é a crise? Crise, sem ser num sentido económico, é um estado provisório num nível inferior àquele em que habitualmente nos encontramos, certo? Agora digam-me: se o nosso estado normal é cá em baixo nos três por cento de défice, como é que podemos, mais uma vez sem ser num sentido económico, estar em Crise?! Bem sei, crise é quando entramos em recessão, mas , e embora o resto do mundo tal como nós esteja a entrar agora em estagnação, a grande diferença é que eles vêm lá de cima! De crescimentos de dez por cento! e alguns mais ainda, mas nós vimos lá de baixo!!! Também foram só um par de meses em estagnação e vamos já de seguida voltar ao nosso habitual estado: o da recessão!
Crise? Crise é para os Islandeses!! Crise é para os Americanos!! E para os Irlandeses também! Agora nós?! Nós estamos sempre na mesma!
Não quis com esta elação denegrir ou questionar a imagem e o currículo nos nossos anteriores Ministros, reparem Cavaco é agora Presidente, Guterres é o mandatário do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Durão é Presidente da Comissão Europeia, Santana é... é... não interessa.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Franchising

Vou partilhar com os meus caros leitores uma questão que há muito me intriga.
Vocês sabem aqueles gajos que tocam música do peru e os the greatest hits in pan pipes a troco de moedas, aqueles que se vestem com os ponchos, chapéus, normalmente tem cara de índio são três ou quatro, têm as ditas flautas de cana, uma conga ou jambé ou o que é aquilo e outras vezes até têm um orgão e isto tudo com microfones ligados a um amplificador e colunas. Para mim o que me causa estranheza é que em benavente na grande festa da terra: a sardinha assada, eles estão lá; se eu for à baixa de Lisboa, eles estão lá; fui uma vez a Paris e eles estavam lá em Montmartre!; outra vez a Barcelona e eles também lá estavam nas Ramblas!!; e a semana passada estive em Nova Iorque e também os vi em Times Square!!! Eles não podem ser todos o mesmo grupo... Mas a verdade é que são todos iguais. Nunca ninguém disse: Gosto mais dos Pan Pipes de Albufeira, tal como nunca ninguém disse: Gosto mais da comida do McDonald's da segunda circular. Portanto só posso tirar uma conclusão: tratam-se de franchisados do Pan Pipes! O que faz todo o sentido! Aquilo deve ter sido lançado pelo governo do Peru ou do Chile ou assim, um gajo é empreendedor decide atirar-se à conta-própria paga o franchising e passadas duas semanas recebe em casa o kit PanPipes: quatro ponchos multicolor, sombreros, duas congas, duas Pan Pipes, amplificadores e colunas, mais um saquinho de pó de tijolo, para esfregar na cara caso não seja índio. Pode escolher ainda comprar CD's das músicas tocadas para vender na rua (pois porque não me venham dizer que cada grupo destes edita a sua versão do My Heart Will Go On em pan pipes), em troca o franchisado deve devolver parte das moedas atiradas ao governo que o financiou e manter elevado o nível e o prestígio que transmitem os grupos de Pan Pipes! É como o Hard Rock Café! Eu até aproveito a ocasião para propor o seguinte: que tal t-shirts de PanPipes NYC, ou PanPipes Sardinha Assada de Benavente?

Benaventices (V)

Mais uma Benaventice. Esta é mais sobre mim e os meus amigos, não sei se será uma verdade para o resto dos habitantes de Benavente. Apesar disso, notei e foi-me dita essa diferença por amigos doutras paragens em relação aos hábitos tidos por nós, benaventeiros.
Quando eu andava no secundário, e ainda durante algum tempo de faculdade, talvez aquele em todos (o grupo de amigos de benavente) ainda iam a casa todos os fins-de-semana, não combinávamos encontrarmo-nos e já havia telemóveis, simplesmente aparecíamos à tarde num café: o Império(antigo Baltazar), e se não estivesse lá ninguém era porque estávamos no Cortiço. À noite não havia dúvida nenhuma! Só havia um bar em benavente! O mítico e nostálgico Sobre Margem que tantas vezes ajudámos a fechar!
É claro que só me apercebi disto quando comecei a sair de benavente e a ter amigos que não eram de benavente. Para eles era incompreensível o facto de eu sair de casa depois de almoço ir ao café e ao chegar lá, estão lá todos os amigos do grupo sem que nenhum tenha combinado fosse o que fosse! E nós estávamos sempre no café! No Império, mais frequentemente no Inverno, era um café com bancos à american dinner, bancos para três, de napa virados frente a frente, onde nos sentávamos tardes inteiras. No Verão, mais vezes nos encontrávamos no Cortiço, conhecido em benavente como o "café do Zé Ma'Olho", por o dono ser cego de um olho e obviamente chamar-se José. Religiosamente, durante a época dos caracóis (os melhores que alguma vez comi) as nossas tardes eram lá passadas!
Outros amigos perguntavam-me: mas vocês não se encontram em casa uns dos outros?! e a verdade é não! Íamos chamar-nos a casa uns dos outros, mas passávamos tempo juntos era nas mesas dos cafés!
Ainda hoje combino cafés a torto e a direito, e às vezes nem café bebo! Mas digo-vos: fomento grande parte das minhas amizades à mesa de um café!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Absinto e Silicone

