sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Benaventices (III)
Em benavente não há um tontinho, há vários, e esta descrição dos tontos de benavente, que farei em seguida, poderá ser chamada de benaventice, embora toda a terra tenha o seu tonto, porque estes tontos são específicos desta terra, quais espécies endémicas de uma dada região.
São tantos que os enunciarei à medida que forem surgindo na minha memória. Porventura o mais conhecido, o João Raso, cabelo branco aos caracóis, dentes muito tortos, e uns óculos bastante grossos, a sua tontice resulta de um qualquer atraso. Faz recados, e adora circo, ao ponto de certa vez, enquanto o circo Cardinalli passava por benavente, se ter apresentado como representante da câmara municipal e pediu que o circo ficasse mais uma noite, e o circo ficou!
O Lapin (coelho em francês) desconheço a origem do nome, hoje passeia-se pela avenida de roma, em lisboa, ora em direcção ao Júlio de Matos, ora na direcção contrária. Foi à guerra veio maluco, mandava piropos às mulheres, quando não conseguia jogar-lhes a mão.
O Lacrau, a sua tara era coxear apenas quando atravessava a passadeira...
O Luís Badeu, bisneto do primeiro Badéu tonto, assim ficou quando gaseado com gás mostarda na Primeira Guerra. Andou comigo na escola, para desespero da professora que recorria às cavacas da lenha para tentar impor-se ao Badéu.
A família setenta, primos dos Badéus logo a loucura é semelhante, o setenta mais velho perdeu para uma bomba raposa os três dedos do meio duma mão, ficaria famoso em benavente pela frase - São quatro imperiais e um panaché - enquanto gesticulava um "hang loose".
O Miguelito, foi comando na guerra colonial.
O Branquinho era esquizofrénico, era um intelectual auto-didata, também bebia absinto.
O Tonho-Caco, também é fruto da guerra, com uma grande barba tem um certo aprumo no vestir, usa colete debaixo do casaco, e por vezes lenço ao pescoço, sendo a roupa oferecida, não é de estranhar uns jeans femeninos à boca de sino com umas flores lexiviadas nas pernas! Pede cigarros a todo o mundo que depois guarda na orelha para fumar à noite.
Há muitos mais! Na minha família mais alguns! Mas o texto já vai longo, fica para outro post!
Tenham medo!
Mesmo com este alarme dos media, a polícia tenta sossegar-nos. Faz incursões nos bairros sociais na periferia da capital e para que não restem dúvidas quanto ao seu poder e eficácia, leva consigo os alarmados jornalistas. Estes indagam os populares num directo para a televisão, e comentam as ciganas: - até trouxeram os aviões! - enquanto apontam para o helicóptero.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Votação
domingo, 17 de agosto de 2008
Santa Engrácia meet Santa Burocracia
Nos santos populares de Lisboa costumo ir fazer o passeio Sapadores até Santa Apolónia, furando pela multidão, bebendo e bailando por esta colina de Lisboa abaixo, tem corrido bem, se tivermos em conta que afinal se trata de uma noite de santos populares, e que acabar a noite na esquadra da polícia ou na esplanada da Graça é igualmente provável!
Este ano convidaram-me para ir para a frequesia da namorada do meu amigo Nuno (nome fictício), Santa Engrácia, e eu fui. Cheguei já um pouco tarde, às duas da manhã, porque fui ver as Marchas Populares à avenida da liberdade, só essa ida merece um post próprio. O sítio, cujo nome agora não me lembro, era um ringue da bola no átrio de uns prédios, entrava-se por uma porta que bem podia ser a duma casa qualquer, não fosse o facto de a seguir a um corredor dar até ao dito ringue. "Vou beber uma mini!" disse ao pessoal e fui até ao balcão, havia bicha, depois de esperar pedi uma cerveja e a mulher diz-me - tem que ir àquela barraquinha trocar o dinheiro por senhas! - serpenteio até a barraca, está lá um velho, já bêbedo, sozinho, a trocar dinheiro para um ringue repleto de gente, tinha fila. Fico na fila, chega a minha vez. Havia senhas, com o aspecto de selos, de cinquenta cêntimos, um e dois euros. A imperial era um euro, portanto comprei um euro de santa engrácia a um euro, sorte a minha que não havia taxa de câmbio. Possuidor de dinheiro dos nativos, voltei para o outro lado para ir buscar a imperial, não sem mais um compasso de espera. Digo - é uma cerveja! - a moça responde - já não há! E também não há de barril! Só temos sangria a copo! - respondo - Pode ser... - ela - É um euro e meio... - Só tenho um euro no vosso dinheiro! Porra#&*@! Fui ao outro bar, outra fila, não há cerveja... Que diabo! Estou farto disto!
