Sou Republicano, repudio um sistema que designa uma pessoa governante com base no seu sangue, é primitivo.
Hoje senti que o Presidente da Républica, que discursava, era também o meu Presidente. Até agora não o tinha sentido, até porque não votei nele, e como já tinha mostado noutro post, nunca tinha gostado dos seus discursos. Mas não hoje, hoje gostei de o ouvir, foi real e pragmático, preocupado mas esperançoso.
Os partidos, invariavelmente, aproveitam qualquer minuto de telejornal para tempo de antena, e o que dizem, perdoem-me o cliché, é sempre o mesmo: que o presidente falou muito bem, mas o governo não tem noção do país em que vive...
O Sócrates esse, que normalmente não me faz assaltar grandes críticas, fez uma coisa imperdoável, ou melhor, o seu acessor de imagem terá permitido que ele a fizesse. No dia da Implantação da Républica, em que trocámos os símbolos monárquicos pelos republicanos, a guarda, o hino, a bandeira, que antes era azul e branca. O Sócrates assistiu ao discurso do presidente e na televisão formava-se um retrato claramente republicano: o presidenta, a varanda, cores vermelhas e verdes. Mas numa espécie de acaso deveras perturbador ou manifesto aviso subliminar, Sócrates decidiu vestir uma camisa branca e gravata azul. Logo hoje...
Há 16 anos
2 comentários:
Sou Republicano, repudio um sistema que designa uma pessoa governante com base no seu sangue, é primitivo.
Uma monarquia constitucional nada tem de primitivo. Veja-se o caso da Dinamarca, Holanda, Suécia e Espanha.
Países que não passam tempo em quezílias de estimação entre presidente e governos de cores diferentes...Reflicta nestes exemplos.
Vamos lá reflectir então:
Em Espanha mais do que monárquicos são Juan Carlistas, digamos que toleram a monarquia enquanto lá estiver o Juan Carlos... e quanto às quezílias deixe-me referir-lhe, meu caro anónimo, que nem a monarquia unificada conseguiu dissipar movimentos separatistas (alguns até evoluíram para acções terroristas...). Outro exemplo de monarquia constitucional que não citou é o da Bélgica, de resto também a braços com separatismos e a incapacidade de uma monarquia para unificar o reino.
Se quiser citar mais exemplos, refira-se também ao Canadá e à Austrália, cada vez mais distantes da Commonwealth.
E lá por haver uma constituição não deixa de ser primitivo, tal como é primitivo e absolutamente violador dos direitos humanos sistemas de castas, como no admirável mundo novo da Índia. Mas dizia eu, não deixa de ser primitivo, e sem poder executivo mais inútil se torna uma monarquia, senão talvez para encher revistas cor de rosa...
Antigamente, o povo era iletrado, havia famílias mais ricas e com maior capacidade de criar filhos com bons professores e desenvolver indivíduos com uma capacidade acima do comum que seriam grandes líderes, orientadores de uma massa amorfa sem ideias próprias ou noções de governo de uma nação... A partir do momento que um povo é organizado e que todos temos a capacidade de nos instruirmos e de augurar a liderança de uma nação, todos devemos ter essa oportunidade, e a monarquia deixa de fazer sentido!
Obrigado por me fazer reflectir, como fruto dessa reflexão vi ainda mais claramente a primitividade das monarquias.
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