(atenção! esta é uma nota prévia!) Não que seja uma obsessão, mas o facto de esta ser a segunda vez que falo das mamas da Luciana é pura coincidência!!!
Como os meus caros leitores já sabem eu devoro notícias: leio o jornal (às vezes mais do que um), ouço rádio, leio as notícias na net e ainda na televisão... Enquanto lia mais uma notícia li que um estudo da netpanel dá-nos a conhecer as dez pessoas cujos nomes foram mais vezes pesquisados. Ora adivinhem lá qual foi o mais pesquisado, é verdade foi o da Luciana, os outros são todos nomes de mulheres atraentes ou pelo menos vistosas: Ana Malhoa(a qual também já surgiu aí noutro post), a Nereida Gallardo, Amy Winehouse, as "manas Chaves", como diz o meu amigo Bruno (nome fictício): Diana e Soraia, Jessica Alba, Carla Matadinho e Paris Hilton. Espera lá mas só estão aqui nove nomes, qual é o outro?! Será aquela gaja da triumph? não! será a gaja das minis? também não! Senhoras e Senhores, o oitavo nome mais pesquisado durante o ano passado foi: Fernando Pessoa! Sim, o grande poeta que ia beber absinto para a brasileira figura no meio destas mulheres todas, quem não vai gostar nada disto é a sua pequerrucha Ofélia Queiroz, dizem as más línguas que era um mostrengo tal que levou Fernando Pessoa a escrever o poema com o mesmo nome sobre o adamastor. Por estas e por outras não deixa de ter a sua piada ver agora o Fernandinho no meio de tanta donzela, não acham? Então e agora porque é que o título é silicone e absinto? Porque se não fosse a silicone, a Luciana não encabeçava a lista, e se não fosse o absinto a obra do Fernando com certeza não seria tão extensa...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Interregno

Caros leitores, anónimos e conhecidos, nos próximos dias não deverei publicar muita coisa... Acontece que tive um acidente, e ando de braço ao peito, eu até tenho material mas como tenho de escrever só com uma mão, demoro muito tempo e irrito-me bastante, notem que tive que tomar um xanax para escrever este recado... Assim, anseiem pelas minhas melhoras, e quando tiver as duas mãos livres volto a escrever!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Carlinhos Garrafão

Não me perdoo por me ter esquecido de incluir no role de tontinhos de Benavente (vide Benaventices III)o Carlinhos Garrafão. O Carlinhos Garrafão morreu sábado passado de modo que tentarei agora fazer o seu obituário. Escusado será explicar o epíteto "Garrafão"...
Quando eu era pequeno olhava para o Carlinhos e pensava que tinha sido ele o modelo do Bordalo Pinheiro quando criou o Zé Povinho... O Carlinhos não tinha barba, mas tinha o mesmo ar bonacheirão e olhos ternos e aquela cara enrugada sobre o próprio nariz com um dos olhos mais aberto que outro, andava como quem anda com água pelo peito: com os braços afastados do corpo a bracejar alternadamente e uma perna mais curta que outra que o fazia baloiçar ora para a esquerda ora para a direita. O Carlinhos fazia recados, de resto a profissão mais almejada pelos tontos da terra, não se cansava nunca de pedir "um cigarrinho fachavor". Morreu num contexto algo incerto...

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A minha prenda de anos!

Vamos lá pessoal! Num só dia já atingimos quinze por cento do valor total! Não tenham medo, se exceder o valor, envio o excedente para a oxfam! Continuem a enviar!!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A minha prenda de anos!

Meus amigos! Informo-vos que faço anos dia dezanove de Dezembro! Será comemorada a assinalável idade de vinte e quatro anos, e portanto espero que se lembrem de mim!
Como sabem, faço mergulho já há algum tempo mas infelizmente ainda não tenho todo o material: faltam-me os indispensáveis reguladores e manómetro... O que é bastante caro, assim, convido-vos a até ao dia dezanove de Dezembro fazerem um donativo para contribuir para este bolo. Em troca comprometo-me a comprar os reguladores, desde que atinja sessenta por cento do valor total, se não atingir pego no dinheiro e vou para o casino esfarrapar o guito até me sair o jackpot! Não a sério, se não atingir o valor esperado, junto o dinheiro e vamos todos beber um copo a um sítio qualquer, mas nada disso interessa porque eu sei que vocês se vão mobilizar e reunir os absurdos trezentos e cinquenta euros para a minha prenda. Escreverei também um post em letras douradas com o nome de todos aqueles que se dignaram a comparticipar! Para que se sintam incentivados a colaborar adianto desde já cinquenta euros à conta. Frequentemente, anunciarei aqui no blogue os valores já atingidos. Agora vamos ao que interessa: para endossar o vosso contributo devem escrever um comentário com o vosso nome (excepto se quiserem manter o anonimato, claro está!) e depois usar os seguintes dados num pagamento de serviços num multibanco:
Entidade Bancária: 20130
Referência Multibanco: 485055776
e o valor à vossa escolha,
Aquele abraço!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Quantum of Solace

Acabei de ver o último Bond! Apesar de não ser tão bom quanto o primeiro dá continuidade à personagem criada por Daniel Craig. Esta personagem torna-se ainda mais sua neste filme, este James Bond já não é o que conhecíamos. Se outros se prezavam por nunca se envolverem emocionalmente, este é o mais emotivo de todos os Bonds! Mas não é lamechas! As emoções são raiva, vingança, os motores necessários para dar movimento às lutas corpo a corpo. Não há espaço para gadjets, aqui há sangue e fatos rasgados, não há assassínios à distância e com veneno mas sim golpes fatais e uma espera fria e paciente pela última hemorragia do inimigo. Com a noiva morta e sede de vingança, este Bond precisa de algo mais forte que um mexido Vodka-Martini: a bebida agora é outra... As apresentações são bastante mais fugazes e parar para dizer Bond, James Bond por certo pareceria ridículo neste filme.
Mas há coisas que nunca mudam: a bomba deste filme é o Aston Martin DBS, mete ainda o novo Ford Ka, e um Ford Edge americano, ambos a hidrogénio, e as Bond Girl's mantêm-se à altura (uma das quais rende-se à mais invulgar frase de engate de sempre no quarto de hotel: "Porque não me ajudas aqui a encontrar o papel de carta"! Já o genérico inicial não foi nada de espectacular, mesmo com o tema de Jack White e Alicia Keys que o acompanha.
Apesar de não ser tão bom como o primeiro, leia-se o vigésimo primeiro, que eu achei ser o melhor de sempre, este filme mantém o rumo do novo Bond, e não deixa de ser mais um James Bond!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