Há um café à entrada, ainda tem cerveja!!! Corro até lá, peço a tão desejada mini, apresento a senha, vejo, parece que em câmara lenta, a mini na minha mão a ser elevada, quase que toca os meus lábios, e diz o gajo - a gente aqui só aceita dinheiro... e a mini é noventa cêntimos. NÃO!!! Peço ao gajo para me guardar a mini, volto à barraca do câmbio, adivinhem, tem fila, reavejo o meu euro (é verdade, era o meu único, o multibanco estava limpinho...) e volto para finalmente beber uma puta duma mini. Não há direito, pá! O que mais me chateia é que bem vistas as coisas estes burocratas dos comes e bebes são capazes de mandar-vir com o governo por causa da burocracia, mas eu, para beber uma cerveja nos santos, divirto-me tanto como numa manhã passada, digamos, numa repartição de finanças... A ver se o simplex passa lá em Santa Engrácia, se não, não meto lá os pés!
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Somos cordeiros
Lembro-me de alguns anúncios proibidos, um mais antigo, precisamente anunciado nos cinemas, embora não em portugal mas nos Estados Unidos, aumentava-se o ar condicionado e nas imagens iniciais aparentemente inócuas passadas a trinta e dois fotogramas por minuto, eram introduzidos fotogramas com a imagem da Coca-cola. Nós processamos as imagens a cerca de vinte e quatro fotogramas por minuto, por isso, e apesar de não vermos a imagem propriamente dita, ficava a vontade de beber Coca-cola, e, quem havia de dizer, não é que vendiam Cocal-cola à porta do cinema!!!
Hoje fui ao cinema ver o Wall-e, ao entrar na sala senti de imediato um cheiro floral muito intenso, pensei: alguém exagerou no perfume... Fiquei a acabar de ler o jornal enquanto as luzes não se apagavam, até que tal aconteceu. Fechei o jornal e passei os olhos para o ecran receptivo aos já esperados anúncios, e foi aí, estranhamente, que surgiu a explicação para aquele cheiro: A marca Dove borrifou a sala com o aroma da sua nova gama de sabonetes. Que raio! Já não estamos livres em lado algum! Um anúncio na televisão, mudo de canal; na rádio, igual; um outdoor, não ligo; um flyer dado à porta do metro, mando para o lixo; então e um aroma no cinema?! Faço apneia durante todo o filme? Respiro pela boca? Será que perdi o direito de não ver publicidade? Será que alguma vez o tive?
Quando eu era pequenino
"Granda pinta!" - pensei eu! nunca tinha visto aquilo! Era uma loucura! A segunda coisa que pensei foi: "Eu consigo fazer isto!"
Com os meu irmãos fomos tratar de montar um slide, na minha casa antiga havia o tal pombal que falei no outro post e em frente havia um canil com umas seis boxes nas quais havíamos criado vários fox terrier's. Estava escolhido o sítio! Partiríamos do topo do pombal e vínhamos a descer até ao canil, qualquer coisa como sete metros de distância. Faltava o cabo, havia o cabo de âncora do primeiro barquito do meu pai, servia, apesar de ter alguns nós-cegos, isso não me pareceu um problema na altura...
Lá trouxe o cabo, fiz-lhe um laço e tentei, como um cowboy, laçar o pináculo no topo do telhado do pombal, não foi difícil! A seguir, amarrei a outra ponta do cabo ao canil tendo antes feito passar um troço de um cano pelo cabo, o cano serviria para eu me agarrar e deslisar até ao canil! Primeira tentativa: procurei a escada, subi ao pombal, que a meio da altura tinha um rebordo que parecia feito de propósito para eu me apoiar, pedi ao meu irmão do meio para com uma cana fazer subir o cano até lá cima, agarrei-o, e deixei-me ir! Era fantástico, tudo corria bem até que a meio do cabo, o cano ao qual eu me tinha pendurado passando o meu braço por cima, ficou preso num dos nós-cegos mas eu continuei a deslisar até ao canil... Rasguei a T-shirt e esfolei o sovaco, passei o resto da tarde com o braço direito alçado... Mas havia mais pilotos de testes! Depois de, diligenciosamente, ter desatado todos os nós, tirámos o cano (que nos pareceu perigoso) e pusemos a fateixa do barco. Desta vez iria o Zé! Subiu ao pombal, agarrou-se com as mãos e desceu continuamente até ao canil, onde eu e o meu irmão mais novo o esperávamos animados! Só até olharmos melhor para ele e vermos uma das pontas da fateixa espetada no queixo dele!!! Credo! Lá fomos a casa desinfectar a ferida que parecia pior do que realmente era!
