Parecia um dia normal. Apanhei sol durante o dia, tomei um dos melhores pequenos-almoços de sempre numa esplanada em Santa Catarina, uma vista para o rio, um ouvir de uma série de línguas como se estivesse no bar de um hotel algures no mundo, bagels, compotas, café. Estas coisas dão-me anos de vida, com um acordar destes viveria até aos cem anos.
Combinei jantar com pessoal, cozinho eu! Vamos comer moqueca de camarão, há quanto tempo não como moqueca! De hoje não passará, vou às compras, camarão, óleo de palma, vinho... Volto a ligar para saber quantos somos e aqui começa a história da minha noite mais incrível,
À mesa somos eu mais quatro (4!) mulheres, logo aqui algo inédito! Já tinha jantado com mais do que uma mulher, mas quatro realmente é admirável, como se não bastasse, para o café veio mais uma mulher. Coincidência ou não, ao passar da meia noite entrámos no dia internacional da mulher! Ora, se é dia da mulher vamos embora enaltecê-la!!! Trocas de roupa, perfumes, lápiz, rímel, lá saímos de casa nesta grande emancipação feminina testemunhada por mim! A direcção era o Bairro Alto, só para começar.
A sair de casa a Margarida (nome fictício) apercebe-se que o carro não está no sítio onde devia! Estava sim, mais abaixo na rua junto à parede em cima do passeio, ela ficou muito baralhada: tinha estacionado o carro num sítio e ele agora estava noutro, as hipóteses iam sendo formuladas à medida que nos aproximávamos do carro e a hipótese mais plausível estava a ser mudamente admitida... Contorno o carro pronto para ver os estragos e o que vejo faz-me sentir de um modo impossível de descrever, o facto mais incrível, a possibilidade mais remota estava a ser presenciada por nós! Por momentos, eu que sou um homem perfeitamente desprovido da fé divina, cheguei a acreditar na existência de Deus, mas foi mesmo só por uns momentos. O que eu vi foi que o carro tinha embatido contra um colchão que estava encostado à parede!!! O carro estava impecável, ao lado do colchão estava um sem-abrigo a vasculhar o lixo, ao que eu lhe pergunto - Desculpe, o colchão é seu?! - Mas não era, ele estava ali só pelo lixo. A rua, a descer, tinha dum lado os sem-abrigo a dormir doutro uns daqueles pilões de metal no passeio, mas o carro percorreu cerca de trinta metros fez uma ligeira curva para embater precisamente nuns redusíssimos metro e oitenta de colchão! Imaginem a probabilidade de isto acontecer! O carro teve de ficar destravado, a mudança teve que saltar, a posição em que o volante ficou teve de ser precisa, não estava a passar nenhum carro nem pessoas... Enfim, eu até já estava com o pouco de sono do compasso de espera das mulheres despertei logo com este shot de adrenalina!
Ainda a noite era uma criança! Seguimos a tempo de apanhar o último metro, entramos na primeira carruagem mesmo colado(a)s ao maquinista. Começamos nos Anjos, chegados ao Intendente abrem-se as portas entra uma mulher na cabine do maquinista. No Martim Moniz, igual! Abrem-se as portas no Rossio e entra mais uma mulher, fazia lembrar aquele programa de enfiar gente num mini!!! Nós incrédulos com mais uma cena digna de ganhar o Fantásporto, e a rir estupidamente lá vamos andando para o Bairro...
O Bairro não trouxe surpresas, fechou às duas, gente a dar com um pau, gajos fumados e bêbedos com fartura, mais uns copos no arroz doce, decidimos onde ir - JAMAICA!
À porta furamos a fila (por amor de deus, se levo sete mulheres ao jamaica tenho direito a furar a fila, ou não?! já são sete porque encontrámos mais duas no bairro!), o porteiro manda-nos entrar mas pede-me para pagar seis euros à porta com direito a três imperiais - Pá! Trago sete mulheres para o Jamaica e ainda me pedes para pagar? - mas encolho os ombros - Eh, deixa lá ou bebo-as de qualquer maneira!