PHDA

Recentemente descobri, ou melhor, diagnostiquei tardiamente PHDA que significa Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção. Consiste basicamente em perder-me nos sítios mais reconditos do meu cérebro enquanto faço qualquer coisa, é algo muito chato... por exemplo, para verem como isto me afecta reparem que tenho estado a escrever este post sem olhar para o ecran... e a verdade é que não sinto qualquer vontade em olhar para cima... acho que isto acontece por eu me perder facilmente em actividades que não têm o mínimo interesse. mas há muito mais: ao contrário das pessoas normais eu tenho que estudar muito mais porque estudo realmente dez minutos e passo os outros cinquenta de uma hora a olhar para moscas e arrancar-lhes as asas, ou reparo no melro que cantou lá fora ou vou ver se fechei o carro e fico a pensar em coisas tão descabidas como maneiras de não estudar depois de um momento para o outro começo a falar de outra coisa completamente diferente e esqueço-me imediatamente da anterior, por isso é que às vezes digo coisas em voz alta que não fazem sentido para quem me ouve... e depois há outro que também tem piada que é a de ir a um sitio de propósito para fazer qualquer coisa e... e o quê?! porra esqueci-me... como não estou a olhar para o ecran já não me lembrto do que disse... mas espera aí, porque é que eu não estou a olhar para o ecran?! vou olhar... (pausa) Ah é verdade, por exemplo no outro dia fui a benavente de propósito para trazer um dossier que precisava e voltei para lisboa sem trazer o dossier... Ou outra vez há uns anos fui a benavente mas os meus pais e irmãos não estavam lá, portanto fui eu que abri a porta dos cães para eles irem à rua, mas depois fui-me embora para lisboa e só me lembrei que os cães estavam na rua quando lá cheguei... tive que voltar! No inicio deste ano fui para a faculdade de carro e depois voltei de autocarro: esqueci-me lá do carro... Apesar de tudo e graças aos telemoveis, mantenho sempre os meus compromissos, quase sempre, as vezes esqueço-me de um jantar que combinei ou uma aula que foi mudada, mas nada de muito grave. Habituei-me também a escrever as coisas porque senão esqueço-me de tudo... bem, esquecer não será bem o termo, porque eu acho que na verdade nunca cheguei a apreender aquilo que acho que esqueci... E depois digo coisas como " tu nunca me disseste isso!" o que enerva um pouco os outros... Nos últimos dois anos tenho aprendido a lidar com esta minha maneira de ser, e a muito custo acho que tenho mudado a minha maneira de lidar com as coisas, com resultados palpáveis, uma das técnicas é simplesmente não parar para pensar, mas sim andar e todos os dias tenho de me impingir isto senão perco-me em possibilidades infinitas e acabo por não fazer nada... É uma coisa também frequente que já não faço tanto é a de começar várias empresas sem concluir nenhuma, por exemplo, começo a aparar as ervas do jardim, mas entretanto reparo na tesoura da poda e como está ferrugenta, largo a roçadora e dedico-me a limpar e olear a tesoura, vou lá dentro a casa buscar o óleo mas reparo que deixei a loiça do almoço por lavar, de modo que acabo por pôr a loiça na máquina e aproveito e vou à sala ver se tem loiça suja, ao pé do sofá onde fui buscar um copo, vejo como está sujo o chão... Vou buscar o aspirador, mas quando vou ligar a ficha já lá está outra: a do computador. De repente lembro-me que ainda não enviei um e-mail que fiquei de mandar e ligo o computador, mas como quando liguei a net reparei que me enviaram muitos mails com cenas engraçadas de ver distraio-me a ficar a vê-las. No fim do dia ainda tenho as ervas para cortar, a tesoura para limpar, a loiça por lavar,o chão por aspirar e o mail por enviar... Esta maradice juntamente com a minha desorganização patológica (literalmente!) faz com que eu seja visto, por mim, como um calão e não um doente mental, porque na verdade a única diferença é que ser calão pode ser inato ou adquirido enquanto que ser PHDA é ser comprovadamente um calão inato!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

BPN

Este banco foi nacionalizado por nós. Só por si, isto já deixa um gajo mal-disposto, mas depois vou à net ver a página do meu banco e as minhas contas, e penso: Já não basta as minhas acções perderem metade do valor, ainda me vou por a comprar um banco perto da falência... Porra, mas quem é que responde por isto?! Vamos lá ver quem é que está à frente do BPN. É o Miguel Cadilhe. Cadilhe... Cadilhe?! Então mas esse não era o ministro das finanças do Cavaco, e a referência usada sempre pelo PSD para contestar as políticas financeiras do governo??? Espera lá, o Cadilhe é o mais-que-tudo financeiro do PSD e deixa que um banco perca mais de cinquenta por cento do seu capital?! Ao que isto chegou! Mas agora vai ter piada: com que moral é que Cadilhe contestará seja o que for, que credibilidade poderemos atribuir às suas críticas? Eu diria que nenhuma.