Acabaram as tentativas de fazer slide quando a minha mãe chegou a casa, mas essa tarde foi inesquecível!
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Benaventices (II)
Em tempos idos era costume ir à caça, mais do que hoje, hoje somos mais conscientes mais informados e repugna-nos matar bichos que não servem para comer, a nós, a maior parte dos Homens. Quem lêr o "Tintim no Congo" verá que este matou chimpazés e dezenas de gazelas, hoje impensável, moral e eticamente condenável aos olhos de qualquer europeu.
Mas ia dizendo, a caça fazia parte do dia-a-dia da população rural, qualquer homem e algumas mulheres de famílias mais ricas caçavam. Pelo menos iam à caça, trazer para casa peças de caça é outra história, daí que alguns caçadores aldrabem o proveito das suas caçadas! Diz o povo, em cada caçador um mentiroso, e talvez o diga bem!
Avante com a nossa história, ou melhor, adiante, para evitar equívocos, antigamente em tempos que já lá vão, limpavam-se os resíduos de pólvora acumulados nos canos de uma espingarda usando um pauzinho de marmeleiro como escovilhão, assim e com um pouco de óleo se mantinha uma espingarda em boas condições. Certo dia na charneca, em mais uma caçada, conversam dois caçadores. Diz o primeiro que um dia estaria a exercer essa boa prática de bem manter uma espingarda, quando passa um coelho mesmo à sua frente! A excitação foi tal, que o pobre homem chegou a espingarda ao ombro e disparou sem antes sequer ter tirado o pau de marmeleiro do cano, tendo este sido projectado, qual flecha! O coelho apesar de atingido pelo escovilhão de marmeleiro, sobreviveu e fugiu! A resposta do segundo caçador veio em seguida: "Ora porra! Então não é que ainda no outro dia vi passar um coelho com um marmeleiro às costas carregadinho de marmelos!"
L'amaro fare niente
amaro quer dizer amargo
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Já não sou Bad Ass
Íamos para o Sobre Margem, o e não um bar da terra, o que é que se pedia? Um suminho? um Ginjer Ale? claro que não!!! Começávamos a noite com um T.G.V. (tequilha, gin e vodka) seguiam-se os shots: B-52's, Pastéis de Nata, Moranguitos, Dragon Ball's e acabava-se a noite com um Absinto e às vezes um Hamburger! Eu era um Bad Ass! Fumava como um cavalo, experimentava tudo: fumar antes de me levantar da cama - g'anda broa! Pequeno almoço é para meninos, eu era café e cigarros até à hora de almoço! Eu era um Bad Ass! Sair até de manhã, ir para Lisboa ver concertos e depois ir para o Bairro, voltar no dia a seguir a tempo de ir para as aulas às oito da manhã, avisaria os meus meus à hora de almoço! Eu era um Bad Ass! Outras coisas, de tal modo escabrosas, e passíveis de denunciar crimes públicos, guardarei para mim, mas ainda assim, Eu era um Bad Ass!
Não estou a ficar velho, pelo menos não mais do que na altura, mas acrescem responsabilidades ou talvez as eventuais consequências se tornem mais claras...
Shots não, dá ressacas horríveis... Um maço e meio numa noite é caro e no dia a seguir sinto que preciso de ser entubado... deixei de fumar. Ir para a faculdade às oito, ou é para estudar ou nem vale a pena lá ir...
Já não sou Bad Ass...