O Jamaica é em si uma experiência de vida. Tenho de o tentar descrever mesmo sabendo que nada do que escreverei poderá revelar na totalidade o ambiente do Jamaica, aqueles que já lá foram sabem do que falo!
(respirar fundo)
Oitenta metros quadrados, uma densidade de quatro pessoas por metro quadrado, música dos setentas e oitentas, gente de toda a espécie, uma bar com dois gajos a servir. Ir ao Jamaica, é assumir que a partir da porta abdicamos do nosso espaço, para mim um estranho a quem eu possa sentir o cheiro do perfume já se aproximou demais, mas no Jamaica o nosso espaço está limitado ao nosso interior porque o exterior é do Jamaica! Ir ao bar, roçar-me em cinco mulheres e três homens, ficar com a manga direita ensopada em cerveja, parece que tenho a cabeça enfiada num frasco de erva, tal é o cheiro no bar. Não há no Jamaica ninguém parado, vou-me embora às cinco e meia e ainda está à pinha!
Dançar a noite toda, chegar a casa de dia, esta noite foi uma alegria!
Há 16 anos
11 comentários:
EPAAA...
com tantas mulheres à tua volta...das 2..3, ora vejamos:
* ou és maricas ;)
* ou és o brad pit
* ou só tens 4 dedos e meio numa das mãos!!!
vistas bem as coisas...
és maricas!!! só pode!!!!
ahahaha
Abraço
pah, eu tinha combinado com apenas duas amigas, mas depois elas deram em convidar gente à parva, só mulheres... nem tudo são rosas, é claro que só saímos de casa à meia noite e meia!
aquele abraço
Pois eu, como participante na noitada de garanhão do Francisco e co-dona da casa que proporcionou a cozinha para a moqueca e ainda a maior responsável do atraso na saída de casa tenho a dizer que este atraso NÃO TEVE NADA QUE VER com mudar de roupa, pôr maquilhagem, perfume, brincos ou qualquer equivalente!!!
(Gostava também de referir que as mulheres não se reuniram por causa dele e as angariadas no bairro nem sequer o conheciam e para além disso as outras mulheres tiveram vontade própria, pelo que me sinto "ofendida" quando dizes que levaste 7 mulheres ao Jamaica.
Quero também dizer que não eras o único gajo no grupo, havia outro mas talvez não tenhas dado por el!)
Deixo isto entre parentesis porque perdoo liberdades poéticas!
E só porque não sou uma pessoa injusta e parcial que conste que a moqueca estava muito boa!
Estou contigo Joca!
Beijo e para quando um café?
haverá alguém que não me mói por causa deste post?
publicar posts implica acarretar com as consequências do que se escreve ora ora :P
ri-me muito a lê-lo a relembrar a passada noite de 8 de março mas lamento que a minha pessoa não tenha sido referida como parte integrante do teu belo pequeno-almoço ;)quem o proporcionou quem foi?ah pois é!
beijo
para a reaccionária
oh iris vai lá ler o post outra vez e verás q em momento algum eu digo que o atraso é devido às roupas perfumes e afins...
bem sei que tens dificuldade em desvendar as ironias na oralidade por isso também não espero q as percebas na escrita, mas também não ias querer que eu acrescentasse a palavra ironia entre parênteses quando descrevi o modo como entrámos no bar, ou ias?!
de resto, admiro e registo o facto de teres sentido a necessidade de vincar "que as mulheres não se reuniram por causa dele", isso só atesta essa possibilidade como, no mínimo, plausível!
por fim, queria apenas acrescentar, que para quem perdoa liberdades poéticas tiveste muitas "emendas" a fazer!!!
beijo
Ainda não dizendo que a causa do atraso foi essa afirmas ter testemunhado uma coisa que não aconteceu, e passo a citar: "Trocas de roupa, perfumes, lápiz, rímel, lá saímos de casa nesta grande emancipação feminina testemunhada por mim!"
Por outro lado não vejo como é que o que quer que seja atesta o que quer que seja.
E mais não digo porque não tenho nenhuma intenção de iniciar contigo uma discussão digital.
A iris e um bocado besta nao e?
Administrador do C. da Hiena
Encontrei o meu blog!! Agora o problema é começar a escrever..
Beijinho,
A 5ª mulher!
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