Freaks flock together

As pessoas têm a tendência para se juntarem de acordo com os seus interesses. Quando os interesses são medianamente comuns, será mais fácil encontrar soluções para problemas ou preocupações que afectem o mesmo grupo. Não fosse eu estudante de biologia e não encontraria aqui mais uma prova da Evolução, mas adiante...
Existem neste nosso mundo vários outros mundos exclusivos dos olhos de apenas alguns, os cirurgiões e pessoal de cirurgia lá conhecerá as entranhas dos corpos humanos, os mecânicos não encontram surpresas num motor, mergulhadores conhecem esse mundo subaquático, e o mundo microscópico é conhecido dos biólogos e outros, tal como o telescópico é dos astrónomos. Assim, se eu quiser partilhar uma descoberta fantástica que acabei de fazer, digamos, no modo de alimentação de um pogonóforo acima dos cinquenta graus centígrados, convém, no mínimo, que o meu interlocutor saiba de que animal eu estou a falar e da sua biologia... Mas nem é preciso tanta especificidade, por exemplo, de cem pessoas escolhidas ao acaso, quantas se entusiasmarão com o comportamento exibido por um caranguejo a comer uma poliqueta?! E numa turma de biologia marinha?!
É por isto que os Freaks flock together, numa multiplicidade de mundos que se apresentam mais ou menos interessantes, juntam-se aqueles que mais amam determinado mundo. Há ainda outro aspecto interessante que é o facto de haver uma gritante e forçada incompreensão por parte de um habitante de um mundo em relação a outro diferente: como quando vemos um bando de gajos vestidos de Darth Vader e Han Solo para ver a emissão contínua de todos os filmes do Star Wars. Pensamos (os que não conhecem este mundo): "Estes gajos são uns otários!" E talvez estejamos cobertos de razão, mas isso não interessa! O que interessa é que estes totós com idade para ter juízo, e mulher, e filhos, e casa própria, andam em bando porque gostam do mesmo mundo! Independentemente desse mundo ser estranho para outros.
O mundo a que eu pertenço é também estranhíssimo, senão vejam: numa aula é apresentado um slide de um choco acabado de ecludir, que objectivamente é uma massa disforme, preta, onde um olho arguto identifica uns tentáculos e dois olhos enormes. A reacção das miúdas da turma é um ooohhhhhhh!!! carinhoso como alguém que admira a ternura de um cachorro, enquanto o cidadão comum teria uma reacção anojentada, talvez um vómito!

Soneto de Amizade

"Soneto de Fidelidade
De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Soneto de Separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."

Vinícius de Moraes

E agora que é findo esse amor,
Após as lutas vencidas,
Lambem-se, enfim, as feridas
Enquanto se busca a paz interior.

O que veio depois do torpor
foram umas eufemizações desmedidas,
para atenuar as sensações sentidas,
E trazer, talvez, algum calor.

A seguir aos sonetos de separação e fidelidade,
Queria que ficasse algo mais,
E se te permitires a tal,
E não deixares que as injúrias te sejam fatais
Escreverei este soneto final:
O Soneto de Amizade

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Xenofobias e Homossexualidades

Um eminente etólogo dizia que quanto mais seleccionadas forem as raças maior será o número de indivíduos com comportamentos aberrantes.
Agora, a pensar na frase de cima, atentem a este conto de fadas trágico que vos vou contar...
Era uma vez um príncipe que vivia numa região dos alpes, ele era o príncipe herdeiro do nacional-socialismo. Sempre aprumadinho, e extremamente correcto na sua apresentação, metrossuxual, (de reparar que os homens de extrema direita são sempre mais preocupados com a sua imagem) um homem sem surpresas na hierquização dos seus valores: família, a raça, a nação... Muito carismático, graças aos ideais xenófobos, foi ganhando admiradores entre os mais jovens austríacos, que tanto medo têm dos povos que lhes atravessam a fronteira.
Rapidamente o nosso príncipe seria tornado rei, casado e pai de filhos, e estava agora à frente da Aliança para o Futuro da Áustria!
Embora casado, faltava ao nosso líder a sua verdadeira musa, a sua fada, que descobriu quando conheceu um jornalista da área da cosmética. Este jornalista sentiu uma atracção imensa pelo líder neo-nazi, física mesmo. Tornar-se-iam inseparáveis ao ponto do líder, 30 anos mais velho, prometer ao seu secreto amante e confesso braço-direito a liderança da aliança!
Em mais uma noite, que o carismático líder disse à mulher ser de trabalho, seguiu até à porta do seu jovem admirador, e juntos foram para a festa gay onde tantas vezes se divertiam. Lá os ciúmes motivaram uma emocionada discussão que acabaria com mais uns vodkas e a fuga do neo-nazi no seu carro do povo, o phaeton... pelo caminho atravessaria um muro de betão.
O jovem jornalista, agora líder, ficou destroçado, mas ainda aguentou duas semanas antes de confessar aos austríacos que perdera o seu amante, o homem da sua vida... A aliança não podia admitir que o número um e dois do partido fossem amantes e demitiu imediatamente o abalado e recém nomeado líder. Em duas semanas o pobre jovem nazi perdeu o trabalho e a família...
A propósito, o eminente etólogo era austríaco!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sindicalistas

Não gosto de sindicalistas, não vou à bola com eles, não os como nem com molho de tomate, não os posso ver nem pintados de ouro. As reivindicações utópicas, os discursos iguais desde o vinte e cinco de Abril, as formas de discurso e entoações à la PCP, vocábulos como proletariado, patronato, imperialismo, exploração... Não os suporto, são desonestos: exigem ordenados e privilégios(que é diferente de direitos)que são perfeitamente surreais!!! Acho especial piada à FENPROF por considerar que os professores são uma classe profissional particularmente afectada, quem os ouvisse até diria que são perseguidos, num panorama de dificuldades generalizadas para todas as outras classes de trabalhadores...
Correm atrás dos trabalhadores que não pagaram as cotas, "bullyzam" os fura-greves, e, acho eu, rebentam aneurismas se lhes pedirmos para tentarem compreender o lado do patrão... São uma máquina bem oleada, uma indústria de lobbistas (e prometo parar por aqui com os anglicismos) que a troco de uma parte do seu salário pressionará o governo a aumentar-lhe o mesmíssimo salário. Chegam a ser de tal maneira grandes estes sindicatos que às vezes se parecem com aquelas empresas multinacionais contra as quais lutam, gerem orçamentos imensos, empregam centenas de pessoas, dir-se-ia que qualquer dia será preciso sindicatos para aqueles que trabalham nos... sindicatos!

