quarta-feira, 25 de março de 2009

Segundo Recado ao António Lisboa

Epá Oh António, percebeste alguma coisa do que te disse da primeira vez?! Repara lá numa coisa, quando te disse para largares o whisky não era para te atirares a outro álcool... E essa mania agora de Cuba?! Mas onde é que foste desencantar isso? Bem sei, a religião é o ópio do povo. E lá que tu precisas de uma fuga, precisas. Mas o PCP, porra? Largas o whisky e os cigarros para beberes mojitos e fumares aparas de charuto em cigarros filtro? Digo-te já: foi uma bela merda de ideia que tu tiveste! E ainda te digo mais, estás gordo que nem um texugo, até dás às ancas a andar. Não sabes do que é? Então olha, doze mojitos numa noite são uma garrafa de rum, seis limões, doze colheres de sopa de açucar, um molhe de hortelã, duas garrafas de água das pedras e duas colheres de sopa de angostura. E perguntas-me porque é que estás gordo? Tenta lá adivinhar...
Mas agora, essa PCPzita de metro e meio que arranjaste pode te estar a fazer muito bem, lá as quecas, as discussões do tempo da guerra fria, os mojitos e charutos para enquadrar o resto, podem ser um belo entretém, mas porra, andas sempre a dizer mal de tudo e estás com o dobro do tamanho.
Oh António, se calhar sou eu, a gaja não falando no PC, até permite uma conversa agradável, mas não sei pá, sabes que te amo profundamente e se te digo coisas que talvez, talvez não, de certeza não gostarias de ouvir, é por isso mesmo.
Mas tenho que te dizer isto: A meia-leca da boina não me entra, fica aqui atravessada. Mas não é por mim, eu acho é que ela, mais tarde ou mais cedo deixa-te na merda outra vez ou a deixas tu a ela. Aquela cena de te comparar ao Hemingway, (outra vez as cubanices), epá, o gajo não tinha amor à vida: primeira guerra mundial em itália, toiros em pamplona, guerra civil espanhola, revolução cubana e no fim mata-se, porra oh António, o Hemingway andou a ver se se matava desde que nasceu!!!
E agora que pensei nisto, talvez a comparação não seja assim tão descabida, porque amor à vida tu não tens, mas olha lá, para ser comparado ao Hemingway que seja por ele ter sido viajado, aventureiro, bom pescador, escritor! Agora suicida?!
Percebes o que te digo?
Não percebes mas eu explico melhor: estás de ressaca António, e faz parte do teu luto, encantaste-te com essa reaccionária mas agora eu forço-te o desmame.
Epá, é que tens de te encaminhar primeiro depois logo pensarás em relações sociais a longo prazo. Olha eu percebo-te: estás carente, um eu-pequenino, um desencantamento e aparece-te esta papoila vermelha para te encher o vazio (ou não tivesse ela a forma de uma rolha!), mas ouve, não alimentes isso! E agora falo no interesse dela, é que eu já te conheço há muito e ela nem tem noção do que aí vem, mas eu vi o que aconteceu às outras feias todas, é que oh António, tu já estás magoado mas ela não.
Ouve lá, já que andas numa de Hemingway, e isto é um apelo que te faço mas só quando estiveres orientado, imagina que vais à pesca que nem o velho e o mar, o meu apelo é que sigas continuando à pesca, mas deixa que o peixe salte para o barco. É como quem diz, não escolhas tu as mulheres que está visto que tens mau gosto (escusado será lembrar que foi a minha irmã que te escolheu...), voltando à analogia do velho e do mar, permite-te a lançar o isco, deixa que o peixe o morda, mas não gastes o teu tempo e o do peixe a tentar subi-lo para o barco, olha que o velho do mar ia morrendo de cansaço! Quando o peixe morder o isco, espera que ele salte para o barco, mas por favor não o tentes puxar.

1 comentário:

c a t m a r r i . disse...

'Quando o peixe morder o isco, espera que ele salte para o barco, mas por favor não o tentes puxar. '

o impulso de agarrar logo o que esta perto, mas q nunca esteve tao longe de poder ser agarrado. é do caraças...

hoje o antonio ja tomou banho, e tem olheiras

au revoir antonio*