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Amar para proteger
Longuíssimos eram os verões em Benavente, apesar da piscina, o tédio instalava-se rapidamente lá em casa. Mesmo com os meus irmãos, havia a necessidade de matar aquele tédio horrível. Numa tarde, fui na biciclete do meu irmão, uma roda vinte polgadas, à espingardaria Safari do sr. Couto que fica por baixo da casa do meu primo (lá está aquilo de que falava no último post) e comprei uma bela fisga! Aquelas que fazia com borrachas de câmaras de ar e paus de marmeleiro em forma de Y já não me apraziam. Com este novo brinquedo, as tardes quentes de verão ganhavam de repente uma nova frescura: íamos para a entrada de saibro catar as pedras que nos parecessem melhores projécteis e depois dispararíamos sobre os inicialmente ingénuos pombos, que permitiam nos aproximassemos de tal modo que o tiro era sempre certeiro. Mas depressa aprenderiam, pela lei de Pavlov, que miúdos pequenos significava pedrada no bico, de modo que passaram a quedar-se um pouco mais longe e mais e mais. Os pombos, eram, claro está, comidos por nós! A Dalinda, nossa empregada e excelente cozinheira, depenava-os, arranjava-os para depois os comermos grelhados ou estufados com bacon e cravinho. Depressa os pombos se tornariam de tal modo esquivos que ao pousarem a tal distância, nenhuma fisga teria força suficiente para projectar um calhau tão longe. Felizmente para mim e infelizmente para os restantes pombos no verão seguinte viria a comprar uma magnífica pressão-de-ar Gamo, levíssima, no El Corte Inglés de Huelva. Este novo brinquedo brindou-me com uma regular provisão de pombos durante mais algum tempo, quando não andava a caçar pombos matava pardais ou simplesmente disparava sobre alvos de metal ou papel. Mais uma vez Pavlov veio ditar que os pombos fugissem após ouvir o primeiro disparo, ainda que surdo, da pressão-de-ar. Rapidamente encontrei outra solução: uma besta. Sem me aperceber da perigosidade daquela arma, lá fui, de emboscada, caçar pombos nas traseiras lá de casa. Deitado com a besta apoiada no meu cotovelo esquerdo disparei a minha única seta contra o mais gordo dos dois pombos pousados no telhado. Aquele contra o qual disparei levantou vôo, e o outro seguiu-se-lhe. Pensei: a seta foi parar sabe-se lá onde, e o pombo fugiu. Voltei para casa desiludido para encontrar junto à porta de casa o pombo a esbater as asas contra o chão com a seta a trespassar-lhe o tronco!
Não voltei a disparar sobre animais a seguir a ter causado um tal sofrimento a uma osga: Noutra dessas tardes enquanto estava emboscado, vi passar ao longe numa parede caiada uma osga, bicho pelo qual tenho uma grande estima, e disse para mim, sem achar que isso fosse possível - daqui desta distância vou espetar um chumbo na cabeça da osga e vou acertar - e acertei...
Esta história ilustra uma certeza que tenho, as infâncias eventualmente crueis para com os animais, o matar pássaros, pescar, fazer caça submarina, apanhar sapos, rebentar bombinhas nos formigueiros, traduzem-se em adultos com uma preocupação e respeito pelo ambiente mais apurados.
"For in the end, we will conserve only what we love. We will love only what we understand. We will understand only what we are taught."
Baba Dioum
domingo, 3 de agosto de 2008
Benaventices
Mas dizia eu, este título será um espaço onde tentarei expor as ternurentas histórias de Benavente e arredores, reais e inventadas como se fosse o meu AMARCORD escrito em blogue.
Nesta primeira edição vou contar-vos a história real do Homem que matou Um Cavalo com um Grito!
No não longínquo século passado, o homem que vendia gelados nas noites quentes de verão era conhecido pela marca dos gelados: "Esquimó Fresquinho". O Esquimó F´esquinho apregoava os gelados mandando um fenomenal berro: Esquimmmmmmmmóóóóóóóóóóóóóó F´esquinho! com uma grande acentuação na mó e um F´esquinho quase mudo. Ora num dia de verão, quente como sempre, nada faria supor que viesse a acontecer algo de extraordinário. Saiu o Esquimó F´esquinho à rua pra vender os gelados e ao dobrar uma esquina manda o seu inconfundível berro. Mas a seguir à esqina dobrada estava um pobre cavalo preso a um poste que se assustou com o berro e pregou um valente cabeçadão no dito poste, tendo caído seco no chão! Assim ficou conhecido o já alcunhado Esquimó F´esquinho, como O Homem que Matou um Cavalo com um Grito.
post scriptum: Outra benaventice, é o facto de as alcunhas serem herdadas de pai para filho, ainda hoje vive a família Esquimó F´esquinho!
sábado, 2 de agosto de 2008
Marineide
A realidade é um pouco diferente, sendo Portugal agora um país de acolhimento já todos contactámos com cidadãos brasileiros e alguns de nós talvez tenhamos a casa limpa ou a roupa passada por estes imigrantes, já que em geral, estes têm empregos que nós não queremos... Na verdade, o meu pai contratou recentemente uma brasileira e adivinhem o nome dela! Não vale a pena porque não conseguem, ela chama-se Giselaine!!! De repente, cada vez que vou a casa dos meus pais parece que entro no palco do "Sai de Baixo" ouço sempre o sotaque carioca "Seu Francisco isso, Seu Francisco aquilo..." até fico à espera que entre em cena o grande Cavalcante na pele de Ribamar Telo.