Pára-choques de titânio

Quem me conhece sabe o quão penoso pode ser andar comigo de carro. Praguejo e resmungo com os demais ocupantes da via, levo a um estado tal de enervação, o meu pendura. Dizem-me que devo ter mais calma e ser menos emocional, mas eu digo-vos que o meu problema é racionalizar demasiado.
Se para comprar bilhetes, ou usufruir de qualquer serviço, existir uma fila, esperarei pacientemente a minha vez... Se encontrar alguém conhecido à porta dos correios, deslocar-me-ei para não impedir a passagem dos outros... Se for de noite, não ligarei o aspirador... Na estrada, as minhas reacções explosivas não ocorrem por eu ser nervosinho, mas apenas porque sou escrupuloso no respeito pelo próximo e não espero menos, nunca, daquele que comigo interage. Eu não nunca estaciono em segunda fila (e há aqueles que quando me entalam por ter estacionado no espaço devido, aparecem depois de eu me fartar de buzinar e ainda têm a lata de dizer - até parece que você nunca estacionou em segunda fila?!), eu não uso as faixas do BUS, eu alterno a cedência de passagem nos entroncamentos, é tudo uma questão de respeito pelo próximo...
Nas filas que se criam à porta dos serviços, pouca gente ousará passar à frente de alguém, isto porque será fulminado pelo olhar furioso daqueles que esperam há já algum tempo, poderá mesmo ser mandada alguma boca, ou pior, correr tudo a chapada, ou talvez nada disto ocorra porque alguém na fila disse - Desculpe mas esta linha de gente atrás uma da outra chama-se fila e o seu lugar é lá atrás... Mas não se o prepotente javardo seguir na sua viatura, aí sentir-se-á a salvo de olhares cruéis e ameaças verbais (ás vezes...) ou então está-se pura e simplesmente cagando para os outros, e mete-se à frente das filas de trânsito, ou estaciona em segunda fila, mete-se à papo-seco nas rotundas e coisas do género.
Epá porque o que dá mesmo vontade é de instalar um pára-choques de titânio, daqueles tubulares, e ansiar para que um destes caramelos se meta à nossa frente indevidamente, e aí em vez de travar e evitar um acidente do qual o outro seria o culpado, acelerar e partir-lhe o carro todo...
Mas aquele que andar comigo de carro reparará que eu só me enervo com questões que envolvam o respeito mútuo, senão reparem: um gajo conduz a cinquenta à hora numa zona de noventa, eu fico impaciente porque o gajo está a limitar a minha liberdade de me movimentar na estrada, e se um velho se faz a uma passadeira e demora cinco minutos a atravessá-la, eu até espero (e com uma paciência invejável!) que ele chego até ao outro passeio, mas se outro gajo conduz um carro à monocarril, i.e., com o carro em cima da linha que divide duas faixas, eu sou bem capaz de apitar e gritar-lhe - 'tás em boa altura para andar de metro!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Benaventices (IV)

Vou falar-vos de um homem de grande referência em Benavente, um homem que durante anos ocupou um lugar cimeiro na Câmara de Benavente: dava corda ao relógio da torre do edifício da câmara. Reuniu ao longo de quarenta anos aquilo que viria a ser o acervo do museu municipal. Alfaias agrícolas, trajes, cerâmica e outras foram coleccionadas pelo homem dos sete ofícios, Joaquim Parracho.
Joaquim Parracho, tinha um humor inimitável! Não que fizesse por isso mas era uma pessoa que para além dos artigos etnográficos coleccionava também muitas situações caricatas, duas das quais relembro aqui!
Certa vez, a antena um gravou um programa em benavente e quis falar com o Parracho acerca do museu.
Começou a entrevista, feita ao ar livre no jardim dos bombeiros velhos, e o repórter pergunta
- Senhor Parracho, o senhor nasceu em que ano?
e ele respondeu - Nasci em mil novecentos e vinte, ano da famosa aguardente!
- Corta! Oh senhor Joaquim Parracho não pode fazer publicidade! Vamos lá outra vez...
- Senhor Parracho, em que ano nasceu?
- Nasci no ano da aguardente mil novecentos e vinte!
- Corta, senhor Parracho disse outra vez aguardente!
- Sabe, é que eu digo isto há tantos anos!
- Vamos começar outra vez...
- Senhor Joaquim Parracho, em que ano nasceu?
- Nasci em mil novecentos e vinte!- fez uma pausa aproximou-se do repórter e depois disse - Agora não falei da famosa aguardente!

