Há 16 anos
quarta-feira, 17 de junho de 2009
A minha amiga Jubera
Era já próximo da passagem de ano. O Alexandre pôs na cabeça que havia de se embiscoirar (verbo empregue no dialecto scalabitano, donde o Alexandre é nativo) com uma mulher ainda antes das últimas badaladas do ano! As possibilidades eram fracas: mulheres que ele conhecia já o conheciam a ele desde há anos, perdia-se assim aquele encanto, tantas vezes enganador, de trocas de olhos fugazes, aquela faísca que o Alexandre procurava «deixem lá isso de relações sérias, pá! Eu só me quero enrolar com alguém antes que acabe o ano!» confessava ele à sua amissíssima Jubera. Esta, perguntava-lhe a modos que perscrutando uma solução para o amigo aflito «Ouve cá, vai na volta estás a ter uma abordagem que não propicia esses tipos de contactos...» «Jubera, te digo que a minha abordagem é infalível!!!» O Alexandre era rapaz de um entusiasmo invejável, cabelo aos caracolinhos, maneiras de um miúdo de doze anos encerradas no corpo de vinte e dois, um pintas de olho esperto e movimentos rápidos, skater de meia-leca, continha, apesar de tudo, um charme raro capaz de agradar ao género de moças que se deixa agradar por isto! «Jubera, ouve-me esta: Chego de sorriso, encosto-me mansinho e digo-lhe ao ouvido baixinho "Alex e durex, 'bora?!"» «Por amor de deus Alexandre estás-me a gozar, esperas que eu acredite que alguém cai nessa? Isso até parece o slogan do restaurador olex» «Até agora, houve uma sardenta com pinta que me pediu para repetir a frase... mas isso não interessa, não vou mudar de estratégia...» Jubera rapidamente esqueceu os delírios do Alexandre, e deixou-se andar sem o ver ainda durante uns tempos bons, ela que tinha a tão desagradável mania de alcovitar o Alexandre com todas as suas amigas, roladas noutros círculos e perfeitamente desajustadas da fibra gingona de Alexandre. Não voltou a ver o Alexandre antes da passagem de ano. Na verdade, desencontros sucessivos ditaram o reencontro dos amigos já a acabar a primavera. «Jubera! Bons olhos te vejam! Nem sonhas como ando aflito, já nem eu próprio acredito! Estava capaz de escalar prédios, ando à míngua desde Abril, vê lá tu bem!» como Jubera o compreende, também ela assaz carente de um calor mais humano que o do gato «Tu também?! Credo, mesmo assim estás melhor que eu, que tive um conforto já longínquo aí numa tarde invernosa de Fevereiro...» Alexandre indigna-se com o lamento «FEVEREIRO?! MAS DE QUE ANO?!» Jubera tinha subestimado a angústia do seu amigo, é que a míngua a que ele se referia já vinha do ano passado! «Maior crueldade passou-se Março passado, levaram-me a uma lan-party em Alcabideche, e lá conheci uma daquelas tipas que se vestem à lolita japonesa, mas uma gaja já com idade para ter juízo!» «Que é isso de lolita japonesa?!» pergunta a Jubera de cara enrugada «Pá, são tipas que a cena delas é vestirem-se de criança mas com roupas provocantes como fazem lá muito no Japão. Bom, com juízo ou não, havia já muito a perder e achei por bem guardar aquela frase que já conheces para um momento mais próprio, por isso convidei-a para beber um red bull e depois pedi-lhe o número de telemóvel!» «Estás a ver Alexandre, aí já soubeste adequar a abordagem!» «Espera! É que acontece que nós estávamos a ligar e eu quebro-lhe mesmo a minha rotina em cima, e a frase pega mesmo!! Eu nem queria acreditar! Só havia um problema: o Alex estava sem durex!» «Oh Alexandre, por amor ao senhor, não digas essa frase à minha frente...» «Está bem, mas repara, digo à tipa para não ir a lado nenhum e saio a correr à procura daquelas máquinas de preservativos. Farto já de