Ora no outro dia fui à terra e levei o meu cão, o meu Cão de Fila de São Miguel, o Ratzinger, e deixei-o no terraço juntamente com os cães dos meus pais, a Fajã e a Japona. Acontece que a Giselaine, que o meu agressivo Fila desconhece, veio trabalhar ás duas da tarde e encontrou o cão desconhecido que quase a mordeu! Então eu disse-lhe: "Olhe, a Fajã está saída e também o cão não a conhece a si, portanto o melhor é eu levar o cão para a varanda de cima para você poder limpar isto aqui em baixo" e assim evitava o risco do cão montar a cadela, ela perguntou o que era isso de saída e depois de eu lhe "traduzir" ela perguntou: "Oh Seu Francisco, mais o sior não qué cubri a cadela?"
Esta é a mundialmente conhecida frescura dos brasileiros! Ainda nem um mês no emprego e já está a perguntar ao patrão se não quer cubrir a cadela!!
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
A falta de um acessor
Enquanto não houve um candidato a primeiro-ministro credível no PSD, as relações PM/PR foram um mar de rosas (literalmente!), mas agora o nosso Presidente quis cortar com o passado e avisou o Sócrates: "A partir de agora, estás por tua conta!"
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Ute Lemper
É como queijo numa ratoeira
Luís Pedro Fonseca
Ute Lemper é uma grande actriz/cantora que deu notoriedade aos temas de Cats, Life is a cabaret, Chicago ou All that Jazz, deu um grande concerto juntamente com a Orquestra do Algarve no último sábado em Tavira oferecido pela Câmara Municipal. Um concerto destes à borla, sentadinho numa cadeira chega e sobra para encher a minha alma e preencher a minha noite, mas o autarca experiente, sabe que o seu munícipe ficará com um sentimento de poucochinho apenas com um concerto de Ute Lemper, e portanto findo o concerto logo se iniciaram as salvas de morteiros, foguetes e bichas-de-rabiar acompanhadas, claro, pelo som da estupenda Orquestra. E se a ovação tinha sido grande quando acabou o concerto, quando acabou o fogo de artifício, aí sim se pode observar o verdadeiro júbilo do povo! É que o Macário Correia sabe bem como isto funciona: "tragam lá a senhora Ute, mas metam um fogosinho no fim para agradar ao povinho!"
Patos
Mas os patos voltaram a protagonizar a minha semana, não os bravos mas um aparentado ao Duffy Duck, o Batman. Pode parecer confuso mas eu explico, fui ver o "Dark Knight" - fraquinho - e tinha visto o anterior filme, com o mesmo actor, sem som... então não é, que o Batman é belfo! Epá, não havia no mundo, um actor para o papel de super-herói que não parecesse o Duffy Duck a falar?! Como é um Batman belfo é o recordista absoluto em receitas de bilheteira no primeiro fim de semana?
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Bichos do mato
jarros e perpétuos amores
que fiquem perto da esplanada de um bar
com os pássaros estúpidos a esvoaçar
adoro as pulgas dos cães
todos os bichos do mato
o riso das crianças dos outros
cágados de pernas para o ar
Rui Reininho
Efectivamente vou de férias, por isso este blogue vai ser deixado ao abandono durante dez dias. Agora interrogam-se os meus caríssimos, queridos e fofinhos leitores: mas porque raio é que este otário não leva o portátil, já que ele é isso mesmo, portátil? Quem é que vai animar as minhas tarde se ele não escrever nada? (é verdade! eu animo alguma gente!)
Eu respondo, é que eu vou para o Parque Hotel de Cabanas de Tavira, ênfase dada à palavra "Parque", vou acampar vá... Convenhamos que deixar o portátil no quarto, vulgo tenda, é pouco seguro e este nem sequer é meu, assim, lamento mas não vou escrever nada nestes dias.