Glossário Comportamental

Foi-me pedido na faculdade para escrever dois mil caracteres de texto, espaços incluídos, usando conceitos usados no estudo do comportamento animal, os quais foram enunciados. Abaixo está o que escrevi. Os conceitos não estão assinalados mas ser-vos-á fácil identificá-los.
Levantámo-nos mais cedo nesse dia para aproveitar as horas mais frescas da manhã, íamos montar a cerca eléctrica! Quando chegamos a manada estava espalhada: uns pastavam outros ilustravam esse conhecido padrão fixo de acção que é o de dois cavalos coçarem as costas um do outro mordiscando-se mutuamente, outro ainda, um jovem macho tentava copular com uma égua prenha num aparente comportamento no vazio. Uma égua de três anos viu na já conhecida renault 4l branca o estímulo sinal que a levou a erguer as suas orelhas e a emitir o breve relincho, estes, com certeza, actuaram como um desencadeador social, pois toda a manada reagiu ao relincho e reuniu-se junto ao carro, apenas um poldro correu na direcção oposta o que me pareceu ter sido um comportamento deslocado...
Os cavalos andavam soltos no campo e com a cerca íamos separar o terreno para reservar pastagem... Isto de separar pasto com cerca electrica só dava com os cavalos, as vacas mertelengas até arrastavam arame farpado se o pasto o justificasse! Ou seja, as mertelengas sofreriam uma acumulação de energia específica de acção provocada pela visão de um luxuriante pasto verde por oposição ao terreno “ratado”, passe a expressão, onde se viam confinadas. Este excesso energia, a pulsão, levaria a um comportamento (literalmente!) apetitivo: o rebentar dos arames farpados! A energia seria então dissipada logo após a concretização do acto consumatório, assim que as vacas abocanhassem a erva fresca.
Procurar uma zona húmida, perto da vala serve, para ligar o gerador à terra. Gritava para o meu primo, que tinha montado a fita da cerca – estica mais a fita! – quando ele o fazia eu ligava o gerador e o choque eléctrico que ele apanhava fazia-o dar um salto como um gato que vê um cão ao dobrar uma esquina (também o ouvi praguejar)! Ficou a cerca montada, e ficamos ali mais um pouco, a ver os bichos. Os cavalos, desconfiados, vieram em manada analisar o novo objecto, e um mais afoito na frente da manada veio aproximando-se de nariz esticado e orelhas apontadas para trás até que tocou na cerca! Como estavam todos juntos, apanharam todos um choque, pela lei da somação heterógenea, o conjunto de estímulos de choque, empinanços e relinchos provocou um verdadeiro pânico...

Como ganhar o Prémio Nobel

Antes de mais vou só dar a conhecer, para quem desconhece, o homem por trás do prémio. Alfred Nobel, sueco, veio a inventar uma forma de manejar nitroglicerina, um explosivo extremamente instável, de um modo seguro. Adicionando-lhe pólvora criaria uma pasta que poria num cartucho de cartão, inventou a dinamite. Tornar-se-ia um dos homens mais ricos do seu tempo e por vontade expressa em testamento, esse dinheiro seria usado para criar a Fundação com o seu nome.
Para ganhar o prémio Nobel é preciso acima de tudo ter uma saúde de ferro! A academia sueca tarda tanto em entregar os prémios que por vezes decorrem mais de cinquenta anos entre a publicação das descobertas e a atribuição do galardão... Não há cá Nobeis a título póstumo, maneiras que é assim: ou a sua investigação é MUITO boa e o prémio é atribuído brevemente, ou a sua investigação é fracota e será galardoado num ano mais fraco, resta ter a tal saúde para estar vivo quando esse ano chegar...
Deve também imigrar para os Estados Unidos quanto antes! Toda a gente sabe que é nos States é que a coisas se resolvem, em Portugal mal temos dinheiro para comprar fotocópias nas faculdades quanto mais investigar em série...
O objecto do seu estudo deve estar na moda! Desde há alguns anos para cá que a academia passou a usar o seu famosíssimo prémio para de alguma forma chamar a atenção para determinado tema, o microcrédito, o aquecimento global.

domingo, 5 de outubro de 2008

Viva a Républica!

Sou Republicano, repudio um sistema que designa uma pessoa governante com base no seu sangue, é primitivo.
Hoje senti que o Presidente da Républica, que discursava, era também o meu Presidente. Até agora não o tinha sentido, até porque não votei nele, e como já tinha mostado noutro post, nunca tinha gostado dos seus discursos. Mas não hoje, hoje gostei de o ouvir, foi real e pragmático, preocupado mas esperançoso.
Os partidos, invariavelmente, aproveitam qualquer minuto de telejornal para tempo de antena, e o que dizem, perdoem-me o cliché, é sempre o mesmo: que o presidente falou muito bem, mas o governo não tem noção do país em que vive...
O Sócrates esse, que normalmente não me faz assaltar grandes críticas, fez uma coisa imperdoável, ou melhor, o seu acessor de imagem terá permitido que ele a fizesse. No dia da Implantação da Républica, em que trocámos os símbolos monárquicos pelos republicanos, a guarda, o hino, a bandeira, que antes era azul e branca. O Sócrates assistiu ao discurso do presidente e na televisão formava-se um retrato claramente republicano: o presidenta, a varanda, cores vermelhas e verdes. Mas numa espécie de acaso deveras perturbador ou manifesto aviso subliminar, Sócrates decidiu vestir uma camisa branca e gravata azul. Logo hoje...

A Beleza duma CCC

Um fumo branco esfumando-se no céu azul, ele é livre, vivo! Nos dias sem vento, e tão frequentemente de madrugada, ele ergue-se num só sentido ascendente fazendo-se parecer um arranha-céus. Quando o ar se sente mais seco, ele desaparece à boca das chaminés, ondulando com o vento, é uma chama de neblina branca. Com ele posso contar: lá estará sempre a todas as horas, em casa, olharei para a luz e lembrar-me-ei do fumo que sai da chaminé, como ele é belo. Essa passagem tão fugaz não me deixa apreciar-te, oh fumo, podia olhar-te a perderes-te no céu infinitamente. Ao fundo, a paisagem é ilustrada pelo Tejo, tão cantado, e a lezíria, aberta e verdejante e amarela cheia de milhos e melões e tomates, cortada ao meio por uma auto-estrada que me leva a ti...
Ah! Quanta beleza encerra uma Central de Ciclo Combinado!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Recrutamento

A notícia: "MI6 recruta espiões no FaceBook"
Acho fofo! Isso é que era bom cá pra Portugal! Todos nós sabemos a dificuldade que é encontrar a pessoa certa para o lugar certo... Assim é bem mais simples! Senão vejamos:
PSP's, podíamos recrutá-los nas salas de chats sobre fardas e cacetetes do mIRC;
GNR's, chatroom da associação nacional de adegas cooperativas,
GOES, Hi5 do Bruno Alves
Médicos, orkut do Dr. Bayard
Taxistas, NASCAR destruction derby forum
Governo, myspace do Michael Page
O que é que acham?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Run Palin, Run!