andar à parva, dirijo-me a um polícia de giro a perguntar "que é da farmácia?!" mas o tipo não percebeu bem o que eu queria, responde-me "Oh amigo, isso farmácia a esta hora só está aberta a de serviço, espere um minuto que eu vou ligar à central... Olhe a farmácia de serviço é a farmácia Zilhão!" agradeço ao senhor agente e lá vou eu à procura da farmácia Zilhão. Ao longe já vejo a luz verde a piscar, vou preparando o trocos e já estou a acabar de contá-los junto à máquina quando sou alertado pelo farmacêutico, que a máquina estava avariada... Pago-lhe uma caixa de seis, e volto já de entusiasmo morninho lá para o raio da lan-party, vou para a praça de táxis a ver se apanho um taxi, que tinha andado tanto que já estava muito longe da lan-party...» enquanto o alexandre recupera o fôlego para acabar a estória, Jubera suspira um «Que noite mais marada oh alexandre» «E ainda não viste nada» retoma o alexandre «A caminho da lan-party, sou abordado por cinco tipos de mau aspecto, mas eu fico na minha, sempre a andar, mas os sacanas vêm ter comigo... E não é que me roubam! Levam-me o telemóvel, o dinheiro e os durex's! Fico sem o número da tipa, sem dinheiro para voltar, e sem durex's outra vez! Fiquei danado, ainda lhes gritei: "Já que não me deixam foder a mim, FODAM-SE VOCÊS TODOS, SEUS GRANDES CABRÕES!!!"»
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9 comentários:
Eh eh pobre Alexandre ... se ao menos os durex tivessem ficado...
Ahem.....esqueceste-te que também levaram os fones Philips ao "Alexandre".
já estás a baralhar tudo
loool e confirma-se: um azar nunca vem só!!
=P
Beijo!***
Esse Alex parece-me familiar!... Conheço-o de algum lado!?
Epá, tenho que dizer isto! não sei se é o facto de estar assinado, ou se é o facto de neste blog coisas reais estarem misturadas com outras fictícias, ou ainda se é o facto de vocês (fred e tiago) acharem que a minha vida dava um filme deste género!!! Isto não é real!! Nada disto é real!! As personagens são isso mesmo e esta em particular nada tem a ver comigo! E para os leitores que não me conhecem, aqui me caracterizo:
Sou alto, moreno, olhos castanhos, muitas vezes com barba por fazer, nem quando tinha doze anos tinha modos de doze anos, fechado em mim mesmo, nada agressivo ou insolente a falar com mulheres (ao contrário do alex), a única vez que andei de skate ganhei uma cicatriz para vida, nunca fui a uma lan-party, na verdade, nem sei muito bem o que é isso(!), se já estive em alcabideche não me lembro, nunca conheci nem tenho especial interesse em conhecer uma lolita japonesa, também poderia dizer que nunca estive tanto tempo "à míngua", mas isso já seria demsiado revelador... Portanto, se a única semelhança que encontram é o facto de eu ter sido assaltado há pouco tempo, parece-me deveras precipitada a comparação!!! Mais digo, se o conheces de algum lado, do meu não é com certeza!
Achei a tua história bastante inspirada em mim, não propriamente em ti.
boa, fico mais descansado. não por que sejas tu mas porque começava a pensar que eu dava uma imagem de mim próprio que não era aquela que eu tinha.. mas enfim. Quanto a ti, agora que falas nisso, pode ser realmente que haja aproximações(!) mas não te sintas usurpado, é uma amálgama tão grande que não poderia dizer onde nasceu exactamente... abraço
com que então é isto que fazes dois dias antes do exame de ecologia marinha?
escrever contos fictícios a cerca de uma senhora com um nome descabido (és tu com as Juberas e o Saramago com as Blimundas!).. o que vale é que, ainda assim, tens 17.2!
ahah, cromíssimo! *
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