Por falar em acampar, é uma coisa que eu adoro, o contacto com a natureza, as formigas, os mosquitos, os colchões insuflaveis que rebentam, o calhau que fica sempre debaixo das minhas costas, (eu ás vezes já nem durmo bem se, quando monto a tenda, salve seja, não encontro lá o calhau, e tenho que por lá um para dormir melhor), os quarenta graus centígrados às seis da manhã dentro da tenda, as merdas todas a colarem-se à pele dum gajo... mas nem tudo é mau, este Verão vou ter direito a um barquito (barquito este que já me deu água pela barba, literalmente! Uma estória para outro post) e vou poder também fazer caça submarina!
Aquele abraço, até daqui a dez dias
terça-feira, 15 de julho de 2008
Bentley
Há um preceito, um ritual, o afiar as facas e gostar delas, a organização da bancada, cozinhar é sem dúvida a minha cerimónia do chá. Quando há uma tal devoção, e também já um grande orgulho nos pratos, quero uma opinião crítica que, porém, é muito raro receber, infelizmente.
Agora, vou fazer um pedido ao Chef que visite este blogue. Vou explicar:
Um amigo meu, o Daniel (nome fictício), teima em pôr pimenta em tudo o que vem para a mesa antes sequer de provar... Isto irrita-me bastante porque sinto que está a violentar, por assim dizer, um filho meu. A pergunta aos chefes é esta, incomoda-vos que os clientes alterem os vossos pratos pondo pimenta, manteiga, sal... etc. Quanto ao pedir para passar mais um bife, nem vos pergunto nada porque tenho a minha resposta: NÃO!
Pois é, é verdade, tenho orgulho nos meus pratos ao ponto de achar que pôr pimenta num prato meu é como fazer tunning num Bentley, qual é o anormal que vai kitar o Bentley com saiotes, néon, e luzinhas azuis nos mija-mija?
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Fugas
Poria as minhas mãos no fogo caso não se revelasse verdadeira a relação entre o uso de drogas e a noção da nossa existência. A partir do momento em que o homem se viu preso a uma realidade que já entendia como sua e que à qual não podia fugir corporeamente, passou nesse mesmo instante a procurar fugas a essa mesma realidade. Não podendo indicar uma era, assumo que desde que o Homem é Homem que recorre a fugas à realidade, (sem me considerar um autor) muitos autores actuais e ancestrais referiram a importâmcia de tais fugas para a manutenção da salubridade da mente humana, é que ter a noção da realidade não é de todo saudável. Como nos mostrou Fernando Pessoa através de Alberto Caeiro ou Jorge Palma com "aquele ali vai prós copos / tratar das suas fugas".
E daqui salto para as fugas propriamente ditas, despois de ter estabelecido que estas são condição sine qua non para a saúde mental do Homem, digo-vos sem nenhuma dúvida, que todas as pessoas mentalmente saudáveis recorrem a fugas, fugas estas que podem ser tão saudáveis como dançar, ler, foder, dormir, correr, jogar... etc, ou tão danosas como jogar, beber, snifar, injectar e por aí fora.
Usar as fugas como cartas de "ESTÁ LIVRE DA PRISÃO" da realidade é óptimo e mesmo as danosas usadas esporadicamente, creio serem mais benéficas que maléficas, o problema é que sendo fugas à realidade, são-no porque remetem-nos para uma realidade ficcional muito prazeirosa e que nos é díficil abandonar e portanto podem levar-nos a uma perigosa obsessão.
Quanto a mim, a minha droga é o alcool. Nada, para mim cumpre melhor a sua função de abstracção da realidade do que o alcool, e se gosto do alcool pela fuga à realidade durante a intoxicação, gosto talvez ainda mais da ressaca que se me apresenta como uma percepção real mas mais cristalina da realidade, (dores de barriga e de cabeça não são raras).
João Magueijo, físico, confessou ter formulado a sua teoria contrária à da relatividade de Einstein numa tarde de ressaca. Sem me querer comparar com o mundialmente conhecido e respeitado físico, posso revelar-vos uma questão que há tanto me incomodava literalmente iluminada num dia de ressaca: quando olham para o céu de óculos escuros encontrarão dois pontos de reflexo, esses, são o reflexo do sol nos vossos olhos projectado nas lentes!
Um modo de amar a dois
Um modo de amar a dois!"