Oh Palin, se fosses apanhar na peida fazias melhor... Ah! É verdade, não podes... isso seria contra os valores da família, da religiosidade... Fazer amor é pecado, e só deve ser cometido aquando da procriação, e no dia a seguir, Palin, já sabes, deves correr a redimir-te! Não vá Deus, Nosso Senhor, deixar-te à porta... Como apanhar na peida não tem qualquer fim procriativo, está absolutamente fora de questão!
A ser vice-presidente será tão igual àqueles que nela votarem, os americanos conservadores, e tão diferente daqueles que pasmam quando lêem o seu currículo, os liberais. Aqui não há meias decisões, todas as escolhas são fáceis: tudo pelo extremo! A neta emprenha aos dezassete anos: Casa-se e tem o filho! Ela espera um filho mongolóide... Abortou? A constituição defende o uso e porte de armas: ela é membro do National Rifle Association (N.R.A.), mata ursos no Alaska. O Alaska é importante para a economia dos EUA? Ela defendeu a sua independência! Defende ainda um estado cristão que doutrine o Criacionismo nas escolas, já refutado pelo Vaticano... Para além de tudo isto, tem ainda conseguido recusar (como eu o lamento) os incansáveis pedidos de Hugh Hefner para pousar para a Playboy...
E agora analisem isto: Ela é republicana, defende fervorosamente os valores da família, recentemente alargada pela chegada do filho mongolóide, agora com seis meses... Daqui a dois, está disposta a aceitar o cargo de vice-presidente daquela que eles acreditam ser a maior potência mundial... Agora digam-me, o que é que podem inferir acerca da importância que ela dá aos valores da família e ao cargo de vice-presidente... Como nota de rodapé deixo-vos estas pérolas: Sarah Palin admite entrar em guerra com a Rússia ou o Irão.

Lucy!

Lucy! Lucinha! Acordo num sábado qualquer, sento-me na cama, saboreio o meu hálito horrível, esfrego a barba, coço o cu e passo a mão pelo cabelo, seboso, ansioso por um duche. Vou mijar, mijo, sacudo o pingo enquanto bocejo, o que faz salpicar um pingo de urina na minha boca bocejante, cuspo repugnado, e lavo os dentes de seguida.
Caminho coçando ainda o cu, vou tomar o pequeno alçomo. Enquanto torro uma fatia de pão, ligo a televisão. A torrada salta e cai no chão: não bebi o café e os reflexos estão ainda adormecidos... Volto para a frente da T.V. e vejo um valente conjunto de bagas/pernas... O que é isto?! Esfrego os olhos, enquanto o faço vejo projectada nas minhas pálpebras a imagem da grande Alexandra Lencastre, essa ninfa que inspirou os sonhos dos rapazes que tiveram como referência de infância a grande série: Rua Sésamo! Abro os olhos, e a custo foco uma Luciana Abreu mamalhuda, de calçonitos brancos, mal tapando as bochechas do rabo...
Ora, será este o programa ideal para uma manhã de sábado? Bem sei, que atendendo à tradição das manhãs de sábado da sic, não podíamos esperar nada na onda do softcore, senão lembremo-nos do didactismo das manhãs do A E I O U da Ana Malhoa, semi-nua, tatuada e furada de piercings... (serei demasiado púdico?!) Mas mesmo assim, e apesar de eu achar a contratação da Luciana uma clara melhoria face a qualidade das manhãs de sábado da sic, devo dizer que espero ainda mais. Só não metam um Júlio Isídro no programa infantil a cumprimentar: "Olá Amiguinhos!"

Não te rias , Fidel!

É feio rir da desgraça alheia. Não te rias, Fidel! Aparentemente, o capitalismo falhou, e foi uma falha muito cara! Pelo menos, setecentos mil milhões de dólares, é um sete com onze zeros a seguir!!! Este é o valor que os americanos vão pagar, os europeus não pagarão tanto, mas também vão largar a nota... Vendo bem aquele país que está de facto imune a esta crise é Cuba! O isolamento imposto pelos U.S. of A., acaba por livrar os cubanitos deste crash bolsista...
Nós, temos estado a olhar para o ar, cagados de medo, a ver se não nos cai nenhum morteiro financeiro em cima, e já temos aqui umas crateras ao lado, primeiro da AIG e agora do FORTIS.
Do lado de cá, já se viu com o FORTIS e AIG, fora os outros bancos semi-capitalizados por essa Europa fora, que ainda nada está pacífico... Por outro lado, se os britânicos começavam a odiar o Gordon Brown, nesta fase não podiam ter melhor comandante para esta guerra financeira, senão o homem que "protegeu" e protege ainda o U.K. do euro e que controla de perto a economia britânica já desde o tempo do Tony.
O Chávez e o Fidel riem-se dos capitalistas e comentam: "Que estúpidos! Estes gajos deixam as empresas privadas ter prejuízo, e depois compram-no!!! Nós somos bem mais coerentes: deixamos as empresas privadas instalarem-se cá e depois nacionalizamos o lucro! Na China, é difícil dizer se estamos perante capitalismo ou "socialismo": as empresas que dão lucro são nacionalizadas e as que dão prejuízo são privatizadas. Vende-se o prejuízo e compra-se o lucro!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sei Lá

Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
A vida tem sempre razão

Vinicius de Moraes

Há coisas sobre as quais não posso pensar, são superiores a mim. A morte, a sua irreversibilidade e o conceito de Infinito. São os extremos, dum lado a mais elementar certeza dos Homens, que é a morte, o finito, e do outro a eternidade sem começo nem fim.
Cada vez que penso - ok, estou em Lisboa, Portugal na Terra, no Sistema Solar num braço da galáxia Andrómeda chamado Via Láctea, depois há outras galáxias... e a seguir? Nunca mais acaba? E se acaba, qual é o limite? É de uma angústia acutilante, sinto as pernas a fraquejar, o olhar fixo no vazio a tentar conceber o Infinito...
A morte, irreversível, certa, é só uma questão de tempo... Não posso deixar de pensar nela, quando uma mulher morreu atropelada na rua onde passo diariamente, quando fui operado, quando fico doente... Que posso eu dizer? Sou um existencialista, interrogo a minha existência, não a percebo senão como um acontecimento fortuito, sucessões de acontecimentos aleatórios desde o quê, Big Bang?, da origem da vida? até à minha morte. Teve que ocorrer o Big Bang, depois a vida, seres multicelulares, uma tal quantidade de bichos meus percursores a crescer sobreviver e reproduzir-se, evoluir... Visto assim a minha existência é impossível! Bom, virtualmente impossível, dado que se foram necessários triliões, diria mais, infinitos acontecimentos independentes para eu existir, então a probabilidade de apenas um deles não acontecer é certa, portanto, 1! Eu não existo!

Agressividade

Inicio a minha formação em Comportamento Animal, uma cadeira da faculdade. Por enquanto a minha referência maior é Konrad Lorenz, vencedor do prémio Nobel, li os seus livros entre os quais "A Agressão". Fica definido que a agressividade ocorre principalmente a nível intra-específico, lutas por fêmeas, território, hierarquia social... Na predação não há agressividade, os lobos não rosnam às renas, a agressão pressupõe repugnância, indica o espaço vital do organismo, a densidade define-se.
Não resumirei o livro, apenas parto deste parágrafo para ilustrar algo para mim incompreensível durante algum tempo, mas que agora admito ter a solução.
Compreendo a preocupação das pessoas pelos animais, a sua dedicação e capacidade de se mobilizarem perante uma causa comum, as peles, as touradas, as baleias caçadas para fins "científicos", as focas mortas à paulada... Ao mesmo tempo morrem talvez em igual ou superior número Homens à fome, sede, guerras, genocídios...
Vendo as notícias, os amigos dos animais comem e calam as notícias da tragédia humana mas rebentam de fúria para reagir às más novas referentes a animais... Não parece Humano.
Será da agressividade? Entre pares a luta é certa e natural, pela luta por poder ou recursos os Homens matar-se-ão uns aos outros. Mas Homens a maltratar animais, não é natural e por isso mais repugnante para alguns do que imagens de homens mutilados por guerras.

Marujo Português

"Há sempre um Vasco da Gama num marujo português"
Artur Ribeiro

Acordar com o Sol, vestir os calções de banho, ainda húmidos dos banhos do dia anterior, no caminho para a ria fumar o primeiro cigarro do dia, o fumo e a húmidade com cheiro a terra molhada marcam-me memórias infinitas: recordo estes dias a cada inalação destas. Formosa, a ria, espera-me espelhada, sem ponta de brisa. O barco, apoitado no meio da água, aproa a este: a maré desce. Nado até ao barco fora de pé, agarro a alheta, como que convidando, o barco adorna-se para eu subir a bordo. Limpar o convés, ligar os instrumentos, mergulhar o motor, tentar ligá-lo e outra vez... Faltava fechar o ar. Ligo-o, em ponto morto, subo à proa para desatar o lais de guia que nos prende à poita. Marcha avante no primeiro zarpar do dia, sempre, para cumprir a superstição passada por quem me ensinou a velejar.
Zarpamos!
Que indescritível sensação! Quanta vontade de dar novos mundos ao mundo, dobrar cabos, passar ainda além da Taprobana!!! Na verdade apenas atravesso a ria formosa de barco a motor, mas sempre que zarpo, mesmo que seja da Ria Formosa ou do cais de Vila Franca de Xira, sinto ainda e sempre esse arrepio no peito, essa vontade de gritar ao mais ínfimo calhau que me altera o rumo: MANDA A VONTADE QUE ME ATA AO LEME!
Rasgo o mar rumo ao desconhecido, piso a proa de cara ao vento e mão no peito, inspiro a maresia, qualquer passeio é uma travessia!

Porque escrevo?

Por várias vezes sou assaltado por esta questão, devo escrever? Chama-se a isto escrever? Penso no, por uma vez já citado como o maior poeta vivo, Vasco Graça Moura, e reflicto - que literal e insolente ousadia o acto de escrever mediocremente numa página de internet, sinto-me uma rémora que paparica os restos que sobram desse exercício maior que é a escrita de Graça Moura. Não o procuro imitar, não saberia como.
Não depletando o conteúdo, admiro sobretudo o forma de Graça Moura, não será então pela escrita porque escrevo, será pelo que digo?
Relatórios científicos poderão ser excitantes na sua leitura usando apenas linguagem técnica, se aquilo que disserem for aliciante a linguagem pode ser simples. Será a minha mensagem tentadora? Não poderei ser tão hilariante como Markl ou Araújo Pereira, tão faccioso como Nuno Delgado, tão resmungão como Pulido Valente, tão perspicaz como Ferreira Fernandes ou prolífero como Pacheco Pereira...
Certo, não serei nada disto, a minha escrita não encantará o mundo, nem trarei a mensagem nunca lida, mas escrevo para mim como partilha de vidas, acontecimentos, encantamentos e desagrados e principalmente como registo "publicado" daquilo que me acontece. Quem não quiser, não leia.