segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Freaks flock together

As pessoas têm a tendência para se juntarem de acordo com os seus interesses. Quando os interesses são medianamente comuns, será mais fácil encontrar soluções para problemas ou preocupações que afectem o mesmo grupo. Não fosse eu estudante de biologia e não encontraria aqui mais uma prova da Evolução, mas adiante...
Existem neste nosso mundo vários outros mundos exclusivos dos olhos de apenas alguns, os cirurgiões e pessoal de cirurgia lá conhecerá as entranhas dos corpos humanos, os mecânicos não encontram surpresas num motor, mergulhadores conhecem esse mundo subaquático, e o mundo microscópico é conhecido dos biólogos e outros, tal como o telescópico é dos astrónomos. Assim, se eu quiser partilhar uma descoberta fantástica que acabei de fazer, digamos, no modo de alimentação de um pogonóforo acima dos cinquenta graus centígrados, convém, no mínimo, que o meu interlocutor saiba de que animal eu estou a falar e da sua biologia... Mas nem é preciso tanta especificidade, por exemplo, de cem pessoas escolhidas ao acaso, quantas se entusiasmarão com o comportamento exibido por um caranguejo a comer uma poliqueta?! E numa turma de biologia marinha?!
É por isto que os Freaks flock together, numa multiplicidade de mundos que se apresentam mais ou menos interessantes, juntam-se aqueles que mais amam determinado mundo. Há ainda outro aspecto interessante que é o facto de haver uma gritante e forçada incompreensão por parte de um habitante de um mundo em relação a outro diferente: como quando vemos um bando de gajos vestidos de Darth Vader e Han Solo para ver a emissão contínua de todos os filmes do Star Wars. Pensamos (os que não conhecem este mundo): "Estes gajos são uns otários!" E talvez estejamos cobertos de razão, mas isso não interessa! O que interessa é que estes totós com idade para ter juízo, e mulher, e filhos, e casa própria, andam em bando porque gostam do mesmo mundo! Independentemente desse mundo ser estranho para outros.
O mundo a que eu pertenço é também estranhíssimo, senão vejam: numa aula é apresentado um slide de um choco acabado de ecludir, que objectivamente é uma massa disforme, preta, onde um olho arguto identifica uns tentáculos e dois olhos enormes. A reacção das miúdas da turma é um ooohhhhhhh!!! carinhoso como alguém que admira a ternura de um cachorro, enquanto o cidadão comum teria uma reacção anojentada, talvez um vómito!

1 comentário:

Anónimo disse...

O encanto das Donax spp ou do molusco lamelibrânquio da costa do Algarve…

Quando o Diogo te citou e voltei a ler este post lembrei-me de uma coisa que escrevi a semana passada:
Lembro-me perfeitamente do dia em que me apaixonei por ti.
Da sensação fresca da brisa e dos salpicos do mar na cara, nos braços, no decote...
Do sol a torrar as bochechas, da areia molhada nos pés e nas mãos.
Da indecisão entre olhar para ti ou para os mistérios da sobrevivência das conquilhas.
Da imensidão da vida que desconhecida por baixo da maré vazia e a arrebatadora emoção de me surpreenderes com tão pequenas coisas.
(…)