Não é a paixão que alimenta relações duradouras, a paixão apenas dá o combustível para manter a relação enquanto os dois se conhecem e toleram carinhosamente atitudes que repugnam. Quando a paixão acaba, ou acaba a relação ou se começa a trabalhar para a consolidação, sim porque manter uma relação/ralação dá trabalho!!
Bom, depois deste parágrafo, que mais parece ter sido inspirado nas crónicas da Júlia Pinheiro, passo então ao que queria realmente falar: o quotidiano de um casal...
Há coisas (pausa para respirar fundo) que são universais: aprender a baixar o tampo da sanita, fechar a cortina do duche para não ganhar bolor, por o roupa suja no cesto, tirar os restos de comida da loiça antes de a pôr na máquina, e talvez a mais importante e também mais difícil para o homem heterossexual cumprir: planear a sua vida a curto/médio prazo, incluindo a mulher nesse plano. Todas estas coisas se aprendem por tentativa e erro, qual murganho de laboratório, mas ainda assim, e isto sim é terrivelmente díficil de compreender para as mulheres, é que uma vez aprendido, este conhecimento pode ao fim de pouco tempo perder-se... Isto, exige o esforço horrível e fundamentado para a mulher que pede incessantemente ao companheiro para fechar a cortina do duche quando acaba de tomar banho, de ter que voltar a ensinar esta boa práctica que pensava já adquirida pelo cônjuge.
Quanto a herculiana tarefa de planear os dias a vir, tenho a seguinte consideração a fazer: diz-se da inteligência dos animais, incluindo o bicho-homem, que este último se distingue dos restantes, entre outras coisas, pela sua capacidade de pensamento abstrato, no qual se inclui o planeamento de dias vindouros, pois então tenho apenas a dizer em minha defesa, sendo homem, que nas mulheres esta capacidade concerteza que estará mais desenvolvida que no homem, que apesar de ser considerado inteligente não pode nesta matéria ser colocado ao nível da clareza de calendário da mulher.
Esta última frase leva-me a procurar uma base biológica para estas dificuldades na vida a dois, e encontro estudos que afirmam que as mulheres tem uma grande competência no multitasking ao passo que o homem tem uma grande capacidade de se concentrar numa só tarefa, e isto é especialmente irritante para as mulheres que tentam dialogar com o parceiro enquanto este vê a bola ou joga playstation e que à pergunta "Comemos o bacalhau de ontem ou mandamos vir uma pizza?" respondem "Sim."
Destas e de outras questões trata a vida do casal que todos os dias luta pela manutenção da sua vida conjunta e muito mais haverá a dizer, mas talvez noutro post porque já são quase três da tarde e ainda não almocei!
post scriptum: estive estes dias sem escrever nada porque o meu computador avariou irremediavelmente, e isso deu-me um período de nojo, agora cumprido!
quinta-feira, 26 de junho de 2008
sábado, 21 de junho de 2008
É o Robin, nós chamamos-lhe assim!
Falando doutras coisas: parece que o Robin sempre vem cá a Portugal espetar setas no rabo das petrolíferas, eu acho porreiro, só me dá um pouco de asco terem sido os comunas a propor isto. Pois é, não era este Robin que roubava aos ricos para dar aos pobres?! Então podia ir lá acima ao Porto roubar o Cristián e dá-lo ao Benfiquinha!
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Início
1º- Este blogue não é novo, na verdade já existe desde o início de 2007, mas quando o criei estava apenas a pensar no trocadilho ouzadias com o meu próprio nome (Souza Dias), não sei se repararam...
A ideia seria lançar no mundo da blogosfera a minha astuta visão sobre os factos da actualidade nacional e mundial, mas o tempo foi passando e o primeiro post tardou em ser publicado...
2º- Resolvi começar a publicar estas breves mensagens (já vou em 2!), mas não prometo nada quanto à regularidade de publicação das mesmas. Na verdade não sei bem "porque motivo" comecei (a expressão entraspada tem uma estória associada que um dia contarei), mas já que deixei de fumar, deixei de consumir gasolina (através do meu carro, claro), passei a praticar Iôga, e até vou às aulas teóricas... pensei: eu já não me conheço de qualquer maneira, já agora começo também a escrever, ou melhor rasurar!
3º- Sobre o conteúdo. Sobre o conteúdo, falarei de tudo aquilo que me chatear, aborrecer, fascinar ou apaixonar... bom, tratarei este blogue como se fosse um gajo (muito infortunado) a quem eu contasse coisas; eu ainda tentei falar com amigos ou com a minha namorada, mas ela não teve a já por mim moída paciência necessária para me dar atenção nestas matérias; de modo que neste blogue será possível "ouvir-me" com uma grande vantagem que é a de poder desligar o computador assim que acabe de ler a primeira linha.
4º- Um pedido que vos deixo, é que abandonem aquela regra de etiqueta que nos manda abster-nos de corrigir gramatical e ortograficamente o nosso interlocutor, e que me digam qualquer coisa.
5º- Para terminar, e até porque escrevi isto duma assentada enquanto estava a cagar (é verdade foi mesmo de uma assentada!), e também porque agora vou ter de lavar o rabo com água e sabonete em vez do habitual papel higiénico (isto secou, é que eu dactilografo como um agente da P.J., i.e., com dois indicadores) espero acabar todo as as minhas publicações com uma mensagem moralista introduzida no texto de forma subtil ou mesmo subliminar!
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Os Inconformados Mal-formados
Mandaram-me este mail, ao qual respondo abaixo:
GASÓLEO A 0,80€ PARA OS IATES
O Governo democrático e maioritário do PS tem por hábito quando é confrontado com realidades, apontar os canhões para o PSD, seu parceiro do «Bloco Central de Interesses».
Mas agora, todos ficam a saber : os que têm iates e embarcações de recreio que através do Artº 29 do Cap. II da Portaria 117-A de 8 de Fevereiro de 2008, beneficiam de gasóleo ao preço do que pagam os armadores e os pescadores.
Assim todos os portugueses são iguais perante a Lei, desde que tenham iates…
É da mais elementar justiça que os trabalhadores e as empresas que tenham carro a gasóleo o paguem a 1,42€, e os banqueiros e empresários do 'Compromisso Portugal' o paguem a 0,80€, e é justo, porque estes não têm culpa que os trabalhadores não comprem iates!!!
Eu não acredito num país de merda que isenta iates de luxo do ISP (Imposto Sobre produtos Petrolíferos). Portanto quando me mandam um e-mail, que a avaliar por uma breve pesquisa no Google, já anda a ser reencaminhado há algum tempo, (principalmente por sites de gajos ditos inconformados), eu procuro informar-me. Se a internet pode ser, e é mesmo, um veiculo de muita merda, também é verdade que através dela temos acesso a sites credíveis, como é o caso do site do ministério das finanças ou do diário da república. Então imagino eu: Ora um destes gajos inconformados com o "estado das coisas" neste País terá tido acesso ao artigo 29 do Cap. II da Portaria 117-A, que passo a mostrar: Isenção do ISP para utilização na navegação comercial
29.º Enquadram -se na disposição prevista no número anterior as embarcações efectivamente utilizadas nas seguintes actividades:
a) Navegação marítima costeira;
b) Navegação interior;
c) Pesca;
d) Navegação marítimo -turística;
e) Operações de dragagem em portos e vias navegáveis,
com excepção dos equipamentos utilizados na
extracção de areias para fins comerciais.
Bom, o que terá acontecido, e continuo a imaginar, é que o anormal que lançou este mail não viu o artigo de cima o então não ligou, mas eu mostro também:
28.º As isenções do ISP previstas nas alíneas c) e h) do n.º 1 do artigo 71.º do CIEC abrangem as utilizações em embarcações que, para efeitos da presente portaria, se designam por navegação comercial
NAVEGAÇÃO COMERCIAL É DIFERENTE DE NAVEGAÇÃO DE RECREIO
ah pá! que chatice, e logo agora que eu ia comprar um barquito pra ir prá outra margem...Quer isto dizer que os donos dos iates vão continuar a pagar gasóleo a preço normal, e só estão isentos do ISP se desenvolverem algum tipo de actividade comercial estipulada no artigo. Pronto, as "coisas" vão realmente mal, mas também não é preciso entrar numa onda de injustiça generalizada.
Eu, pelo menos, não entro!
terça-feira, 17 de junho de 2008
Perspectiva
Voltando agora ao "o que se faz lá fora é que é bom", na Suíça, e em apenas dois dias, substituíram o relvado do estádio de Basileia. Que espectáculo! Isto é que é um país como deve de ser! Mas se o portugalinho tivesse o azar de isto lhe acontecer no Euro2004, era ver o povo de mão na cabeça e a gritar aqui d'el Rei qu'este país é uma desgraça e lá seriam pronunciados os só neste país, mas como aconteceu na Suíça, é mais uma prova da sua superioridade.